No Vietnã, 373 vidas foram perdidas para a raiva entre 2022 e 2026 — quase todas de pessoas que nunca receberam uma vacina. A doença, prevenível e antiga, persiste não por falta de ciência, mas por uma combinação de negligência, desinformação e distância entre comunidades vulneráveis e os serviços que poderiam salvá-las. O país agora se compromete com uma meta ousada: zero mortes até 2030, reconhecendo que o verdadeiro obstáculo não é biológico, mas humano.
Vietnã intensifica combate à raiva com meta de zero mortes até 2030
99,5% das mortes ocorreram em pessoas que nunca foram vacinadas
Por que a raiva continua matando pessoas no Vietnã se sabemos exatamente como preveni-la?
Porque saber como prevenir e conseguir que as pessoas façam a prevenção são duas coisas diferentes. A maioria das mortes acontece em pessoas que nunca foram vacinadas, muitas vezes porque não acreditam que precisavam.
Mas o relatório diz que 99,5% das mortes foram em não vacinados. Isso é baseado em quantos casos? 373 mortes em cinco anos — é uma amostra pequena para fazer afirmações tão precisas.
É verdade que os números são pequenos, mas o padrão é claro: quando alguém é mordido e procura um médico, recebe tratamento. O problema é que muitas pessoas não procuram.
E por que não procuram?
Porque acham que foi só um pequeno incidente. Porque o cão parecia saudável. Porque é um animal de estimação, não um cão vadio. Porque não sabem que a raiva é fatal.
O relatório menciona "negligência" e "falta de conhecimento", mas não explica como essas campanhas de conscientização falharam. Há quanto tempo o Vietnã tenta mudar esse comportamento?
Décadas. E o progresso é lento — apenas 27 casos a menos em cinco anos comparado aos cinco anos anteriores. Mas há um sinal positivo: mais de um milhão de pessoas receberam tratamento preventivo em 2025.
Então o sistema de saúde está funcionando quando as pessoas chegam até ele.
Exatamente. O gargalo não é o tratamento. É convencer as pessoas a procurar tratamento.
E a meta de zero mortes até 2030 — é realista? Eles estão reduzindo mortes em uma taxa de cerca de 5 casos por ano.
Realista ou não, é o que precisam tentar. A raiva é 100% fatal uma vez que os sintomas aparecem. Então zero é o único objetivo que faz sentido.
Der Puls
- A raiva mata no Vietnã em ritmo que mal desacelera — apenas 27 mortes a menos em cinco anos, um progresso que expõe a fragilidade das campanhas de prevenção existentes.
- O dado mais perturbador é que 99,5% das vítimas nunca foram vacinadas, revelando que a morte chega não pela ausência de solução, mas pela ausência de ação.
- Crianças mordidas que não contam aos pais, donos que confiam na aparente saúde do animal, comunidades que desconhecem o risco — a desinformação e a negligência são os vetores reais da doença.
- Em contraponto, o número de pessoas que buscam tratamento pós-exposição mais que dobrou, sugerindo que o sistema de saúde responde quando acionado — o desafio é fazer as pessoas chegarem até ele.
- Dak Lak e outras províncias traçam metas concretas para 2030: vacinar 80% dos animais elegíveis, monitorar 90% das comunas e, finalmente, chegar a zero mortes — uma ambição que exigirá governo, agricultura, educação e comunidade agindo como um só.
No Vietnã, 373 vidas foram perdidas para a raiva entre 2022 e 2026 — quase todas de pessoas que nunca receberam uma vacina. A doença, prevenível e antiga, persiste não por falta de ciência, mas por uma combinação de negligência, desinformação e distância entre comunidades vulneráveis e os serviços que poderiam salvá-las. O país agora se compromete com uma meta ousada: zero mortes até 2030, reconhecendo que o verdadeiro obstáculo não é biológico, mas humano.
O Vietnã carrega uma meta que parece simples no papel: eliminar as mortes por raiva até 2030. Na prática, o caminho é tortuoso. Entre 2022 e 2026, o país registrou 373 mortes pela doença — uma redução de apenas 27 casos em relação ao período anterior. A província de Dak Lak sozinha perdeu três pessoas nos primeiros nove meses de 2026.
O número que mais revela a natureza do problema é este: 99,5% das vítimas nunca foram vacinadas. Os motivos são surpreendentemente cotidianos. Famílias acreditam que a mordida veio de um animal doméstico inofensivo. Crianças são mordidas e não contam aos pais. Muitas pessoas simplesmente não sabem o que é raiva ou como ela age. A ignorância, mais do que a falta de acesso, é o principal culpado.
Há, porém, um sinal de esperança nos dados. O número de pessoas que buscam profilaxia pós-exposição cresceu de uma média de 510 mil por ano entre 2017 e 2021 para mais de 822 mil entre 2022 e 2026 — ultrapassando 1 milhão apenas em 2025. Quando as pessoas chegam aos serviços de saúde, elas são tratadas.
Vo Hai Son, vice-diretor do Departamento de Prevenção de Doenças, aponta os próximos passos: levar vacinas às áreas remotas, fortalecer a vigilância e integrar saúde, agricultura e meio ambiente em uma resposta coordenada. A mudança comportamental é igualmente urgente — convencer donos de animais a vacinar seus pets e ensinar que qualquer mordida, mesmo de um animal aparentemente saudável, exige atenção médica imediata.
Dak Lak estabeleceu metas ambiciosas: gerenciar mais de 90% das famílias que criam cães e gatos, vacinar mais de 80% dos animais elegíveis e chegar a zero mortes. Para Nguyen Thien Van, vice-presidente do Comitê Popular Provincial, isso exigirá esforço de todos os níveis de governo e da comunidade inteira. Os próximos quatro anos dirão se a intenção se transforma em realidade.
O Vietnã enfrenta uma tarefa que parece simples em teoria mas complexa na prática: eliminar completamente as mortes por raiva até 2030. Para isso, o país precisa controlar como a doença se transmite entre animais, aumentar drasticamente o número de pessoas vacinadas e garantir que quem foi mordido receba tratamento preventivo rápido. Mas os números mostram que o progresso tem sido lento.
Entre 2022 e 2026, o país registrou 373 mortes por raiva. Isso representa uma redução de apenas 27 casos em relação aos cinco anos anteriores, de 2017 a 2021. A província de Dak Lak, sozinha, teve 3 mortes apenas nos primeiros nove meses de 2026. Esses números revelam que apesar de décadas de campanhas de prevenção, a raiva continua matando pessoas no Vietnã em um ritmo que mal diminui.
O dado mais revelador vem de uma análise dos casos: 99,5% das mortes ocorreram em pessoas que nunca foram vacinadas. Os motivos são surpreendentemente mundanos. Famílias negligenciam a vacinação porque acreditam que a mordida veio de um animal doméstico inofensivo, ou porque o cão ou gato parecia perfeitamente saudável no momento do ataque. Algumas crianças pequenas são mordidas e não contam aos pais. Outras pessoas simplesmente não sabem o que é raiva ou como ela se transmite. A ignorância, não a falta de acesso, é frequentemente o culpado.
Porém, há um lado positivo nos dados. O número de pessoas que recebem profilaxia pós-exposição — o tratamento preventivo dado após uma mordida — tem crescido significativamente. Entre 2017 e 2021, uma média de 510.913 pessoas por ano recebiam esse tratamento. No período de 2022 a 2026, esse número subiu para uma média de 822.656 por ano. Em 2025 sozinho, mais de 1,04 milhão de pessoas receberam a profilaxia. Isso sugere que quando as pessoas chegam aos serviços de saúde, elas estão sendo tratadas.
Vo Hai Son, vice-diretor do Departamento de Prevenção de Doenças do Ministério da Saúde, identificou os próximos passos críticos. O país precisa garantir que vacinas para humanos e animais cheguem até as áreas remotas e pobres, onde o acesso é mais difícil. Precisa também fortalecer a vigilância — detectar casos cedo e alertar as comunidades sobre riscos. Mas talvez o mais importante seja fazer com que setores diferentes trabalhem juntos. Saúde, agricultura e meio ambiente precisam compartilhar informações sobre pessoas expostas, casos humanos e surtos em animais, para que possam investigar e responder em conjunto.
A mudança comportamental é outra peça do quebra-cabeça. As campanhas de prevenção precisam focar menos em estatísticas e mais em convencer donos de cães e gatos a vacinarem seus animais, e em ensinar às pessoas que qualquer mordida — mesmo de um animal que parece dócil — exige uma ida imediata ao médico. Não se deve esperar para ver se o animal fica doente. Não se deve assumir que foi apenas um pequeno incidente.
Dak Lak, uma das províncias mais afetadas, estabeleceu metas ambiciosas para 2026-2030. Quer gerenciar mais de 90% das famílias que criam cães e gatos, vacinando mais de 80% dos animais elegíveis. Quer que 90% das comunas monitorem efetivamente a raiva. E quer chegar a zero mortes. Segundo Nguyen Thien Van, vice-presidente do Comitê Popular Provincial, isso exigirá esforço coordenado de todos os níveis de governo, de todos os setores e da comunidade inteira. Não é apenas um problema de saúde. É um problema que toca agricultura, educação, comportamento social e confiança nas instituições. Os próximos quatro anos dirão se o Vietnã consegue transformar essa intenção em realidade.
Bemerkenswerte Zitate
Uma das principais tarefas é garantir o fornecimento e acesso às vacinas antirrábicas para humanos e animais, especialmente em áreas remotas e desfavorecidas— Vo Hai Son, vice-diretor do Departamento de Prevenção de Doenças
A prevenção e o controle da raiva exigem esforços coordenados de todos os níveis, setores e da comunidade— Nguyen Thien Van, vice-presidente do Comitê Popular Provincial de Dak Lak