Vorcaro usava grupo de WhatsApp para vigilância e intimidação de adversários, aponta PF

Indivíduos foram alvo de vigilância, monitoramento presencial, pressão e intimidação por críticas ao banco ou participação em investigações.
Monitoramento presencial e ações destinadas a pressionar ou intimidar
Descrição das atividades do grupo "A Turma" contra críticos e investigadores do Banco Master.
Mark

Por que um banqueiro precisaria de um grupo de WhatsApp secreto para monitorar pessoas? Não havia canais legais?

Mimi

Porque as pessoas que ele queria monitorar eram investigadores, críticos e pessoas que poderiam expor o esquema. Canais legais deixariam rastro. Um grupo informal permite negação plausível.

Mark

E como alguém consegue acessar sistemas restritos para coletar dados pessoais? Isso não deixa registro?

Mimi

Deixa, mas dentro de uma instituição financeira grande, com muitos funcionários, é possível que alguns colaborem. O acesso fica registrado, mas se ninguém está investigando especificamente aquilo, passa despercebido até que a PF começa a olhar.

Mark

A intimidação — como funciona na prática? Alguém aparecia na porta da casa de um crítico?

Mimi

Monitoramento presencial significa exatamente isso. Você sabe que está sendo seguido. Você sabe que sabem onde você está. É uma forma de comunicar: estamos de olho em você. Funciona sem precisar de ameaças explícitas.

Mark

Vorcaro sabia disso tudo? Ou era Mourão agindo por conta própria?

Mimi

A decisão do ministro deixa claro que Mourão "mantinha relação direta de prestação de serviços com Vorcaro". Não era freelancer. Era estrutura montada para servir aos interesses de Vorcaro e do banco.

Mark

E os investigadores — como descobriram tudo isso?

Mimi

Provavelmente através de comunicações interceptadas, análise de registros de acesso a sistemas, depoimentos de pessoas que participaram ou sofreram a vigilância. Quando você começa a investigar fraude financeira, acaba encontrando essas camadas de proteção que as pessoas construíram.

  • O STF autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, resultando em novas prisões, incluindo a do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
  • Um grupo de WhatsApp chamado 'A Turma', coordenado por um homem apelidado de 'Sicário', operava como estrutura clandestina de monitoramento e coerção contra críticos do banco.
  • Integrantes do esquema acessavam sistemas restritos ilegalmente para coletar dados sigilosos de pessoas ligadas a investigações ou que faziam críticas públicas ao banco.
  • A vigilância não era passiva: equipes realizavam monitoramento presencial e ações deliberadas de intimidação contra indivíduos considerados ameaças ao grupo.
  • A investigação agora abrange fraude financeira bilionária, lavagem de dinheiro, corrupção e suspeitas de interferência ativa nas próprias investigações do Estado.

No interior de uma das maiores investigações financeiras do Brasil, emerge um retrato perturbador do poder que se protege a si mesmo: um grupo de mensagens chamado 'A Turma' funcionava como instrumento de vigilância, pressão e intimidação contra críticos e investigadores do Banco Master. A terceira fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo STF, revela que Daniel Vorcaro não apenas teria orquestrado fraudes bilionárias, mas também teria construído uma estrutura paralela para silenciar quem ousasse questionar seu conglomerado. É o momento em que a lei e o poder se encontram — e o desfecho ainda está por ser escrito.

Um grupo de WhatsApp chamado 'A Turma' escondia, por trás de um nome informal, uma estrutura sofisticada de vigilância e intimidação a serviço do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro. A revelação veio na decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero — a mesma que levou Vorcaro novamente à prisão.

No centro dessa estrutura estava Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como 'Felipe Mourão' e apelidado de 'Sicário'. Segundo a Polícia Federal, ele coordenava o monitoramento de pessoas, a coleta de informações sensíveis e a neutralização de situações consideradas problemáticas para o grupo. Mantinha relação direta com Vorcaro e executava tarefas que incluíam acesso a sistemas restritos e acompanhamento presencial de indivíduos.

Os alvos eram pessoas ligadas a investigações contra o banco ou que faziam críticas públicas ao conglomerado. A vigilância ia além do digital: equipes eram mobilizadas para monitoramento físico, e as informações coletadas eram repassadas aos responsáveis pelas decisões estratégicas. Mais do que observar, o grupo agia para pressionar e intimidar — um esquema coordenado de coerção contra críticos e investigadores.

A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário que atravessa três fases: a venda de carteiras de crédito sem lastro, o uso de fundos de investimento para circular recursos e adquirir ativos problemáticos, e agora esta terceira etapa, que aprofunda as suspeitas de obstrução da justiça. Os crimes investigados incluem gestão fraudulenta, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa — com indícios de que a vigilância e a intimidação faziam parte de uma estratégia mais ampla para interferir nas próprias investigações do Estado.

Um grupo de WhatsApp chamado "A Turma" funcionava como estrutura de vigilância e intimidação a serviço de Daniel Vorcaro e seu Banco Master. A revelação surgiu na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que na quarta-feira autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero — a mesma decisão que levou novamente à prisão do ex-banqueiro e de outros investigados.

O grupo era coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido nas comunicações como "Felipe Mourão" e apelidado de "Sicário". Segundo a Polícia Federal, Mourão ocupava posição central nessa estrutura, responsável por organizar atividades de monitoramento de pessoas, coleta de informações sensíveis e neutralização do que o grupo considerava situações problemáticas. Ele mantinha relação direta de prestação de serviços com Vorcaro, executando tarefas voltadas à obtenção de dados sigilosos e acompanhamento de indivíduos.

Os alvos dessa vigilância eram pessoas que mantinham relação com investigações contra o banco ou que faziam críticas públicas às atividades do conglomerado financeiro. A operação incluía identificação, localização e monitoramento contínuo desses indivíduos. Integrantes da estrutura realizavam consultas em sistemas restritos — acessos que não deveriam ter — e buscavam dados pessoais e institucionais de pessoas consideradas relevantes para os interesses do grupo. Essas informações eram depois compartilhadas com os responsáveis pelas decisões estratégicas.

Mas a vigilância não era apenas passiva. A investigação aponta que o grupo atuava para pressionar e intimidar pessoas que se posicionassem de forma crítica em relação ao banco ou a seus dirigentes. As atividades incluíam mobilização de equipes para monitoramento presencial e coleta de informações, além de ações destinadas especificamente a pressionar ou intimidar esses indivíduos. Trata-se de um esquema coordenado de coerção contra críticos e investigadores.

A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro. A primeira fase, deflagrada em novembro de 2025, focou na venda de carteiras de crédito sem lastro a outras instituições. A segunda, em janeiro deste ano, ampliou o escopo para o uso de fundos de investimento ligados à gestora Reag, que teriam circulado recursos e adquirido ativos problemáticos. A terceira fase, agora autorizada, traz novas prisões e medidas cautelares.

Os crimes sob investigação incluem gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Polícia Federal também apura suspeitas de que o esquema utilizou estruturas do mercado financeiro para captar recursos e movimentar ativos de alto risco ou baixa liquidez, operações que teriam servido para ocultar prejuízos e desviar recursos. Há ainda indicações de interlocução com servidores públicos e tentativas de interferir nas próprias investigações — sugerindo que a vigilância e intimidação não eram apenas táticas internas, mas parte de uma estratégia mais ampla de obstrução da justiça.

Mourão mantinha relação direta de prestação de serviços com Daniel Bueno Vorcaro, atuando como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis
— Ministro André Mendonça, STF
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