XCMG vendeu 251 caminhões elétricos pesados à transportadora Navarini por R$ 500 milhões, um dos maiores negócios do país neste segmento. Vendas globais de caminhões e ônibus elétricos quase dobraram em 2025, com China responsável por 90% das vendas mundiais de meio milhão de unidades.
XCMG fecha venda de 251 caminhões elétricos por R$ 500 milhões no Brasil
Eletrificação funciona onde ninguém acreditava que funcionaria
Por que esse negócio da XCMG com a Navarini importa? É só uma venda grande de caminhões?
Não. É um sinal de como a China está se posicionando no mercado automotivo global enquanto EUA e Europa fecham as portas. A Navarini quer eletrificar sua frota de pesados — algo que ninguém acreditava ser possível — e a XCMG tem a solução.
Mas quanto disso é realmente inovação da XCMG e quanto é apenas que eles conseguem vender mais barato? O contrato não diz.
Justo. O que sabemos é que levou meses de testes em condições reais, análise de terreno, estudos operacionais. Não foi só entregar caminhões.
E a infraestrutura? Se o Brasil tem 30 mil pontos de recarga, isso não é suficiente?
Não para caminhões pesados. A rede é feita de equipamentos de baixa potência para carros de passeio e comerciais leves. Caminhões pesados precisam de outra coisa.
Então a Navarini está comprando 251 caminhões para um mercado que ainda não tem infraestrutura adequada. Como isso funciona na prática?
Eles podem estar apostando que a infraestrutura vem depois, ou que conseguem gerenciar com o que existe. O contrato não detalha isso.
Globalmente, quanto dessa tendência é real e quanto é China dominando porque ninguém mais está competindo?
A China foi responsável por 90% das vendas globais de meio milhão de unidades em 2025. Isso é dominação ou é porque eles estão investindo enquanto outros hesitam?
Provavelmente os dois. EUA e Europa estão levantando barreiras. A China está entrando onde há espaço.
O Pulso
- XCMG vendeu 251 caminhões elétricos pesados à Navarini por R$ 500 milhões
- Vendas globais de caminhões e ônibus elétricos quase dobraram em 2025, com China responsável por 90% das 500 mil unidades vendidas
- Brasil tem quase 30 mil pontos de recarga, mas predominantemente para veículos leves; Europa tem 4.300 pontos para caminhões e precisaria de 50 mil até 2030
XCMG vendeu 251 caminhões elétricos pesados à transportadora Navarini por R$ 500 milhões, um dos maiores negócios do país neste segmento. Vendas globais de caminhões e ônibus elétricos quase dobraram em 2025, com China responsável por 90% das vendas mundiais de meio milhão de unidades.
A fabricante chinesa XCMG fechou venda de 251 caminhões elétricos para a Navarini em negócio de R$ 500 milhões, refletindo estratégia da China no mercado automotivo brasileiro enquanto EUA e UE levantam barreiras.
A China está expandindo sua presença no mercado automotivo brasileiro muito além dos carros de passeio. Enquanto Estados Unidos e União Europeia erguem barreiras contra importações de veículos elétricos, fabricantes chinesas identificam oportunidades em segmentos que outras potências industriais deixam em segundo plano — particularmente os caminhões pesados a bateria.
A XCMG, montadora chinesa com operações no Brasil, fechou um acordo que exemplifica essa estratégia. A empresa vendeu 251 caminhões elétricos para a Navarini, uma transportadora especializada em grãos, em um negócio avaliado em R$ 500 milhões. O contrato foi assinado há duas semanas em Xuzhou, na China. Os veículos escolhidos foram o modelo E7-95T, caminhões pesados com capacidade de tração de até 120 toneladas, projetados para percorrer longas distâncias carregando produtos agrícolas. A operação figura entre os maiores negócios envolvendo caminhões elétricos já realizados no país — apenas a venda de 1.600 unidades do e-Delivery entre Volkswagen Caminhões e Ônibus e Ambev, anunciada em 2020, superou este em volume.
Para a Navarini, a compra representa a concretização de um projeto iniciado em 2024, quando a transportadora decidiu se tornar a primeira empresa do agronegócio brasileiro a eletrificar sua frota de pesados. Luis Fernando Navarini, fundador da empresa, descreveu o objetivo em termos ambiciosos: não se tratava apenas de adquirir caminhões elétricos, mas de transformar a cultura do transporte no país e demonstrar que a eletrificação funciona em contextos onde poucos acreditavam ser viável — no segmento pesado, em trajetos longos, nas condições poeirentas das colheitas. Hilário Matzenbacher, executivo da XCMG responsável pelo desenvolvimento do negócio, enfatizou que a solução alcançada após meses de estudos operacionais, análises de terreno e testes em condições reais unia produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade.
O acordo entre a montadora chinesa e seu cliente brasileiro reflete tendências globais no mercado de veículos comerciais. As vendas de caminhões e ônibus elétricos quase dobraram mundialmente em 2025, segundo dados do Conselho Internacional de Transporte Limpo. A China foi o principal motor desse crescimento, responsável por aproximadamente 90% das vendas globais. No ano passado, caminhões e ônibus elétricos ultrapassaram a marca de meio milhão de unidades comercializadas internacionalmente, representando um aumento de 86% em relação ao ano anterior. Mercados como União Europeia e Índia também registraram crescimento de dois dígitos no segmento de pesados a bateria.
Mas o cenário global revela uma lacuna crítica: a infraestrutura de recarga não acompanha o ritmo de adoção dos veículos. No Brasil, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico aponta a existência de quase 30 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para veículos eletrificados. Porém, essa rede é constituída predominantemente por equipamentos de baixa potência, voltados para carros de passeio e comerciais leves — inadequada para atender caminhões pesados. Na União Europeia, o cenário é semelhante. Até julho deste ano, havia 4.300 pontos de recarga para caminhões no continente, com a Alemanha concentrando aproximadamente mil deles. Segundo a Acea, associação europeia de fabricantes, seriam necessários 50 mil carregadores para atender adequadamente à frota de elétricos prevista para 2030.
A XCMG, fundada em 1989 como fabricante de máquinas de construção, consolidou-se também como montadora de caminhões para aplicações complementares — construção civil e mineração. Chegou ao Brasil em 2004 como importadora de veículos produzidos na China e, uma década depois, em 2014, inaugurou sua primeira fábrica de maquinário no país, na cidade de Pouso Alegre, em Minas Gerais. Sua presença no mercado automotivo brasileiro agora se estende a um segmento em transformação global, onde a China estabelece liderança enquanto outras potências industriais ainda constroem suas estratégias.
Citações Notáveis
Nosso objetivo nunca foi apenas comprar caminhões elétricos, mas mudar a cultura do transporte no Brasil e provar que a eletrificação funciona onde ninguém acreditava que funcionaria: no pesado, na longa distância, na poeira da safra— Luis Fernando Navarini, fundador da Navarini
Este negócio representa muito mais do que a venda de caminhões. Após meses de trabalho, estudos da operação, análise de relevo, entendimento das necessidades do cliente e testes em condições reais, chegamos a uma solução capaz de unir produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade— Hilário Matzenbacher, executivo da XCMG