Wenger destacou que seleções como França, Inglaterra e Brasil venceram seus primeiros jogos por estarem concentradas na competição. Alemanha perdeu para Japão após protesto coletivo contra sanções da Fifa; Dinamarca também foi eliminada apesar de ser considerada surpresa.
Wenger diz que seleções focadas na competição têm mais chances de vencer Copa
Seleções determinadas a focar na competição, não em manifestações políticas
Quando Wenger fala em seleções "mentalmente preparadas", ele está realmente falando de tática ou há algo mais na mensagem?
Há claramente algo mais. A escolha de mencionar a Alemanha e a Dinamarca — ambas que se posicionaram sobre direitos LGBTQIA+ — não é acidental. Ele está dizendo que focar em questões políticas distrai do jogo.
Mas a Alemanha perdeu 2 a 1 para o Japão. Isso prova que o protesto custou o resultado?
Não necessariamente. O Japão jogou bem. Mas Wenger está usando o resultado para sustentar um argumento: que a atenção dividida prejudica o desempenho. É uma correlação que ele está apresentando como causal.
Qual é o risco dessa narrativa?
O risco é simplificar demais. Sugere que protestos contra injustiça social são um luxo que seleções não podem se permitir. Ignora que atletas podem ter convicções e ainda jogar bem.
A análise tática sobre cruzamentos e pontas — isso é separado do argumento político?
Teoricamente sim, mas no contexto da fala, tudo está conectado. Wenger está construindo uma imagem de seleções que sabem o que fazer e por quê. Aquelas que se desviam disso — seja para protestos ou falta de clareza tática — fracassam.
Então ele está dizendo que ganhar exige uma espécie de pureza de propósito?
Exatamente. E isso é problemático porque reduz o futebol a apenas futebol, quando para muitos atletas, especialmente em 2022, o torneio era também uma plataforma para falar sobre direitos humanos.
The Pulse
- Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento da Fifa, fez a declaração em Doha no domingo
- Alemanha perdeu 2 a 1 para o Japão após protesto coletivo com a mão na boca
- Aumento de 83% em gols por cruzamentos comparado à Copa de 2018
- Alemanha eliminada na fase de grupos pela segunda vez consecutiva
- Dinamarca também foi eliminada apesar de ser considerada possível surpresa
Wenger destacou que seleções como França, Inglaterra e Brasil venceram seus primeiros jogos por estarem concentradas na competição. Alemanha perdeu para Japão após protesto coletivo contra sanções da Fifa; Dinamarca também foi eliminada apesar de ser considerada surpresa.
Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento da Fifa, afirma que seleções mentalmente preparadas e focadas na competição, não em manifestações políticas, têm mais chances de vencer. Alemanha e Dinamarca, que se posicionaram sobre direitos LGBTQIA+, foram eliminadas.
Arsène Wenger, o diretor de desenvolvimento da Fifa, fez uma declaração polêmica no domingo durante a coletiva de imprensa do grupo de estudos técnicos em Doha. Segundo ele, as seleções que conseguem se manter "mentalmente preparadas" e focadas exclusivamente na competição têm maiores chances de vencer suas primeiras partidas na Copa do Mundo. Wenger citou exemplos de equipes experientes — França, Inglaterra e Brasil — que saíram vitoriosas em seus jogos de estreia, sugerindo que essa concentração tática era determinante para o sucesso inicial.
A fala de Wenger ganhou contorno específico quando consideradas as trajetórias de duas seleções que se posicionaram publicamente sobre questões sociais durante o torneio. A Alemanha, sob comando de Hansi Flick, protestou coletivamente contra as ameaças de sanções da Fifa relacionadas ao uso da braçadeira "One Love", um símbolo de apoio aos direitos da comunidade LGBTQIA+. Na partida de abertura contra o Japão, todos os jogadores alemães posaram com a mão na boca para a foto oficial antes do jogo — um gesto de protesto silencioso. O resultado foi uma derrota por 2 a 1. A Alemanha seria posteriormente eliminada na fase de grupos, marcando a segunda eliminação consecutiva na fase inicial de uma Copa do Mundo para a seleção.
A Dinamarca seguiu caminho semelhante. Também se manifestou sobre questões políticas e sociais durante a competição no Catar e, apesar de ser considerada por alguns analistas como uma possível surpresa do torneio, também foi eliminada prematuramente. Ambas as equipes compartilhavam o padrão que Wenger descrevia: seleções que dividiram sua atenção entre o desempenho competitivo e posicionamentos fora do campo.
Wenger reforçou sua posição ao acrescentar que havia times que estavam "determinados a focar na competição e não em manifestações políticas", contrastando implicitamente com as escolhas da Alemanha e Dinamarca. O ex-técnico do Arsenal apresentou também uma análise tática mais ampla da primeira fase do torneio, destacando dados estatísticos sobre a evolução do jogo. Ele apontou um aumento de 83% no número de gols marcados a partir de cruzamentos em comparação à Copa de 2018, uma mudança que refletia alterações nas estratégias defensivas das equipes.
Segundo Wenger, as seleções passaram a defender mais densamente o meio de campo, deixando os laterais mais expostos. Essa configuração tática elevou a importância dos jogadores de ala, criando oportunidades de ataque pelas laterais. Com base nessa análise, Wenger concluiu que as seleções com os melhores pontas ofensivos teriam vantagem significativa para vencer o torneio. Sua fala, portanto, mesclava uma crítica implícita às manifestações políticas com observações sobre a evolução tática do futebol moderno.
Notable Quotes
Seleções preparadas mentalmente e concentradas na competição, não em manifestações políticas, têm mais chances de ganhar sua primeira partida— Arsène Wenger
As equipes que têm os melhores pontas terão mais chances de ganhar o torneio— Arsène Wenger