VR e VA ganham interoperabilidade e podem ser aceitos em mais maquininhas a partir deste sábado

A regra não obriga nenhum estabelecimento a aceitar os benefícios
A interoperabilidade vale apenas para comércios já habilitados a processar vale-refeição e vale-alimentação.
Mark

O que muda de concreto para quem recebe o vale hoje?

Mimi

A partir de 7 de novembro, o cartão de uma operadora deve funcionar em qualquer maquininha habilitada, sem depender de contrato específico com a bandeira. O valor do benefício, porém, não muda.

Mark

Então todo restaurante vai aceitar?

Mimi

Não. A regra vale só para estabelecimentos habilitados a processar esses pagamentos, e o comércio também precisa aceitar o cartão apresentado.

Luke

Vale separar o que está em lei do que está na prática. A data de entrada em vigor está prevista, mas a Abrasel diz que os sistemas ainda não estão integrados. Essa é a avaliação de uma entidade, não uma medição da rede.

Mark

E os comerciantes, ganham algo?

Mimi

Ganham tetos: 3,6% de taxa, até 2% de intercâmbio e repasse em até 15 dias corridos. Antes, os prazos podiam passar de 30 dias.

Luke

Mas isso vale para benefícios do PAT. A Abrasel afirma que parte das empresas migrou para o auxílio-alimentação, que não tem esses limites. O texto diz que a entidade afirma, e não traz número de quantas empresas fizeram isso.

Mark

E a Justiça?

Mimi

Operadoras contestam o decreto. Algumas conseguiram liminares, depois derrubadas.

Luke

Ou seja, o litígio continua e não sabemos o desfecho. Também não se sabe quando a integração técnica estará completa.

  • Cartões de Alelo, Ticket, VR, Pluxee, Flash e Swile passam a ser aceitos em qualquer maquininha habilitada, sem exigir equipamento específico para cada bandeira.
  • Restaurantes e comércios ganham teto de 3,6% na taxa cobrada pelas operadoras e um prazo máximo de 15 dias corridos para receber o repasse.
  • A Abrasel alerta que os canais de processamento de vales ainda não funcionam plenamente, o que dificulta a identificação dos benefícios e a conciliação financeira.
  • Operadoras recorrem à Justiça contra os limites tarifários, e liminares que suspenderam partes do decreto acabaram derrubadas.
  • Empresas podem migrar pagamentos para o auxílio-alimentação, modalidade fora dos novos limites, o que pode esvaziar o alcance da regra.

A partir de 7 de novembro, a convivência entre cartões de vale-refeição e vale-alimentação de operadoras diferentes ganha forma concreta no Brasil, como um passo a mais numa história antiga: a de transformar um benefício criado em 1976 em algo que realmente chegue à mesa do trabalhador. A mudança nasce de um decreto que reorganiza o Programa de Alimentação do Trabalhador, aproxima os sistemas de pagamento e tenta equilibrar os custos de quem vende com a necessidade de quem compra. Mas a promessa convive com sistemas que ainda não conversam plenamente entre si e com disputas judiciais que mantêm a história em aberto.

A partir deste sábado (7), quem paga a conta com vale-refeição ou vale-alimentação deve encontrar menos portas fechadas. Entra em vigor de forma integral a interoperabilidade: cartões de diferentes operadoras passam a funcionar em qualquer maquininha habilitada para esse tipo de pagamento, desde que o estabelecimento aceite o cartão apresentado.

A mudança vem de um decreto que atualizou o Programa de Alimentação do Trabalhador. A transição começou em maio e chega ao fim em novembro, quando o decreto completa um ano. A regra não obriga ninguém a aceitar os benefícios, nem altera o valor recebido pelo trabalhador, e o dinheiro continua restrito à alimentação.

Para os comerciantes, o decreto traz um alívio desenhado para estimular a concorrência: taxa máxima de 3,6% e repasse em até 15 dias corridos, num cenário em que antes os prazos podiam passar de 30 dias.

O caminho, porém, é irregular. A Abrasel diz que os sistemas das empresas ainda não estão totalmente integrados, e que a distinção entre benefícios do PAT e o auxílio-alimentação trabalhista já complica a conciliação. Operadoras contestam o decreto na Justiça, e a associação das empresas de benefícios teme que a abertura dificulte a fiscalização.

Para o trabalhador, a expectativa é de mais opções na hora de pagar. Quanto dessa promessa chegará de fato ao caixa dependerá da conclusão da integração entre operadoras e fabricantes de maquininhas.

A partir deste sábado (7), o trabalhador que pagar a conta com cartão de vale-refeição ou vale-alimentação deveria encontrar menos portas fechadas. É quando entra em vigor, de forma integral, a interoperabilidade: cartões de diferentes operadoras passam a ser aceitos em qualquer maquininha habilitada para processar esse tipo de pagamento, desde que o estabelecimento também aceite o cartão apresentado.

A mudança vem do decreto que atualizou o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A transição começou em maio e se estende até novembro, quando a assinatura do decreto completa um ano. Estão entre os cartões abrangidos os de Alelo, Ticket, VR Benefícios, Pluxee, Flash e Swile, conforme o enquadramento de cada um no programa. Na prática, a regra dispensa contratos ou equipamentos específicos para cada bandeira e pretende ampliar o uso do benefício em restaurantes, supermercados e outros comércios de alimentação.

Há limites claros no que muda. A regra não obriga nenhum estabelecimento a aceitar os benefícios: vale apenas para os que já estão habilitados a processar essas transações. E o valor recebido pelo trabalhador não muda, já que as novas regras não determinam aumento nem redução automática do que as empresas pagam. O dinheiro segue destinado exclusivamente à alimentação, com o vale-refeição usado para refeições prontas e o vale-alimentação para compra de alimentos.

O decreto também mexeu no bolso dos comerciantes. Ficou estabelecida taxa máxima de 3,6% para a cobrança das operadoras sobre transações com benefícios vinculados ao PAT, além de tarifa de intercâmbio de até 2% nas operações entre participantes do sistema. O repasse dos valores das vendas passou a ter prazo máximo de 15 dias corridos. Antes, os comerciantes reclamavam de taxas elevadas e de prazos que podiam passar de 30 dias. O objetivo do governo é estimular a concorrência no setor e facilitar a aceitação dos vales pelo comércio.

A aplicação, porém, enfrenta obstáculos. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirma que os sistemas das empresas ainda não estão totalmente integrados e vê dificuldade para o funcionamento no prazo previsto. Segundo a entidade, o canal específico para processar transações com vales ainda não opera plenamente, e a falta de integração pode atrapalhar a identificação das modalidades de benefício usadas pelos clientes e o controle financeiro dos estabelecimentos.

Outro ponto de atrito é que as regras valem para benefícios ligados ao PAT, criado em 1976, e não para o auxílio-alimentação previsto na legislação trabalhista. Segundo a Abrasel, essa distinção já causa dificuldade na identificação das transações e na conciliação financeira. A entidade diz ainda que parte das empresas teria migrado operações para o auxílio-alimentação depois da regulamentação, modalidade que não se submete aos mesmos limites de taxas e prazos.

No campo jurídico, operadoras questionam pontos do decreto na Justiça, contestando os limites tarifários e a imposição de mudanças estruturais por decreto. Algumas obtiveram decisões provisórias que suspenderam parte das exigências, mas as liminares foram depois derrubadas. A Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) também manifestou preocupação com o modelo de arranjo aberto, argumentando que a ampliação da aceitação pode dificultar o controle e a fiscalização dos estabelecimentos credenciados.

O descumprimento das regras do PAT pode render multas, autuações, descredenciamento do programa e cobrança de benefícios fiscais anteriormente usados, quando cabível, atingindo operadoras, empresas participantes e comércios. Para o trabalhador, a expectativa é de mais opções, mas a disponibilidade real dependerá de as operadoras e as empresas de maquininhas concluírem a integração de seus sistemas.

Os sistemas das empresas ainda não estão totalmente integrados, o que dificulta o funcionamento da medida no prazo previsto.
— Abrasel (paráfrase)
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