VIX Brasil renova máxima histórica em 32,77 pontos na véspera das eleições

Mercado totalmente reativo ao trade eleitoral
Especialista descreve como investidores se posicionam em torno das incertezas políticas antes do voto.
Mark

Por que o VIX Brasil atingiu máxima histórica justamente na véspera das eleições? Isso era inevitável?

Mimi

Não era inevitável, mas fazia sentido. Eleições presidenciais criam incerteza genuína sobre políticas econômicas futuras, e investidores precificam essa incerteza. O VIX mede a volatilidade esperada nos próximos 30 dias — e 30 dias é exatamente o horizonte que abrange o segundo turno, se houver.

Luke

Mas espera. O Ibovespa subiu 4,71% na semana enquanto o VIX disparava. Como isso é possível? Medo e ganhos simultâneos?

Mimi

Porque o medo não é a mesma coisa que queda. O VIX mede a expectativa de movimento — para cima ou para baixo. Neste caso, investidores estavam confiantes de que haveria uma alternância de poder, o que muitos veem como positivo para o mercado.

Mark

Então o recorde do VIX não foi um sinal de pânico, mas de incerteza com oportunidade?

Mimi

Exatamente. A B3 mesma diz que níveis acima de 30 indicam "maior turbulência e incerteza, marcados por movimentos mais expressivos". Movimentos expressivos podem ser para cima.

Luke

Mas quem está certo aqui? O medo ou o otimismo? Porque um deles vai estar errado em breve.

Mimi

Ambos podem estar certos sobre coisas diferentes. O medo sobre volatilidade futura é um fato — o mercado vai se mover. O otimismo sobre direção é uma aposta — e apostas podem errar.

Mark

O que muda depois das eleições?

Mimi

Tudo. Se a incerteza se resolver em uma direção clara, o VIX provavelmente cai. Se o resultado for inesperado ou contestado, pode subir ainda mais.

  • O 'termômetro do medo' brasileiro bateu recorde histórico pela segunda vez consecutiva, sinalizando que os investidores antecipavam turbulências expressivas para o período eleitoral.
  • A volatilidade foi visceral: o Ibovespa subiu, zerou ganhos, mergulhou no campo negativo e se recuperou — tudo em um único pregão de R$ 31 bilhões movimentados.
  • Gestores e analistas montaram o chamado 'trade eleitoral', apostando em uma disputa acirrada no primeiro turno e na possibilidade de alternância de poder como catalisador de alta.
  • Ventos externos favoráveis — dados fracos do mercado de trabalho americano — ampliaram o apetite por ativos emergentes, dando combustível adicional à bolsa brasileira.
  • O paradoxo se consolidou: VIX em máxima histórica e Ibovespa acima dos 192 mil pontos no mesmo dia, com o índice acumulando alta de 4,71% na semana e 19% no ano.

Na véspera de eleições presidenciais, o mercado financeiro brasileiro revelou sua natureza dual: o VIX Brasil atingiu seu maior patamar histórico, 32,77 pontos, enquanto o Ibovespa avançava para máximas recentes. É um momento que recorda como a incerteza e a oportunidade habitam o mesmo instante — o medo e a esperança, inseparáveis, movendo capitais em direções opostas e complementares.

Na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais, o VIX Brasil — indicador que mede a volatilidade esperada a partir das opções sobre o Ibovespa — fechou em 32,77 pontos, seu maior nível desde a criação do índice em março de 2024. Era o segundo recorde consecutivo em dois dias. A B3 considera leituras acima de 30 pontos como sinal de turbulência real, quando os preços dos ativos podem oscilar com força em qualquer direção.

Mas o pregão guardava um paradoxo. Ao mesmo tempo em que o índice do medo disparava, o Ibovespa subia e ultrapassava os 192 mil pontos, seu melhor nível em meses. A sessão foi agitada — o índice subiu, zerou ganhos, caiu para o campo negativo e se recuperou à tarde —, com R$ 31 bilhões movimentados. Daniel Teles, da Valor Investimentos, descreveu um mercado dominado pelo 'trade eleitoral': operações montadas em torno da expectativa de um primeiro turno acirrado e de uma possível alternância de poder.

O otimismo também tinha origem externa. Dados mais fracos do mercado de trabalho americano criaram um ambiente favorável à tomada de risco, beneficiando ativos de mercados emergentes. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 4,71%, e no ano o avanço chegava a 19%. O contraste era emblemático: máxima histórica de medo e máxima recente de otimismo coexistindo no mesmo pregão, como se a incerteza eleitoral fosse, ao mesmo tempo, ameaça e convite.

Na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais, o termômetro do medo brasileiro atingiu seu pico histórico. O VIX Brasil — o indicador que mede a volatilidade esperada nos próximos 30 dias a partir das opções sobre o Ibovespa — fechou a sexta-feira, 2 de outubro, em 32,77 pontos. Era o segundo recorde consecutivo. Na quinta-feira anterior, havia marcado 32,39 pontos. Desde sua criação em 19 de março de 2024, o índice nunca havia subido tão alto.

O VIX Brasil funciona como um espelho da percepção de risco dos investidores. Quanto mais alto, mais medo circula nos mercados. A B3, que o calcula, observa que leituras acima de 30 pontos sinalizam turbulência real — momentos em que os preços dos ativos podem oscilar com força em qualquer direção. Gestores de carteira e analistas acompanham o índice com atenção especial em períodos de incerteza política ou econômica, usando-o como ferramenta para proteger seus investimentos e gerenciar riscos.

Mas havia um paradoxo no ar naquele pregão. Enquanto o VIX Brasil disparava para seu recorde, o Ibovespa subia. Os investidores, aparentemente confiantes de que o primeiro turno seria acirrado e que isso poderia trazer uma alternância de poder, aproveitaram a oportunidade para se posicionar. O índice principal da bolsa brasileira ultrapassou a marca dos 192 mil pontos, atingindo 192.114,55 — seu melhor nível desde 17 de abril. O giro financeiro foi robusto: R$ 31 bilhões movimentados no dia.

A volatilidade, porém, foi intensa. Pela manhã, o Ibovespa havia subido cerca de 1,8%. Depois zerou os ganhos, caiu para o campo negativo e, enfim, recuperou-se durante a tarde. Daniel Teles, sócio e especialista da Valor Investimentos, descreveu um mercado totalmente reativo ao que chamou de "trade eleitoral" — operações montadas especificamente em torno das incertezas e oportunidades da eleição. "O que eu vejo é o mercado confiante com um primeiro turno bem acirrado e aproveitando essa janela para se posicionar antes das eleições", disse.

O otimismo também recebia combustível de fora. Nos Estados Unidos, dados mais fracos do mercado de trabalho haviam criado um ambiente mais propenso à tomada de risco. Isso beneficiou ativos de mercados emergentes, incluindo as grandes ações da bolsa brasileira. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 4,71%. No ano, o avanço chegava a 19%.

O contraste era notável: máxima histórica de medo e máxima recente de otimismo, tudo no mesmo pregão. O VIX Brasil em 32,77 pontos dizia que os investidores esperavam movimentos bruscos. O Ibovespa em alta dizia que, apesar disso — ou talvez por causa disso — havia oportunidades a serem aproveitadas antes do resultado das urnas.

Níveis acima de 30 pontos são geralmente associados a cenários de maior turbulência e incerteza, marcados por movimentos mais expressivos nos preços dos ativos
— B3
É um mercado totalmente reativo ao trade eleitoral. O que eu vejo é o mercado confiante com um primeiro turno bem acirrado e aproveitando essa janela para se posicionar antes das eleições
— Daniel Teles, sócio e especialista da Valor Investimentos
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