No extremo sul de Portugal, entre 1773 e 1776, o Marquês de Pombal transformou uma aldeia de pescadores quase destruída numa cidade inteiramente nova — desenhada com régua e esquadro, como se o poder iluminista pudesse ser inscrito no próprio chão. Vila Real de Santo António não nasceu por acaso nem por acumulação histórica, mas por decreto e geometria, como declaração de que o Estado português era capaz de ordenar o território, o comércio e o símbolo numa única forma urbana. A cidade que daí resultou permanece, dois séculos e meio depois, como testemunho de que a arquitetura pode ser simultan