Xi expulsa 33 membros do Partido Comunista da China em recorde de expurgos e deixa plenário com menos participantes

A Comissão Militar Central, que tinha sete integrantes, hoje tem dois
Após o expurgo de Zhang Youxia, só Xi e Zhang Shengmin restam no órgão que controla as Forças Armadas.
Mark

Por que esse plenário chamou tanta atenção, se expurgos já são rotina sob Xi?

Mimi

Pelo recorde: 33 expulsões de uma vez, 51 no terceiro mandato, e só 279 presentes, a menor presença em 14 anos.

Mark

E o peso militar?

Mimi

Dezesseis dos expulsos são das Forças Armadas, e a Comissão Militar Central passou de sete integrantes para dois: Xi e Zhang Shengmin.

Luke

Convém separar o que está confirmado do que é interpretação. As expulsões e os números são do comunicado oficial. Que isso seja consolidação de poder é leitura de analistas.

Mark

E as acusações?

Luke

Não estão claras. O texto só fala em graves violações disciplinares e legais. Não há provas públicas de corrupção específica.

Mimi

Por isso os observadores falam em lealdade. Xi tratou os "quadros de duas caras" como parte do problema, em janeiro.

Luke

Ainda assim, é hipótese. Que Xi fique além de 2027 também é expectativa de muitos analistas, não fato.

Mark

E a preocupação com o exército?

Mimi

O Asia Society Policy Institute questiona a prontidão para o combate, mas é avaliação externa, sem dados sobre efeitos reais.

Luke

Exato: o que vem a seguir ainda é desconhecido.

  • Trinta e três expulsões de uma só vez, com 16 nomes ligados às Forças Armadas, causam um choque raro no núcleo do poder chinês.
  • A Comissão Militar Central caiu de sete integrantes para apenas dois, expondo uma lacuna sensível no comando das tropas.
  • O plenário teve 279 presentes, a menor participação já vista sob Xi, deixando o Comitê Central visivelmente esvaziado.
  • Analistas veem a campanha como um movimento para reforçar a autoridade de Xi antes do 21º Congresso, em 2027, quando o próximo líder será escolhido.

Ao fim de quatro dias de reunião fechada em Pequim, o Partido Comunista da China revelou um número que reflete uma antiga inquietação do poder: 33 expulsões, a maior já registrada, sendo 16 delas nas Forças Armadas. Por trás dos termos burocráticos e da fórmula vaga sobre "graves violações", desenha-se uma disputa sobre quem controla o aparato e quem deve permanecer nele. Num sistema em que a lealdade pesa mais que a transparência, cada cadeira vazia no plenário conta uma história sobre medo, ambição e a ideia de que a ordem precisa ser reafirmada antes que a sucessão chegue.

Após quatro dias de reunião a portas fechadas num hotel de Pequim, o Partido Comunista da China divulgou nesta quinta-feira (29/10) um comunicado que concentrou a atenção: 33 integrantes expulsos, um recorde, e 16 deles das Forças Armadas. O quinto plenário do Comitê Central também registrou a menor presença desde o início da liderança de Xi Jinping, com 279 membros, contra 315 no encontro anterior e 364 no de julho de 2024. Pela primeira vez em 14 anos, a participação ficou abaixo de 300.

Dessa vez, o foco não foram reformas econômicas, mas a disciplina partidária. Xi transformou o combate à corrupção em pilar de seu governo desde 2012, e com as novas expulsões o total de seu terceiro mandato chega a 51, o maior da série. Entre os atingidos estão Ma Xingrui, ex-chefe do partido em Xinjiang, e os ex-generais Zhang Youxia e Liu Zhenli. Os comunicados falam em "graves violações disciplinares", linguagem que, lida nos bastidores, costuma significar corrupção.

O ponto mais sensível é o comando militar. A Comissão Militar Central, que controla as Forças Armadas, hoje tem apenas Xi e Zhang Shengmin. Especialistas do Asia Society Policy Institute avaliam que a operação levanta dúvidas sérias sobre a liderança e a prontidão para o combate.

Para Chong Ja Ian, do Carnegie China, a campanha serve sobretudo para consolidar a autoridade de Xi, que afasta até antigos aliados com pouca resistência. Os próximos passos apontam para o 21º Congresso, em 2027, quando se escolherá o próximo líder, e muitos analistas acreditam que Xi buscará um quarto mandato. Ao mesmo tempo, o acúmulo de poder pode criar um vácuo mais grave quando ele envelhecer.

Ao fim de quatro dias de reunião a portas fechadas num hotel de Pequim, o Partido Comunista da China divulgou, nesta quinta-feira (29/10), um comunicado com um número que dominou a leitura do encontro: 33 integrantes expulsos, um recorde. Dezesseis deles são das Forças Armadas. O quinto plenário do Comitê Central também registrou a maior quantidade de cadeiras vazias já vista.

Foram 279 membros presentes, contra 315 no quarto plenário, em outubro de 2025, e 364 no terceiro, em julho de 2024. É a primeira vez, nos 14 anos de liderança de Xi Jinping, que a participação cai abaixo de 300. O atual Comitê Central começou seu mandato, em 2022, com mais de 370 membros. Os plenários recentes vinham tratando de reformas econômicas e de temas sociais e de desenvolvimento; desta vez, a disciplina partidária ocupou o centro.

Xi fez do combate à corrupção um pilar do governo desde que chegou ao poder, em 2012, e a chama de "maior ameaça" ao partido. Com as novas expulsões, o total no terceiro mandato dele chega a 51, o maior da série: foram 35 no primeiro mandato e cinco no segundo. Além disso, o principal órgão anticorrupção do país informou que 680 mil pessoas, em toda a estrutura partidária, sofreram punição disciplinar nos primeiros nove meses do ano.

O comunicado não detalha as acusações contra os expulsos, além de "graves violações disciplinares e legais", fórmula ampla que se tornou comum na campanha. O partido afirmou ter encarado a dura realidade de que a liderança foi, por vezes, enfraquecida ou esvaziada, e prometeu manter rigorosa autodisciplina, "voltando a faca contra si mesmo" para conter a desordem.

Entre os nomes de alto escalão estão Ma Xingrui, ex-chefe do partido em Xinjiang, e os ex-generais Zhang Youxia e Liu Zhenli. Os avisos oficiais disseram que eles violaram gravemente a disciplina e as regras do partido, expressão geralmente lida como eufemismo para corrupção. Também foi expurgado o ex-diplomata Liu Jianchao, que desapareceu da vida pública em julho do ano passado.

O golpe no comando militar é o ponto mais sensível. Zhang Youxia era vice-presidente da Comissão Militar Central, que controla as Forças Armadas. O órgão, que tinha sete integrantes, hoje tem dois: Xi, presidente, e Zhang Shengmin, vice-presidente. Neil Thomas, Lobsang Tsering e Shengyu Wang, do Asia Society Policy Institute, chamaram a operação de algo sem precedentes e disseram que ela levanta sérias dúvidas sobre a liderança organizacional e a prontidão para o combate, mesmo com a China exibindo novos equipamentos militares.

O Politburo, de 24 membros, chegou a ter só 21 após a saída de Ma, de Zhang Youxia e, em 2025, do ex-general He Weidong. Zhang Shengmin foi promovido ao órgão durante o plenário, que passa a ter 22 integrantes.

Para Chong Ja Ian, do Carnegie China, a campanha virou um esforço de consolidar autoridade e seguirá conforme a segurança que Xi sentir no poder, não conforme problemas reais de corrupção. Ele observa que Xi afasta sem escrúpulos até quem promoveu, com pouca oposição. Em janeiro, o líder já alertara contra "quadros de duas caras", que juram lealdade mas desobedecem e agem em benefício próprio.

O pano de fundo é o 21º Congresso do Partido, previsto para 2027, quando se escolhe o próximo líder. Muitos analistas esperam que Xi fique por um quarto mandato ou mais, algo que só Mao Tsé-Tung alcançou. Thomas aponta que os nomes em ascensão tendem a ser jovens, tecnocratas e ligados à rede de Xi, com os quadros provinciais como terreno promissor. Chong alerta que tanta concentração de poder pode gerar um vácuo ainda mais grave quando Xi envelhecer.

A campanha continuará e se expandirá dependendo de quão seguro Xi se sentir no poder, e não de problemas reais com a corrupção.
— Chong Ja Ian, pesquisador do Carnegie China
A operação no alto escalão militar é algo sem precedentes.
— Neil Thomas, Lobsang Tsering e Shengyu Wang, Asia Society Policy Institute
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