Os investidores estavam se escondendo atrás das megacaps
Em meio ao eco de ameaças nucleares russas e à véspera de um resultado corporativo aguardado como evento histórico, Wall Street oscilou entre o medo geopolítico e a ambição tecnológica. Os mercados abriram em queda com a expansão das condições nucleares de Putin, mas recuperaram parte do terreno após declarações de Lavrov sinalizando contenção. O dia encerrou dividido — Nasdaq e S&P 500 em alta, Dow Jones em recuo — como reflexo de uma era em que arsenais nucleares e chips de silício disputam o mesmo espaço na mente dos investidores.
- Putin alargou formalmente as condições para uso do arsenal nuclear russo, derrubando as bolsas logo na abertura e instalando um clima de apreensão real entre os investidores.
- A declaração de Lavrov de que Moscovo evitaria uma guerra nuclear funcionou como válvula de escape, permitindo que os mercados recuperassem e fechassem em terreno misto.
- A Nvidia subiu quase 5% antes mesmo de divulgar resultados, com analistas do Barclays classificando o anúncio como o catalisador mais importante do ano — acima até da reunião do Fed em dezembro.
- A Spirit Airlines colapsou mais de 85% após pedir proteção contra credores, expondo a fragilidade de empresas que acumularam perdas bilionárias desde a pandemia.
- O mercado encerrou o dia suspenso entre dois medos distintos: o da escalada nuclear na Europa e o de ficar de fora dos ganhos tecnológicos que a Nvidia poderia ainda desencadear.
A sessão de terça-feira em Wall Street começou sob sombra: Vladimir Putin havia expandido as condições para o uso do arsenal nuclear russo, o maior do mundo, em resposta a ataques ucranianos. O S&P 500 chegou a cair 0,64% nos primeiros minutos. O alívio veio do ministro Sergei Lavrov, que garantiu que Moscovo faria tudo para evitar uma guerra nuclear — e os mercados respiraram.
Ao fechar, o quadro era dividido. S&P 500 subiu 0,40% para 5.916,98 pontos, o Nasdaq avançou 1,04% para 18.987,47 pontos, mas o Dow Jones recuou 0,28%, encerrando em 43.268,94 pontos. A volatilidade traduzia uma tensão dupla: o peso do conflito na Ucrânia e a antecipação em torno da Nvidia, cujos resultados seriam divulgados na quarta-feira.
A fabricante de semicondutores valorizou 4,89% na sessão, com analistas do Barclays a considerarem o anúncio o catalisador mais relevante do ano. Timothy Chubb, da Girard, observou que os investidores se refugiavam nas megacaps tecnológicas mesmo antes de qualquer confirmação de ganhos. Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft e Apple também fecharam no verde.
Noutros setores, a Walmart subiu 2,96% após elevar pela terceira vez consecutiva as suas previsões anuais — sinal de resiliência no consumo americano. Em sentido oposto, a Spirit Airlines desabou mais de 85% depois de pedir proteção contra credores ao abrigo do capítulo 11, acumulando mais de 2,5 mil milhões de dólares em perdas desde 2020.
A sessão ficou assim suspensa entre dois tipos de medo: o geopolítico, que abriu as bolsas em queda, e o de perder a próxima vaga tecnológica. A resposta dependeria do que a Nvidia revelasse quando os mercados fechassem na quarta-feira.
A terça-feira em Wall Street foi um exercício de equilíbrio precário. Os mercados abriram em queda, assustados pela notícia de que Vladimir Putin havia expandido as condições sob as quais a Rússia poderia usar seu arsenal nuclear — o maior do mundo. O S&P 500 caiu até 0,64% nos primeiros momentos da sessão. Mas conforme o dia avançou, uma declaração do ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, ofereceu algum alívio: Moscovo faria tudo ao seu alcance para evitar uma guerra nuclear. Os mercados respiraram.
Ao fechar, o quadro era misto. O S&P 500 terminou com ganho de 0,40%, chegando a 5.916,98 pontos. O Nasdaq Composite subiu 1,04% para 18.987,47 pontos. Mas o Dow Jones caiu 0,28%, fechando em 43.268,94 pontos. A volatilidade refletia uma tensão subjacente: os investidores estavam genuinamente preocupados com o que acontecia na Ucrânia, mas também estavam posicionados em torno de um evento muito maior que se aproximava.
Esse evento era a apresentação de resultados da Nvidia, marcada para quarta-feira após o fechamento. A empresa de semicondutores subiu 4,89% durante a sessão de terça, refletindo a antecipação. Analistas do Barclays consideravam esses resultados o catalisador mais importante do ano — mais significativo, até, do que a reunião de dezembro do Federal Reserve. Timothy Chubb, diretor de investimentos da Girard, resumiu a dinâmica do dia: os investidores estavam se escondendo atrás das megacaps, particularmente a Nvidia, o que era surpreendente considerando que os ganhos da empresa ainda não tinham sido anunciados. Entre as grandes tecnológicas, a Alphabet subiu 1,57%, a Amazon ganhou 1,44%, a Meta valorizou 1,21%, a Microsoft avançou 0,49% e a Apple registrou ganhos modestos de 0,11%.
Houve movimento em outras partes do mercado. A Walmart valorizou 2,96% depois de aumentar suas previsões anuais de vendas e lucros pela terceira vez consecutiva — um sinal de saúde no varejo americano. Mas a Spirit Airlines desabou mais de 85% após anunciar, na segunda-feira, um pedido de proteção contra credores sob o capítulo 11 no Tribunal de Falências dos EUA para o Distrito Sul de Nova Iorque. A companhia aérea de baixo custo havia perdido mais de 2,5 bilhões de dólares desde o início de 2020 e enfrentava pagamentos de dívidas superiores a um bilhão de dólares apenas no próximo ano.
A sessão, portanto, capturou um mercado dividido entre dois tipos de medo: o medo geopolítico real, que abriu as bolsas em queda, e o medo de perder ganhos em um setor — a tecnologia — que havia impulsionado o mercado durante meses. A questão que pairava era qual desses medos prevaleceria quando a Nvidia finalmente revelasse seus números.
Citações Notáveis
A maior conclusão de hoje é a cautela em torno do que se está a passar na Ucrânia. Em grande parte, os investidores estão a esconder-se por trás de algumas das megacaps.— Timothy Chubb, diretor de investimentos da Girard
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que os mercados abriram em queda se Lavrov já tinha dito que Moscovo evitaria uma guerra nuclear?
Porque o mercado não ouve declarações tranquilizadoras no mesmo instante em que ouve ameaças nucleares. A expansão das condições de Putin chegou primeiro. O alívio chegou depois. Os investidores já tinham vendido.
A Nvidia subiu 4,89% sem ter apresentado resultados ainda. Isso não parece arriscado?
Parece, mas é o que acontece quando um mercado inteiro está apostando em uma empresa. Os ganhos já estão precificados. O risco agora é desapontar.
A Walmart subiu enquanto a Spirit Airlines desabou. O que isso diz sobre a economia?
Que há dois países dentro de um. Um onde as pessoas ainda compram coisas. Outro onde as empresas que dependem de viagens baratas não conseguem sobreviver aos custos.
Os analistas do Barclays disseram que os resultados da Nvidia importam mais do que a reunião do Fed em dezembro. Como isso é possível?
Porque o Fed controla taxas de juros. A Nvidia controla se o mercado inteiro continua acreditando que o futuro vale a pena.
Se a Nvidia desaponta amanhã, o que acontece?
O mercado descobre que estava escondido atrás de uma ilusão. E a geopolítica volta a importar.