Em duas décadas, o que nasceu como um experimento colaborativo nas ruas de Israel — motoristas desenhando mapas enquanto dirigiam — tornou-se uma das ferramentas de navegação mais usadas do planeta, com 590 milhões de usuários. O Waze, adquirido pelo Google em 2013 por mais de um bilhão de dólares, é um exemplo raro de como a inteligência coletiva, quando bem incentivada, pode transformar dados cotidianos em infraestrutura global. Sua trajetória revela algo mais amplo sobre a era digital: os usuários não são apenas consumidores, mas os próprios construtores do produto que consomem.
Waze completa 20 anos: da startup israelense aos 590 milhões de usuários globais
Motoristas desenhavam o mapa enquanto dirigiam
Como um mapa desenhado por motoristas conseguiu se tornar global? Parece frágil demais para funcionar em escala.
Começou pequeno, com centenas de pessoas em Israel adicionando ruas que conheciam. Mas a ideia era sólida: se você tem milhares de pessoas dirigindo todos os dias, elas naturalmente mapeiam a cidade inteira. O Waze apenas organizou isso.
Mas quanto tempo levou para ficar útil? Se você tinha apenas algumas centenas de motoristas em 2006, o mapa deve ter sido bem incompleto.
Verdade. Por isso levou dois anos para chegar a 2,5 mil colaboradores. E mesmo em 2012, quando chegou ao Brasil, tinha apenas 400 mil usuários. Não era instantâneo.
E a gamificação com os Road Goodies — isso realmente funcionou para manter as pessoas contribuindo?
Funcionou bem o suficiente para que o número de editores saltasse para 17 mil em 2009. As pessoas gostam de pontos e prêmios, mesmo que virtuais.
Mas não sabemos quantos desses 17 mil eram contribuidores ativos ou apenas pessoas que abriram o app uma vez. O número de editores pode ser enganoso.
Faz sentido. E quando o Google comprou por 1,13 bilhão de dólares, o que mudou?
A escala mudou. Depois disso, o Waze chegou a 19 milhões de usuários globalmente e começou a adicionar funcionalidades mais sofisticadas, como alertas em tempo real.
Mas o Google já tinha o Google Maps. Por que comprar o Waze?
Porque o Waze tinha algo que o Google Maps não tinha: uma comunidade de usuários que alimentava dados em tempo real. Acidentes, congestionamentos, polícia — coisas que mudam a cada minuto.
E no Brasil, por que demorou até 2012 para ter uma versão em português?
Não está claro no material. Mas quando chegou, cresceu rápido. De 400 mil para 1,5 milhão em São Paulo em apenas dois anos.
Esses números de 2014 são de usuários ativos ou apenas downloads? Há uma diferença grande.
Il Polso
- O desafio inicial era imenso — convencer motoristas comuns a contribuir com dados de ruas sem remuneração, apenas com a promessa de um mapa melhor para todos.
- A gamificação com Road Goodies foi a virada: transformar a direção cotidiana em algo parecido com um jogo fez com que milhares de pessoas voltassem ao aplicativo e adicionassem mais informações.
- Crises reais testaram o app — do risco de fechamento de rodovias em Los Angeles ao caos de combustível após o furacão Sandy — e o Waze respondeu com funcionalidades que salvaram tempo e recursos.
- No Brasil, o crescimento foi explosivo: de 400 mil usuários sem versão em português em 2012 para 1,5 milhão apenas em São Paulo dois anos depois, tornando o país um dos mercados mais relevantes da plataforma.
- Hoje, com rotas para motociclistas lançadas em 2026 e o programa Waze for Cities com mais de mil parceiros municipais, o aplicativo continua expandindo sua utilidade muito além da navegação individual.
Em duas décadas, o que nasceu como um experimento colaborativo nas ruas de Israel — motoristas desenhando mapas enquanto dirigiam — tornou-se uma das ferramentas de navegação mais usadas do planeta, com 590 milhões de usuários. O Waze, adquirido pelo Google em 2013 por mais de um bilhão de dólares, é um exemplo raro de como a inteligência coletiva, quando bem incentivada, pode transformar dados cotidianos em infraestrutura global. Sua trajetória revela algo mais amplo sobre a era digital: os usuários não são apenas consumidores, mas os próprios construtores do produto que consomem.
Em 2006, o engenheiro israelense Ehud Shabtai lançou o FreeMap Israel com uma premissa simples: deixar que motoristas desenhassem o mapa enquanto dirigiam. Os dados gerados nos deslocamentos eram transformados em um mapa digital gratuito do país. Começou com algumas centenas de colaboradores; dois anos depois, eram 2,5 mil.
O projeto passou por dois renomes — Linqmap e, em 2009, Waze — e cresceu rapidamente. Naquele mesmo ano, havia 17 mil editores ativos. Em poucos meses, o aplicativo chegou aos Estados Unidos e, logo depois, ao mundo inteiro, disponível em Android, iOS e outros sistemas. Para manter o engajamento, a empresa criou o Road Goodies: objetos virtuais espalhados pelo mapa que rendiam pontos aos motoristas, transformando a contribuição em algo parecido com um jogo. Em 2013, o Google adquiriu o Waze por aproximadamente 1,13 bilhão de dólares.
O aplicativo sempre dependeu de seus usuários para evoluir. Uma parceria com uma emissora de Los Angeles trouxe alertas em tempo real sobre fechamentos de rodovias. Após o furacão Sandy, usuários usaram o Waze para mapear postos de combustível disponíveis — informação que chegou a auxiliar a agência federal de emergências dos EUA.
No Brasil, o crescimento foi notável. Em 2012, o app já tinha 400 mil usuários brasileiros antes mesmo de ganhar uma versão em português. Dois anos depois, São Paulo sozinha concentrava 1,5 milhão de usuários. A plataforma também lançou o Waze for Cities, programa para ajudar municípios a monitorar congestionamentos e acidentes, que começou em dez cidades brasileiras e hoje conta com mais de mil parceiros globais. Em julho de 2026, chegaram ao Brasil rotas otimizadas para motociclistas, com alertas sobre lombadas, buracos e outros perigos específicos.
Vinte anos após nascer como um mapa desenhado por motoristas israelenses, o Waze reúne 590 milhões de usuários. A lógica original permanece intacta: quanto mais pessoas usam, mais dados o app coleta — e mais útil ele se torna para o próximo usuário.
Em 2006, um engenheiro de software israelense chamado Ehud Shabtai lançou um projeto chamado FreeMap Israel com uma ideia simples: deixar que motoristas desenhassem o mapa enquanto dirigiam. Os dados que eles geravam ao se deslocar pelas ruas eram baixados offline, conectados em um editor de mapas, e transformados em um mapa digital gratuito do país. Começou com algumas centenas de motoristas. Dois anos depois, havia 2,5 mil colaboradores ativos.
O projeto ganhou força e um novo nome: Linqmap. Em 2009, o número de editores havia saltado para 17 mil. Naquele mesmo ano, a plataforma foi renomeada novamente, desta vez para Waze. Cinco meses depois, chegou aos Estados Unidos. Seis meses após isso, estava disponível globalmente, funcionando em Android, iOS, Symbian e Windows Mobile. A mecânica permanecia a mesma: motoristas traçavam as rotas, e o mapa crescia a partir delas.
Para manter as pessoas contribuindo, a empresa criou um sistema de gamificação chamado Road Goodies. Enquanto dirigiam, os usuários encontravam doces, presentes, martelos, cerejas e outros objetos virtuais espalhados pelo aplicativo. Cada um deles rendia pontos e transformava a experiência em algo que lembrava o Pac-Man. Era um jeito inteligente de fazer as pessoas quererem voltar e adicionar mais dados. Em 2013, o Google comprou o Waze por aproximadamente 1,13 bilhão de dólares.
Desde o início, o aplicativo dependeu de seus usuários para evoluir. Em 2011, uma parceria com a KABC News de Los Angeles trouxe alertas em tempo real — naquele momento, havia risco de fechamento de rodovias para obras, e a empresa de notícias e o Waze se uniram para avisar os motoristas. Um ano depois, após o furacão Sandy atingir Nova Jersey e Nova York, usuários começaram a usar uma função chamada ChitChat para identificar postos de combustível disponíveis. O recurso ajudou a Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA. Essa função de comentários em alertas foi desativada em março de 2026 devido ao uso inadequado e spam excessivo.
No Brasil, o Waze ganhou uma versão em português apenas em 2012, apesar de já ter 400 mil usuários no país — 15 mil deles ativos nos horários de pico. Globalmente, 19 milhões de pessoas usavam o aplicativo naquele momento. Uri Levine, um dos responsáveis por diversas tecnologias do app, disse que pretendia alcançar 1 milhão de usuários brasileiros em 2012, objetivo que foi atingido, e 3 milhões em 2013. Ainda em 2012, a empresa começou a exibir anunciantes aos brasileiros com base em sua localização.
Dois anos depois, Rio de Janeiro tinha 500 mil usuários do Waze e São Paulo tinha 1,5 milhão. Naquele mesmo ano, a plataforma lançou o Waze for Cities, um programa criado para ajudar municípios a monitorar congestionamentos, acidentes, interdições e outros problemas nas vias. O programa começou em dez cidades brasileiras. Cinco anos depois, contava com mais de 1 mil parceiros em todo o mundo. A funcionalidade mais recente, lançada no Brasil em julho de 2026, oferece rotas otimizadas especificamente para motociclistas, alertando sobre lombadas, buracos, faixas de pedestres elevadas, fim de acostamento, pontes estreitas e outros perigos específicos dessa forma de deslocamento.
Vinte anos depois de seu lançamento como FreeMap Israel, o Waze agora tem 590 milhões de usuários globais. O que começou como um mapa desenhado por motoristas israelenses se transformou em uma ferramenta de navegação que molda como centenas de milhões de pessoas se deslocam nas cidades. A dinâmica fundamental permanece a mesma: quanto mais pessoas usam, mais dados o aplicativo coleta, e quanto mais dados ele tem, mais útil ele se torna para o próximo usuário.
Citazioni salienti
Uri Levine pretendia alcançar 1 milhão de usuários brasileiros em 2012 e 3 milhões em 2013— Uri Levine, responsável por tecnologias do Waze