Volume de títulos isentos é "completamente absurdo", diz André Esteves do BTG

O volume de títulos isentos no Brasil é completamente absurdo
Crítica feita por Esteves, que é simultaneamente detentor e emissor desses mesmos títulos.
Mark

Quando Esteves diz que o ajuste fiscal é "fácil de fazer", ele está sendo realista ou otimista demais?

Mimi

Ele está falando de uma perspectiva técnica — três ou quatro medidas bem identificadas. O que é fácil em teoria pode ser politicamente impossível na prática, especialmente em um ano eleitoral.

Luke

Exatamente. Ele diz que há clima no Congresso para aprovar essas medidas, mas não diz quais são. Sem saber o que são as medidas, é difícil avaliar se é realmente fácil ou se é apenas confiança de quem tem poder de mercado.

Mark

E quanto à crítica dele aos títulos isentos? Ele lucra com eles, certo?

Mimi

Sim, ele é detentor e emissor. Então quando diz que é "completamente absurdo", está criticando um sistema do qual ele se beneficia. Isso pode ser sinceridade ou pode ser uma forma de parecer acima da disputa.

Luke

A questão é: se é tão absurdo, por que ele continua emitindo? A resposta provavelmente é que é lucrativo. Então a crítica é válida, mas incompleta — ele está dizendo que o sistema está errado enquanto continua operando dentro dele.

Mark

Ele parece mais preocupado com a instituição do que com a economia. Por quê?

Mimi

Porque a economia, na visão dele, tem solução técnica clara. A instituição é mais nebulosa — é sobre como o Estado funciona, sobre corrupção, sobre informalidade crescente em setores regulados.

Luke

Mas ele não dá exemplos concretos. Fala de um segmento que virou 20% informal, de empresas criando rombos de bilhões, mas não nomeia nada. É preocupação legítima ou é vagueza estratégica?

Mark

E a questão dos juros? Ele acha que reduzir de 14% para 7% é possível?

Mimi

Ele acha que é possível e que teria impacto maior que qualquer programa social. É uma visão que prioriza estabilidade macroeconômica sobre redistribuição.

Luke

Mas reduzir juros depende de inflação, de confiança do mercado, de muitas variáveis que não estão sob controle de um presidente. Ele está falando como se fosse uma escolha de política pública simples, quando na verdade é muito mais complexo.

  • Esteves declarou que o volume de títulos isentos no Brasil é 'completamente absurdo' — e a ironia pesa: ele mesmo os detém e os emite.
  • O crescimento dos gastos públicos em ritmo insustentável cria uma urgência que, segundo o executivo, já não é mais debatida entre economistas sérios — é consenso.
  • A taxa de juros de 14% ao ano sufoca empresas e cidadãos; reduzí-la à metade, diz Esteves, teria impacto social maior do que qualquer política de governo.
  • A preocupação mais grave não é fiscal: setores regulados tornando-se 20% informais e empresas inexpressivas gerando rombos bilionários sinalizam uma crise institucional silenciosa.
  • Com a eleição em empate técnico de 51% a 49%, Esteves vê o 'Brasil institucional' como a aposta mais arriscada — e a que não se pode perder.

Em um evento da Esfera Brasil, André Esteves, presidente do BTG Pactual, colocou o debate fiscal brasileiro em terreno que transcende partidos: equilibrar as contas públicas não é ideologia, é responsabilidade coletiva. O executivo, ele próprio beneficiário dos títulos isentos que critica, apontou que juros civilizatórios — e não programas pontuais — seriam a maior alavanca de transformação social do país. Por trás do diagnóstico econômico, porém, havia uma preocupação mais profunda: a fragilidade das instituições brasileiras, que Esteves via como a batalha verdadeiramente decisiva.

André Esteves subiu ao palco de um evento da Esfera Brasil para dizer algo que soaria banal se não viesse do presidente do BTG Pactual: o ajuste fiscal não é pauta de direita nem de esquerda, mas uma obrigação com a sociedade brasileira. Em um momento de polarização aguda, quando cada medida econômica é lida por lentes ideológicas, o executivo insistiu que o diagnóstico já está consolidado entre economistas sérios — não há mais debate teórico a fazer.

A lógica, para ele, é elementar: gastar mais do que se arrecada vira problema. O Brasil, disse, cresceu seus gastos em ritmo insustentável, e há cerca de cinquenta economistas no país capazes de identificar as três ou quatro medidas necessárias para corrigir o rumo. Quando pressionado sobre se o ajuste viria pelo corte de despesas ou pelo aumento de receitas, Esteves respondeu que é preciso mexer nos dois lados — e foi na receita que disparou a frase mais contundente: o volume de títulos isentos no Brasil é 'completamente absurdo'. A ironia não passou despercebida: ele próprio é detentor e emissor desses ativos. Ainda assim, reconheceu que está errado.

Mas o coração do argumento de Esteves estava nos juros. Com a taxa em torno de 14% ao ano em setembro de 2026, o executivo defendeu que reduzí-la a 7% — algo que considera 'perfeitamente possível' — representaria uma virada de patamar com impacto imenso na vida dos brasileiros, superior ao de qualquer programa social ou investimento pontual. Juros civilizatórios, na sua linguagem, eram a chave que o país ainda não havia encontrado.

Sobre o cenário político, Esteves descartou tanto o 'tesouraço' quanto o 'bisturi' nos gastos, independentemente de quem vencesse a eleição. Bastava aumentar a eficiência do gasto público, e ele acreditava haver clima no Congresso para isso. A disputa, segundo suas pesquisas, caminhava para um 51% a 49% — margem tão fina que qualquer variável poderia decidir o resultado.

A preocupação mais grave, porém, não era econômica. Esteves virou a conversa para o que chamou de batalha institucional: como explicar um setor regulado que de repente se torna 20% informal? Como entender empresas inexpressivas gerando rombos de dezenas de bilhões? Sem entrar em detalhes, a mensagem era clara — havia algo estruturalmente comprometido no país. Se essa guerra fosse perdida, alertou, o Brasil terminaria em algum lugar entre México e Rússia. 'Nós não estamos ali. Somos melhores do que isso.'

André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual, subiu ao palco de um evento promovido pela Esfera Brasil na segunda-feira para fazer uma afirmação que soaria simples se não viesse de quem vinha: o equilíbrio fiscal não é questão de direita ou esquerda, mas uma responsabilidade com a sociedade. O executivo, que comanda um dos maiores bancos de investimento do país, falava em um momento de disputa política acirrada, quando toda medida econômica tende a ser lida através de lentes ideológicas. Mas Esteves insistiu que a necessidade de consertar as contas públicas já é algo consolidado entre economistas sérios — não é mais matéria de debate teórico.

O ajuste, segundo ele, é "fácil de fazer". A lógica é elementar: se você gasta mais do que ganha, isso vira problema. O Brasil cresceu seus gastos públicos em ritmo que Esteves qualificou como insustentável, e há, em sua avaliação, cerca de cinquenta economistas no país qualificados o bastante para identificar as três ou quatro medidas necessárias. Quando questionado se o ajuste viria pela redução de despesas ou pelo aumento de receitas — uma pergunta que pressupunha uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva — Esteves respondeu que é preciso mexer nos dois lados. Mas foi na receita que ele soltou a frase mais contundente da tarde: o volume de títulos isentos no Brasil é "completamente absurdo". A ironia não passou despercebida. Esteves é, simultaneamente, detentor e emissor desses mesmos títulos. Ainda assim, disse, está errado.

Mas o foco de Esteves não era apenas o fiscal. Ele voltou repetidamente para a questão dos juros, que em setembro de 2026 permaneciam em torno de 14% ao ano. Essa taxa, em sua visão, é sufocante para qualquer empresa — inclusive para os bancos. Ele argumentou que o Brasil não está condenado a viver com juros altos por ser brasileiro, e que reduzir essa taxa para 7%, algo que ele considera "perfeitamente possível", representaria uma mudança de patamar com impacto imenso na sociedade. Mais impacto, disse, do que qualquer programa social ou política de governo, mais do que aumentar investimentos pontuais. Juros civilizatórios, na sua linguagem, eram a chave.

Quando perguntado se esperava um "tesouraço" ou um "bisturi" nos gastos em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, Esteves descartou ambas as opções. Não era necessário corte drástico nem cirúrgico — bastava aumentar a eficiência do gasto público. Sua confiança de que o ajuste fiscal era politicamente viável também era notável. Ele acreditava que havia clima no Congresso para aprovar as medidas necessárias, que o próprio Lula ou Bolsonaro — ele mencionou ambos — reconheceriam a necessidade.

Mas havia uma guerra que o preocupava muito mais. Esteves virou a conversa para o que chamou de aspecto institucional. Enquanto a batalha econômica estava, em sua visão, ficando mais fácil, a institucional era a que não se podia perder. Ele lançou perguntas retóricas que sugeriam problemas graves: como explicar um segmento regulado da economia que de repente se torna 20% informal? Como entender empresas inexpressivas criando rombos de dezenas de bilhões? Não entrou em detalhes, mas a mensagem era clara — havia algo podre na estrutura do país que ia além de números fiscais.

Para Esteves, a guerra para salvar o "Brasil institucional" não estava vencida. Se perdessem essa batalha, disse, o país terminaria em algum lugar entre México e Rússia. "Nós não estamos ali. Somos melhores do que isso." Era um apelo que misturava pragmatismo econômico com uma espécie de patrimonialismo — a ideia de que o Brasil tinha um patamar que deveria manter.

Sobre a eleição em si, Esteves observou que as pesquisas apontavam para um empate técnico. "A eleição vai ser 51% a 49%, a gente só não sabe para quem." Vários fatores poderiam influenciar o segundo turno, incluindo os resultados nas disputas de governador no primeiro turno, que afetam a participação eleitoral. Naquele momento, segundo sua leitura, o chamado "likely voter" — quem de fato compareceria às urnas — parecia ligeiramente favorável à direita. Mas era margem tão fina que qualquer coisa podia mudar.

Se você gasta mais do que ganha, isso vai virar um problema. A direção é clara. Com um grau de crescimento que tivemos no gasto público, está fácil de fazer.
— André Esteves, presidente do BTG Pactual
Se levar o juro de 14% para 7%, o que é perfeitamente possível, isso é uma mudança de patamar que tem enorme impacto na sociedade. Vale muito mais do que qualquer programa social.
— André Esteves
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