Na véspera de eleições presidenciais, o mercado financeiro brasileiro revelou sua natureza dual: o VIX Brasil atingiu seu maior patamar histórico, 32,77 pontos, enquanto o Ibovespa avançava para máximas recentes. É um momento que recorda como a incerteza e a oportunidade habitam o mesmo instante — o medo e a esperança, inseparáveis, movendo capitais em direções opostas e complementares.
VIX Brasil renova máxima histórica em 32,77 pontos na véspera das eleições
Mercado totalmente reativo ao trade eleitoral
Por que o VIX Brasil atingiu máxima histórica justamente na véspera das eleições? Isso era inevitável?
Não era inevitável, mas fazia sentido. Eleições presidenciais criam incerteza genuína sobre políticas econômicas futuras, e investidores precificam essa incerteza. O VIX mede a volatilidade esperada nos próximos 30 dias — e 30 dias é exatamente o horizonte que abrange o segundo turno, se houver.
Mas espera. O Ibovespa subiu 4,71% na semana enquanto o VIX disparava. Como isso é possível? Medo e ganhos simultâneos?
Porque o medo não é a mesma coisa que queda. O VIX mede a expectativa de movimento — para cima ou para baixo. Neste caso, investidores estavam confiantes de que haveria uma alternância de poder, o que muitos veem como positivo para o mercado.
Então o recorde do VIX não foi um sinal de pânico, mas de incerteza com oportunidade?
Exatamente. A B3 mesma diz que níveis acima de 30 indicam "maior turbulência e incerteza, marcados por movimentos mais expressivos". Movimentos expressivos podem ser para cima.
Mas quem está certo aqui? O medo ou o otimismo? Porque um deles vai estar errado em breve.
Ambos podem estar certos sobre coisas diferentes. O medo sobre volatilidade futura é um fato — o mercado vai se mover. O otimismo sobre direção é uma aposta — e apostas podem errar.
O que muda depois das eleições?
Tudo. Se a incerteza se resolver em uma direção clara, o VIX provavelmente cai. Se o resultado for inesperado ou contestado, pode subir ainda mais.
El Pulso
- O 'termômetro do medo' brasileiro bateu recorde histórico pela segunda vez consecutiva, sinalizando que os investidores antecipavam turbulências expressivas para o período eleitoral.
- A volatilidade foi visceral: o Ibovespa subiu, zerou ganhos, mergulhou no campo negativo e se recuperou — tudo em um único pregão de R$ 31 bilhões movimentados.
- Gestores e analistas montaram o chamado 'trade eleitoral', apostando em uma disputa acirrada no primeiro turno e na possibilidade de alternância de poder como catalisador de alta.
- Ventos externos favoráveis — dados fracos do mercado de trabalho americano — ampliaram o apetite por ativos emergentes, dando combustível adicional à bolsa brasileira.
- O paradoxo se consolidou: VIX em máxima histórica e Ibovespa acima dos 192 mil pontos no mesmo dia, com o índice acumulando alta de 4,71% na semana e 19% no ano.
Na véspera de eleições presidenciais, o mercado financeiro brasileiro revelou sua natureza dual: o VIX Brasil atingiu seu maior patamar histórico, 32,77 pontos, enquanto o Ibovespa avançava para máximas recentes. É um momento que recorda como a incerteza e a oportunidade habitam o mesmo instante — o medo e a esperança, inseparáveis, movendo capitais em direções opostas e complementares.
Na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais, o VIX Brasil — indicador que mede a volatilidade esperada a partir das opções sobre o Ibovespa — fechou em 32,77 pontos, seu maior nível desde a criação do índice em março de 2024. Era o segundo recorde consecutivo em dois dias. A B3 considera leituras acima de 30 pontos como sinal de turbulência real, quando os preços dos ativos podem oscilar com força em qualquer direção.
Mas o pregão guardava um paradoxo. Ao mesmo tempo em que o índice do medo disparava, o Ibovespa subia e ultrapassava os 192 mil pontos, seu melhor nível em meses. A sessão foi agitada — o índice subiu, zerou ganhos, caiu para o campo negativo e se recuperou à tarde —, com R$ 31 bilhões movimentados. Daniel Teles, da Valor Investimentos, descreveu um mercado dominado pelo 'trade eleitoral': operações montadas em torno da expectativa de um primeiro turno acirrado e de uma possível alternância de poder.
O otimismo também tinha origem externa. Dados mais fracos do mercado de trabalho americano criaram um ambiente favorável à tomada de risco, beneficiando ativos de mercados emergentes. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 4,71%, e no ano o avanço chegava a 19%. O contraste era emblemático: máxima histórica de medo e máxima recente de otimismo coexistindo no mesmo pregão, como se a incerteza eleitoral fosse, ao mesmo tempo, ameaça e convite.
Na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais, o termômetro do medo brasileiro atingiu seu pico histórico. O VIX Brasil — o indicador que mede a volatilidade esperada nos próximos 30 dias a partir das opções sobre o Ibovespa — fechou a sexta-feira, 2 de outubro, em 32,77 pontos. Era o segundo recorde consecutivo. Na quinta-feira anterior, havia marcado 32,39 pontos. Desde sua criação em 19 de março de 2024, o índice nunca havia subido tão alto.
O VIX Brasil funciona como um espelho da percepção de risco dos investidores. Quanto mais alto, mais medo circula nos mercados. A B3, que o calcula, observa que leituras acima de 30 pontos sinalizam turbulência real — momentos em que os preços dos ativos podem oscilar com força em qualquer direção. Gestores de carteira e analistas acompanham o índice com atenção especial em períodos de incerteza política ou econômica, usando-o como ferramenta para proteger seus investimentos e gerenciar riscos.
Mas havia um paradoxo no ar naquele pregão. Enquanto o VIX Brasil disparava para seu recorde, o Ibovespa subia. Os investidores, aparentemente confiantes de que o primeiro turno seria acirrado e que isso poderia trazer uma alternância de poder, aproveitaram a oportunidade para se posicionar. O índice principal da bolsa brasileira ultrapassou a marca dos 192 mil pontos, atingindo 192.114,55 — seu melhor nível desde 17 de abril. O giro financeiro foi robusto: R$ 31 bilhões movimentados no dia.
A volatilidade, porém, foi intensa. Pela manhã, o Ibovespa havia subido cerca de 1,8%. Depois zerou os ganhos, caiu para o campo negativo e, enfim, recuperou-se durante a tarde. Daniel Teles, sócio e especialista da Valor Investimentos, descreveu um mercado totalmente reativo ao que chamou de "trade eleitoral" — operações montadas especificamente em torno das incertezas e oportunidades da eleição. "O que eu vejo é o mercado confiante com um primeiro turno bem acirrado e aproveitando essa janela para se posicionar antes das eleições", disse.
O otimismo também recebia combustível de fora. Nos Estados Unidos, dados mais fracos do mercado de trabalho haviam criado um ambiente mais propenso à tomada de risco. Isso beneficiou ativos de mercados emergentes, incluindo as grandes ações da bolsa brasileira. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 4,71%. No ano, o avanço chegava a 19%.
O contraste era notável: máxima histórica de medo e máxima recente de otimismo, tudo no mesmo pregão. O VIX Brasil em 32,77 pontos dizia que os investidores esperavam movimentos bruscos. O Ibovespa em alta dizia que, apesar disso — ou talvez por causa disso — havia oportunidades a serem aproveitadas antes do resultado das urnas.
Citas Notables
Níveis acima de 30 pontos são geralmente associados a cenários de maior turbulência e incerteza, marcados por movimentos mais expressivos nos preços dos ativos— B3
É um mercado totalmente reativo ao trade eleitoral. O que eu vejo é o mercado confiante com um primeiro turno bem acirrado e aproveitando essa janela para se posicionar antes das eleições— Daniel Teles, sócio e especialista da Valor Investimentos