Wall Street fecha mista e regista pior dia da Fed desde dezembro

A Fed precisará de ganhar confiança de que a inflação será apenas pontual
O analista Bret Kenwell explica as condições que levariam a Fed a cortar as taxas de juros.
Mark

Porque é que a Fed manter as taxas onde estão é considerado uma má notícia?

Mimi

Porque os investidores tinham construído uma narrativa de que a inflação estava a ceder e que cortes viriam em breve. Quando Powell disse que nada estava decidido, aquela esperança desapareceu.

Mark

Mas o crescimento económico foi forte — 3% no segundo trimestre.

Mimi

Foi, e é por isso que os mercados não caíram mais. O crescimento dá aos investidores uma razão para acreditar que as empresas continuarão a ganhar dinheiro. Mas não é suficiente para convencer a Fed a baixar as taxas.

Mark

O que é que Powell disse exatamente que mudou o sentimento?

Mimi

Que o mercado de trabalho "parece sólido" e que a inflação continua acima da meta. Basicamente, disse que não há urgência em cortar. Para quem esperava alívio, foi desapontante.

Mark

E agora? O que é que os investidores estão à espera?

Mimi

Dados. Mais inflação, mais emprego, mais crescimento — tudo será analisado antes da próxima reunião. Mas também estão à espera dos resultados das grandes tecnológicas. Se os lucros forem bons, talvez consigam ignorar a Fed por enquanto.

Mark

Porque é que agosto e setembro são historicamente piores para o S&P 500?

Mimi

Ninguém sabe ao certo. Pode ser sazonalidade, pode ser que as pessoas estejam menos ativas nos mercados, pode ser que as más notícias se acumulem. Mas é um padrão que se repete há trinta anos.

Mark

A Harley-Davidson subiu 13% apesar de os lucros terem caído?

Mimi

Sim. Porque o mercado viu que a empresa estava a agir — reduzindo produção para se adaptar às tarifas. Às vezes, uma ação decisiva vale mais do que números bons.

  • Os investidores esperavam um sinal de corte de taxas para setembro — Powell não o deu, e o otimismo da sessão evaporou-se em minutos.
  • O S&P 500 e o Dow Jones fecharam no vermelho, num dos piores desempenhos em dia de decisão da Fed desde dezembro, enquanto o Nasdaq resistiu marginalmente com um ganho de 0,15%.
  • Powell sublinhou que a inflação permanece acima dos 2% e o mercado de trabalho está sólido — duas condições que, juntas, retiram urgência a qualquer flexibilização monetária.
  • O PIB norte-americano cresceu 3% no segundo trimestre, impulsionado por uma queda nas importações e pelo consumo privado, oferecendo algum alento num quadro de incerteza.
  • Wall Street entra agora no período historicamente mais fraco do ano — agosto e setembro — com os resultados da Microsoft e da Meta a serem aguardados como próximo teste ao sentimento dos mercados.

A Reserva Federal manteve as taxas de juro inalteradas pela quinta vez consecutiva em 2025, e Wall Street respondeu com uma contenção que revela mais do que qualquer queda abrupta: a esperança adiada tem um custo silencioso. Jerome Powell não abriu portas para setembro, e os mercados — que tinham subido durante a sessão — recuaram ao ouvir as suas palavras, num dos piores desempenhos em dia de decisão da Fed desde dezembro. O momento captura uma tensão permanente entre a paciência das instituições e a impaciência dos mercados.

A Reserva Federal manteve as taxas de juro sem alterações, e Wall Street reagiu como quem recebe más notícias embrulhadas em neutralidade. Os investidores tinham alimentado esperanças de que Jerome Powell sinalizaria cortes para setembro. Não aconteceu. O S&P 500 perdeu 0,12%, o Dow Jones recuou 0,38%, e apenas o Nasdaq terminou em terreno positivo, com um ganho de 0,15%. Foi o pior desempenho num dia de decisão da Fed desde dezembro.

Durante a sessão, os mercados tinham subido. Mas quando Powell falou aos jornalistas, o tom mudou. O presidente do banco central foi direto: nenhuma decisão foi tomada sobre flexibilizar as taxas em setembro. Descreveu o mercado de trabalho como sólido e reiterou que a inflação permanece acima da meta de 2%. Para os investidores, a mensagem era clara — a mudança de rumo não estava iminente, e a Fed completava assim a quinta manutenção consecutiva das taxas este ano.

O contexto macroeconómico oferecia, ainda assim, algum suporte. O PIB norte-americano cresceu 3% no segundo trimestre, uma recuperação expressiva face à contração de 0,5% registada nos primeiros três meses do ano, impulsionada por uma queda abrupta nas importações e pelo consumo privado. Os investidores pareciam apostar num cenário em que o crescimento se manteria robusto e os lucros empresariais continuariam a ser alimentados pelo investimento em inteligência artificial.

Mas havia um aviso no horizonte: o S&P 500 está prestes a entrar nos meses de agosto e setembro, historicamente os mais difíceis do ano. A atenção voltava-se agora para os resultados da Microsoft e da Meta, divulgados após o fecho da sessão. Entre os destaques individuais, a Harley-Davidson subiu mais de 13% apesar de admitir impactos das tarifas, enquanto no setor tecnológico os movimentos foram mistos — a Nvidia ganhou, a Apple perdeu, e o mercado ficou à espera de sinais mais claros sobre o que viria a seguir.

A Reserva Federal manteve as suas taxas de juros onde estavam, e Wall Street reagiu como quem recebe más notícias disfarçadas de neutralidade. Os investidores tinham vindo a alimentar esperanças de que Jerome Powell sinalizaria cortes iminentes na próxima reunião de setembro. Não aconteceu. O S&P 500 caiu 0,12% para 6.362,90 pontos, o Dow Jones recuou 0,38% para 44.461,28 pontos, e apenas o Nasdaq Composite conseguiu terminar o dia em terreno positivo, com um ganho de 0,15% para 21.129,67 pontos. Foi o pior desempenho num dia de decisão da Fed desde dezembro.

Durante a sessão, os mercados tinham subido. Mas quando Powell se dirigiu aos jornalistas após a conclusão da reunião de julho, o tom mudou. O presidente do banco central foi claro: nenhuma decisão tinha sido tomada sobre flexibilizar as taxas em setembro. Descreveu o mercado de trabalho como "sólido" e reiterou que a inflação permanecia acima da meta de 2% que a Fed persegue. Para os investidores, a mensagem era inequívoca — a mudança de rumo na política monetária não estava iminente. A Fed tinha mantido as taxas intactas pela quinta vez consecutiva este ano, sem qualquer movimento até ao momento.

Bret Kenwell, analista da eToro, explicou à Bloomberg o que seria necessário para que a Fed mudasse de curso. A instituição precisaria de ganhar confiança de que qualquer pressão inflacionária seria temporária e isolada, ou que a inflação continuaria numa trajetória descendente nos meses e trimestres seguintes — tudo isto assumindo que o mercado de trabalho não se deteriorasse de forma significativa. Por enquanto, nenhuma destas condições estava claramente satisfeita.

O contexto económico mais amplo oferecia, contudo, algum apoio aos mercados. O produto interno bruto norte-americano tinha crescido 3% no segundo trimestre em termos homólogos, uma recuperação impressionante face à contração de 0,5% registada nos primeiros três meses do ano. Este desempenho foi impulsionado por uma queda abrupta de 18,2% nas importações — pressionadas pelas tarifas impostas pela Casa Branca — e por um aumento no consumo privado, o motor tradicional da economia americana. Os investidores pareciam estar a apostar num cenário em que o crescimento económico se manteria robusto, os lucros das empresas continuariam a ser alimentados pelo investimento em inteligência artificial, e as tarifas provocariam apenas uma inflação "controlável".

Mas havia um aviso no horizonte. O S&P 500 estava prestes a entrar no que tem sido historicamente o seu período mais desafiante do ano. Nos últimos trinta anos, o índice de referência registou o seu pior desempenho nos meses de agosto e setembro, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. A época de apresentação de resultados das grandes empresas estava em curso, e toda a atenção se concentrava agora nas contas da Microsoft e da Meta, que seriam divulgadas após o fecho desta sessão de quarta-feira.

Entre os movimentos individuais, a Harley-Davidson saltou mais de 13%, apesar de ter admitido que as tarifas tinham prejudicado os seus lucros no segundo trimestre, forçando a fabricante de motos a reduzir a produção. No setor tecnológico, a Nvidia ganhou 2,14%, a Alphabet subiu 0,51%, enquanto a Amazon caiu 0,35%, a Microsoft avançou 0,13%, a Meta recuou 0,68% e a Apple perdeu 1,05%. O padrão era misto, refletindo a incerteza que pairava sobre os mercados — nem claramente otimista, nem claramente pessimista, mas à espera de sinais mais claros sobre o que viria a seguir.

Nenhuma decisão foi tomada sobre a flexibilização das taxas diretoras em setembro
— Jerome Powell, presidente da Fed
A Fed vai continuar a depender dos dados para a sua próxima reunião
— Bret Kenwell, analista da eToro
Contattaci Domande frequenti