Vírus se alastram por Havana em colapso de água e energia

Milhões de cubanos sofrem com doenças virais e diarreicas; famílias vivem em condições insalubres com acesso limitado a água potável e saneamento básico.
Entre um paciente e outro, eu deveria estar lavando as mãos, mas às vezes não consigo
Uma enfermeira descreve as condições impossíveis em uma clínica de Havana sem acesso a água.
Mark

Por que a falta de água se tornou tão crítica em Havana agora, especificamente?

Mimi

O bloqueio de combustível dos EUA em janeiro deixou a cidade sem energia suficiente. Quase 90% da infraestrutura de água depende de bombas elétricas, então quando a energia cai — e agora fica fora por mais de 24 horas — a água simplesmente para de fluir.

Luke

Mas Havana sempre teve problemas de infraestrutura. O que mudou?

Mimi

A frequência e a duração dos apagões. Antes era intermitente; agora é sistemático. E quando você combina isso com uma população de dois milhões de pessoas vivendo em edifícios antigos, superlotados...

Mark

...as doenças se espalham rapidamente.

Mimi

Exatamente. A diarreia, a hepatite viral — tudo se move rápido quando as pessoas não conseguem lavar as mãos, quando a higiene básica é impossível.

Luke

Quantas pessoas estão realmente doentes? O texto menciona um "aumento significativo" mas não dá números.

Mimi

É verdade. Sabemos que 3,5 milhões enfrentam escassez de água, mas os números de casos de doença não estão no alerta. É um gap.

Mark

E os profissionais de saúde? Eles conseguem fazer seu trabalho?

Mimi

Não. A enfermeira Maria Elena disse que às vezes não consegue lavar as mãos entre pacientes. Ela trabalha em uma clínica que também está sem água.

Luke

Então o sistema de saúde está colapsando junto com a infraestrutura.

Mimi

Está. E não há escapatória — as pessoas não podem simplesmente sair de Havana.

  • Apagões superiores a 24 horas em Havana desde janeiro de 2026
  • Quase 90% da infraestrutura de água depende de bombas elétricas
  • 3,5 milhões de pessoas enfrentam escassez de água em Cuba
  • Diarreia e hepatite viral se espalham em bairros superlotados
  • Trinta famílias vivem em um pequeno prédio de dois andares

Apagões superiores a 24 horas paralisaram bombas de água, deixando moradores sem acesso a água encanada por semanas e forçando compra em vendedores ambulantes. Diarreia e hepatite viral se espalham rapidamente em bairros superlotados onde higiene é impossível; profissionais de saúde não conseguem lavar as mãos entre pacientes.

Havana enfrenta surto de doenças virais, incluindo hepatite, agravado pelo colapso da infraestrutura de água e energia causado pelo bloqueio petrolífero dos EUA. Cerca de 3,5 milhões de cubanos sofrem com escassez de água.

Yuamilka Hechavarria acordou na terça-feira passada ao som da água invadindo a cisterna do prédio onde mora na Havana Velha. Saltou da cama e correu na escuridão do apagão para encher um balde antes que a torneira secasse novamente. Era a primeira vez em dois meses que seu edifício recebia água. Essa cena se repete todos os dias em bairros por toda Havana, onde a falta de energia elétrica — agravada pelo bloqueio petrolífero dos Estados Unidos — paralisou uma infraestrutura de abastecimento de água já frágil. Quase dois milhões de pessoas vivem na capital cubana, e muitas ficam regularmente sem água encanada por dias ou semanas seguidas.

A higiene é a primeira vítima dessa situação. Hechavarria, que trabalha na área da saúde, passou semanas comprando água de vendedores ambulantes ou coletando-a de canos quebrados nas proximidades. A diarreia se alastrou por todo o prédio onde ela mora. Ela mesma se recuperava de um surto recente de febre e diarreia. "Não há ninguém neste prédio que não tenha adoecido", disse ela. As autoridades de saúde em Cuba começaram a alertar sobre a disseminação de vírus, incluindo uma cepa de hepatite viral, conforme a energia e o abastecimento de água falham cada vez mais. No início de setembro, um alerta de saúde dos Estados Unidos advertiu viajantes e residentes sobre um "aumento significativo de doenças diarreicas em toda Cuba, associado à contínua degradação da infraestrutura hídrica e energética".

Desde que os EUA impuseram um bloqueio de combustível em janeiro, os apagões em Havana agora ultrapassam regularmente 24 horas. Isso prejudica a refrigeração e danifica ainda mais a infraestrutura hidráulica antiquada, da qual quase 90% depende de bombas elétricas, segundo o Instituto Nacional de Recursos Hidráulicos de Cuba. Cerca de 3,5 milhões de pessoas — pouco menos da metade da população da ilha — sofrem atualmente com a escassez de água, informou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

O apartamento de Hechavarria é um único cômodo mal ventilado que ela divide com o filho de sete anos e o marido. Trinta famílias vivem em espaços igualmente apertados no mesmo pequeno prédio de dois andares. Uma oscilação de energia recente danificou sua geladeira, então ela a usa agora para guardar remédios, feijão e arroz. Pratos se acumulam na pia e na bancada da cozinha. Ela reutiliza a água suja da louça para limpar o chão ou dar descarga no banheiro. Usa sabão apenas quando tem dinheiro para comprá-lo. Seu marido empurra, pelo menos uma vez por semana, um carrinho artesanal equipado com dois grandes barris até um cano que se projeta da parede de uma escola local. Se houver aulas e energia elétrica, a escola aciona uma bomba que permite que a água flua do cano para um beco.

Em uma manhã recente, o vizinho Andrés Jimenez, um metalúrgico aposentado de 76 anos, chegou ao local justamente quando a energia caiu. Restava apenas um fio de água. "Se não houver energia, eles não ligam a bomba", disse ele. As preocupações com a higiene teriam que esperar. Maria Elena Parlado, uma enfermeira que mora nas proximidades e trabalha em uma clínica do bairro, disse que não há como escapar dessa nova realidade. "Olhe ao nosso redor", disse ela, apontando para uma pilha de lixo à beira da estrada, ao lado de um pequeno riacho de esgoto que corria pela calçada. Até mesmo a clínica onde ela trata moradores locais contra surtos virais que se espalham rapidamente está sem água. "Entre um paciente e outro, eu deveria estar lavando as mãos, mas às vezes não consigo", disse ela. A situação continua se deteriorando, e as autoridades tanto nos EUA quanto em Cuba começaram a dar o alarme sobre o que pode vir a seguir.

Não há ninguém neste prédio que não tenha adoecido
— Yuamilka Hechavarria, moradora da Havana Velha
Se não houver energia, eles não ligam a bomba
— Andrés Jimenez, vizinho de 76 anos
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