Em meio ao debate real sobre a proibição das apostas no Brasil, um vídeo fabricado com inteligência artificial colocou palavras falsas na boca do senador Romário, acumulando 170 mil visualizações em poucas horas. O episódio revela como a desinformação se alimenta de controvérsias legítimas para ganhar aparência de verdade. Ferramentas especializadas confirmaram a manipulação, e Romário, que já foi alvo de falsificações anteriores, avalia ação legal contra os responsáveis.
Vídeo de Romário criticando Lula sobre bets é deepfake criado com IA
Sua imagem e voz roubadas para criar o que ele nunca disse
Por que um vídeo falso de Romário criticando Lula sobre bets conseguiu 170 mil visualizações tão rápido?
Porque toca em dois pontos quentes ao mesmo tempo — a proibição das bets, que afeta muita gente, e um senador conhecido que parecia estar faltando nessa conversa. As pessoas queriam ouvir o que ele tinha a dizer.
Mas precisamos ser claros: não sabemos quem criou o vídeo ou por quê. Sabemos que circulou, sabemos que é falso, mas a origem ainda é mistério.
Como é possível detectar que é deepfake se parece tão real?
Duas ferramentas diferentes — InVID e Hiya — analisaram o vídeo e ambas apontaram sinais de manipulação por IA. Uma detectou 92% de probabilidade de deepfake visual, a outra 84% de áudio sintético.
Essas porcentagens são importantes, mas não são certeza absoluta. São probabilidades. E não sabemos exatamente quais artefatos as ferramentas detectaram — se foi algo óbvio ou muito sutil.
Romário disse que isso já aconteceu antes com ele?
Sim. Ele alertou que sua imagem e voz já foram usadas em outros vídeos falsos. Isso sugere que ele é um alvo recorrente para esse tipo de manipulação.
O que é preocupante, mas também deixa uma pergunta: por que Romário especificamente? É porque ele é conhecido? Porque tem relevância política? Porque alguém quer desacreditá-lo? Não sabemos.
E quanto às medidas legais que ele mencionou?
Sua equipe jurídica está avaliando o que fazer contra os responsáveis. Mas isso pode ser complicado — encontrar quem criou e compartilhou o vídeo não é trivial.
Exatamente. A nota diz que estão "avaliando medidas cabíveis", o que é vago. Não há confirmação de que já identificaram os responsáveis ou que conseguirão fazê-lo.
Il Polso
- Um deepfake com 92% de probabilidade de ser sintético viralizou em dez horas, simulando Romário atacar Lula pela proibição das bets — mentira embalada em imagens reais do senador.
- O vídeo falso surgiu num momento de tensão política máxima: dois dias após Lula anunciar o banimento das apostas de quota fixa e acender o debate sobre clubes de futebol e endividamento familiar.
- Romário desmentiu o conteúdo no mesmo dia pelo Instagram e sua assessoria emitiu nota formal, mas o alcance da desinformação já havia superado em muito a velocidade da correção.
- O setor de apostas reageu no plano jurídico, pedindo ao STF a suspensão da medida provisória — mostrando que o ambiente real de disputa é fértil para que falsificações ganhem credibilidade.
- A equipe jurídica do senador avalia medidas legais, enquanto o caso expõe a fragilidade das redes sociais diante de conteúdos sintéticos em períodos eleitorais.
Em meio ao debate real sobre a proibição das apostas no Brasil, um vídeo fabricado com inteligência artificial colocou palavras falsas na boca do senador Romário, acumulando 170 mil visualizações em poucas horas. O episódio revela como a desinformação se alimenta de controvérsias legítimas para ganhar aparência de verdade. Ferramentas especializadas confirmaram a manipulação, e Romário, que já foi alvo de falsificações anteriores, avalia ação legal contra os responsáveis.
Um vídeo falso atribuindo críticas ao presidente Lula ao senador Romário começou a circular no domingo passado no X, acumulando mais de 170 mil visualizações em dez horas. No material, fabricado com inteligência artificial, uma voz que imita a do senador acusa Lula de ter arrecadado bilhões com as apostas antes de proibi-las às vésperas de uma eleição, e afirma que o presidente "comprou briga com a torcida do Flamengo". Romário não disse nada disso.
O contexto que deu vida ao vídeo é real: na sexta-feira anterior, Lula anunciou a proibição total das apostas de quota fixa no país, enviando ao Congresso um projeto de lei com punições para quem operar ou divulgar essas plataformas. A medida gerou reação imediata do setor, que na segunda-feira seguinte pediu ao STF a suspensão da medida provisória. É nesse clima de disputa que a desinformação encontrou terreno fértil.
O projeto Fato ou Fake, do G1, submeteu o vídeo a duas ferramentas especializadas: a InVID apontou 92% de probabilidade de deepfake, e o detector Hiya indicou 84% de chance de áudio gerado por IA. Romário desmentiu o conteúdo no mesmo dia pelo Instagram, pedindo que seus seguidores consultem apenas seus canais oficiais. Sua assessoria confirmou que o senador não gravou nada e alertou que não é a primeira vez que sua imagem é usada dessa forma — a equipe jurídica já avalia ações contra os responsáveis.
Um vídeo começou a circular nas redes sociais no domingo passado mostrando o senador Romário, do Rio de Janeiro, supostamente atacando o presidente Lula pela proibição das apostas de quota fixa anunciada dias antes. O material viralizou no X, acumulando mais de 170 mil visualizações em dez horas. Mas o vídeo é falso — manipulado inteiramente com inteligência artificial para colocar palavras na boca do senador que ele nunca pronunciou.
O conteúdo falso começa com imagens de Romário em uma entrevista, seguidas por cenas de Lula discursando e torcedores do Flamengo nas arquibancadas durante um jogo. O áudio que imita a voz do senador contém críticas afiadas à decisão presidencial de banir as bets no Brasil, anunciada na sexta-feira anterior. Nessas falas fabricadas, Romário supostamente diz que Lula "comprou briga com a torcida do Flamengo" e o acusa de ter regulamentado e arrecadado mais de 15 bilhões de reais com as apostas antes de proibi-las dias antes de uma eleição. O áudio falso continua com afirmações de que a proibição é pura estratégia eleitoral, não preocupação genuína com o povo.
Romário respondeu rapidamente. No mesmo domingo, publicou um desmentido direto no Instagram alertando seus seguidores: o vídeo é falso, ele não gravou nada daquilo, e pede que as pessoas verifiquem suas declarações apenas em seus canais oficiais antes de compartilhar qualquer coisa. Sua assessoria de imprensa enviou uma nota formal confirmando que o senador não fez essas declarações, não gravou o vídeo e não convocou a torcida do Flamengo a qualquer reação. A nota também menciona que esta não é a primeira vez que sua imagem e voz são roubadas para criar conteúdo falso, e que sua equipe jurídica está avaliando medidas legais contra os responsáveis.
O Fato ou Fake, projeto de verificação do G1, submeteu o vídeo a duas ferramentas especializadas em detectar manipulações por IA. A plataforma InVID apontou 92% de probabilidade de o material ser um deepfake — a técnica que permite alterar rostos e falas em vídeos usando inteligência artificial. O detector Hiya indicou 84% de probabilidade de o áudio ter sido fabricado por IA. Ambas as análises confirmam que o que circula nas redes é inteiramente sintético.
O contexto que deu origem ao vídeo falso é real. Na sexta-feira anterior, Lula, candidato à reeleição, anunciou a proibição total das apostas de quota fixa no país, incluindo jogos online e cassinos virtuais como o "Jogo do Tigrinho". O presidente enviou ao Congresso um projeto de lei estabelecendo punições para quem explorar, operar ou divulgar essas plataformas, citando o endividamento de famílias e o vício em jogos de azar como justificativas. Dois dias antes dessa medida, Lula havia dito que os clubes de futebol precisariam encontrar outras formas de financiamento — uma declaração que atingiu diretamente a indústria das apostas que havia se tornado fonte importante de receita para muitos times.
A reação do setor não demorou. Na segunda-feira seguinte, a Associação Nacional de Jogos e Loterias e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável protocolaram um pedido no Supremo Tribunal Federal para suspender os efeitos da medida provisória de Lula. O ministro Luiz Fux foi designado relator do caso. É nesse ambiente de tensão política e disputa sobre as apostas que o vídeo falso de Romário surgiu — um exemplo de como a desinformação se aproveita de momentos de controvérsia real para ganhar credibilidade e alcance.
Citazioni salienti
Estão circulando vídeos feitos por inteligência artificial, com falas que nunca foram minhas. Esse é mais um. É FAKE! Não gravei esse vídeo e não falei nada do que estão colocando na minha boca.— Romário, em desmentido publicado no Instagram
O senador Romário informa que é falso o vídeo que circula nas redes sociais utilizando sua imagem e sua voz para atribuir a ele declarações sobre supostas falas do presidente.— Assessoria de imprensa de Romário