Em tempos de disputa eleitoral, a desinformação encontra terreno fértil onde sementes antigas podem brotar como notícias novas. Um vídeo de 2015 gravado em Bakersfield, Califórnia — no qual um apresentador local ri involuntariamente ao narrar um crime — foi ressuscitado, legendado com falas fabricadas em português e revestido de uma pesquisa eleitoral brasileira, circulando como se fosse prova de que a mídia americana zombava da política do Brasil. A montagem acumulou dezenas de milhares de interações antes de ser desmascarada, lembrando-nos de que o contexto arrancado de uma imagem pode trans
Vídeo viral que mostra apresentador rindo de pesquisa eleitoral brasileira é falso
Legendas falsas em português não correspondem ao que o apresentador fala
Por que alguém faria isso? Qual é o objetivo de pegar um vídeo de 2015 e adicionar legendas falsas sobre eleições brasileiras?
É uma forma de criar narrativas que parecem vir de fontes externas credíveis. Se um apresentador americano parece estar rindo da pesquisa eleitoral brasileira, isso pode ser usado para desacreditar candidatos ou o próprio processo eleitoral.
Mas precisamos ser claros: o vídeo original é real, a transmissão aconteceu mesmo em 2015. O que é falso é a recontextualização — as legendas, a pesquisa inserida, a sugestão de que ele está comentando sobre política brasileira.
E quanto ao perfil que publicou? Conseguiram rastrear quem está por trás disso?
O Comprova não conseguiu enviar mensagem para o perfil @marcosbr371 no TikTok. Mas observaram que a conta publica regularmente esse tipo de conteúdo — noticiários estrangeiros com legendas distorcidas sobre figuras políticas brasileiras.
Então não sabemos quem está criando isso, apenas que é um padrão. Isso é importante deixar claro — é uma conta suspeita, mas a identidade da pessoa por trás dela não foi confirmada.
A pesquisa que aparece no vídeo, ela é antiga?
Sim, é de novembro de 2021. Já tinha quatro meses quando o vídeo começou a circular. E desde então houve outras pesquisas com números diferentes.
Então temos três camadas de falsidade aqui: o vídeo é de 2015, a pesquisa é de 2021, e as legendas são completamente fabricadas. Cada elemento foi tirado de seu contexto original.
Quantas pessoas viram isso?
Mais de 37 mil interações no TikTok, além de ter circulado bastante no WhatsApp. É o tipo de conteúdo que se espalha rápido porque parece credível à primeira vista.
E é exatamente por isso que importa verificar. Em ano eleitoral, desinformação assim pode influenciar percepções sobre candidatos e sobre a confiabilidade do próprio processo.
Le Pouls
- Um vídeo com mais de 37 mil interações no TikTok e WhatsApp afirmava mostrar um jornalista americano da CNN rindo de pesquisas eleitorais brasileiras — mas cada elemento dessa narrativa era falso.
- O material original é uma gravação de fevereiro de 2015 da emissora KBFX, afiliada à Fox em Bakersfield, Califórnia, na qual o apresentador Aaron Perlman ri sem querer ao noticiar um esfaqueamento local.
- Legendas em português completamente fabricadas foram sobrepostas ao áudio em inglês, e uma pesquisa da Genial/Quaest de novembro de 2021 foi inserida na tela para simular uma reação do apresentador à corrida presidencial brasileira.
- O perfil responsável pela montagem, @marcosbr371 no TikTok, segue um padrão deliberado de recortar noticiários estrangeiros e distorcer seu conteúdo com humor político envolvendo Lula e Bolsonaro.
- Investigadores do Projeto Comprova identificaram o vídeo original pelo nome do noticiário e pela sigla da emissora visíveis na tela, confirmando que as legendas não correspondiam em nenhum momento ao que foi dito.
- O caso ilustra como conteúdo antigo e inofensivo pode ser reciclado para minar a confiança no processo eleitoral, especialmente em plataformas onde a verificação é mais difícil.
Em tempos de disputa eleitoral, a desinformação encontra terreno fértil onde sementes antigas podem brotar como notícias novas. Um vídeo de 2015 gravado em Bakersfield, Califórnia — no qual um apresentador local ri involuntariamente ao narrar um crime — foi ressuscitado, legendado com falas fabricadas em português e revestido de uma pesquisa eleitoral brasileira, circulando como se fosse prova de que a mídia americana zombava da política do Brasil. A montagem acumulou dezenas de milhares de interações antes de ser desmascarada, lembrando-nos de que o contexto arrancado de uma imagem pode transformar o trivial em arma.
Um vídeo que circulou amplamente no TikTok e WhatsApp parecia mostrar um apresentador americano rindo sem controle enquanto comentava pesquisas eleitorais brasileiras, com legendas em português traduzindo suas supostas palavras. O conteúdo acumulou mais de 37 mil interações — mas a história que narrava jamais aconteceu.
O material é uma montagem construída sobre uma gravação de fevereiro de 2015 do noticiário Eyewitness News, da emissora KBFX em Bakersfield, Califórnia, afiliada à Fox. Naquele dia, o apresentador Aaron Perlman perdeu a compostura enquanto seu colega narrava um esfaqueamento envolvendo dois homens de 60 anos. Perlman pediu desculpas ao vivo, explicando que a história era séria. Suas palavras reais em inglês não tinham qualquer relação com política brasileira.
Quem criou a versão manipulada adicionou legendas em português completamente fabricadas e inseriu na tela uma pesquisa da Genial/Quaest de novembro de 2021, divulgada pela CNN Brasil, que mostrava Lula com 45% e Bolsonaro com 23%. A sobreposição criou a ilusão de que o apresentador reagia aos números da disputa presidencial brasileira.
O perfil responsável, identificado como @marcosbr371 no TikTok, publica regularmente recortes de noticiários estrangeiros com legendas distorcidas em tom de humor político, frequentemente envolvendo figuras como Bolsonaro e Lula — um padrão que sugere estratégia deliberada.
Investigadores do Projeto Comprova localizaram o vídeo original identificando o nome do noticiário e a sigla da emissora visíveis na tela, encontrando a gravação publicada pelo próprio Perlman no YouTube em 26 de fevereiro de 2015. A transcrição do áudio confirmou que as legendas eram inteiramente inventadas. O caso exemplifica como material antigo e trivial pode ser recontextualizado para semear dúvidas sobre o processo eleitoral — um dano que, uma vez espalhado, é difícil de desfazer.
Um vídeo que circulou amplamente no TikTok e WhatsApp nos últimos meses parecia mostrar algo extraordinário: um apresentador de televisão americana rindo descontroladamente enquanto comentava uma pesquisa eleitoral brasileira. A cena era acompanhada por legendas em português que supostamente traduziam suas palavras. O conteúdo acumulou mais de 37 mil interações na plataforma de vídeos curtos. Mas a história que o vídeo contava nunca aconteceu.
O material é, na verdade, uma montagem feita a partir de uma gravação de fevereiro de 2015 — sete anos antes de circular nas redes sociais. O vídeo original foi transmitido pelo noticiário matinal Eyewitness News, da emissora KBFX em Bakersfield, Califórnia, afiliada à Fox. O apresentador é Aaron Perlman, que trabalha na emissora há cerca de dez anos. Naquele dia de 2015, Perlman começou a rir enquanto seu colega narrava um crime local: a investigação de um esfaqueamento envolvendo dois homens de 60 anos. Perlman pediu desculpas pelo riso, explicando que não estava zombando da história porque ela era séria. Suas palavras reais em inglês foram: "Bem, eu não estou rindo dessa história, porque essa história é séria... Mas... Cara, eu peço desculpas... Eu não consigo lidar..."
Quem criou a versão manipulada adicionou legendas em português que não correspondem em nenhum momento ao que Perlman realmente diz. As legendas falsas sugerem que ele está comentando sobre política brasileira e eleições — algo que nunca ocorreu no vídeo original. O criador do conteúdo também inseriu uma imagem de uma pesquisa eleitoral brasileira na tela enquanto Perlman ri, criando a ilusão de que ele está reagindo aos números da corrida presidencial.
A pesquisa que foi adicionada à montagem também não é recente. Ela foi realizada pela Genial/Quaest em novembro de 2021 e divulgada pela CNN Brasil. Os números mostram o ex-presidente Lula com 45%, o presidente Jair Bolsonaro com 23%, e outros candidatos com percentuais menores. O instituto de pesquisa continuou divulgando levantamentos sobre a eleição de 2022 em dezembro de 2021 e em janeiro e fevereiro de 2022, com números que variaram ao longo do tempo.
O vídeo manipulado foi publicado originalmente por um perfil no TikTok identificado como @marcosbr371. Investigadores do Projeto Comprova, uma iniciativa de fact-checking da qual o Metrópoles faz parte, descobriram que a conta publica regularmente recortes de noticiários estrangeiros com legendas distorcidas em tom de humor, frequentemente envolvendo figuras políticas brasileiras como Jair Bolsonaro e Lula. O padrão sugere uma estratégia deliberada de criar conteúdo enganoso sobre as eleições brasileiras.
Os verificadores identificaram o vídeo original procurando pelo nome do noticiário — "Eyewitness News" — e pela sigla da emissora — "KBFX" — visíveis no canto da tela. Encontraram a transmissão original publicada pelo próprio Aaron Perlman no YouTube em 26 de fevereiro de 2015, e confirmaram que a conta oficial do Bakersfield Now havia compartilhado o vídeo na época. Ao transcrever o áudio em inglês, ficou claro que as legendas em português eram completamente fabricadas.
Este tipo de desinformação é particularmente prejudicial em períodos eleitorais. Informações precisas são essenciais para que os cidadãos tomem decisões de voto fundamentadas. Quando conteúdo falso circula amplamente, especialmente em plataformas como WhatsApp e TikTok onde a verificação é mais difícil, pode minar a confiança no próprio processo eleitoral — um dano que afeta a democracia como um todo. O vídeo manipulado exemplifica como material antigo pode ser reciclado e recontextualizado para enganar, transformando uma cena trivial de um apresentador rindo de um crime local em uma suposta crítica internacional à política brasileira.
Citations marquantes
Bem, eu não estou rindo dessa história, porque essa história é séria... Mas... Cara, eu peço desculpas... Eu não consigo lidar...— Aaron Perlman, apresentador, no vídeo original de 2015