A maior frota elétrica do país ainda é apenas 13% do total
São Paulo celebrou a chegada de 500 novos ônibus elétricos às suas ruas, um gesto simbólico e concreto na longa travessia rumo a um transporte público mais limpo. Três fabricantes — BYD, Eletra e Mercedes-Benz — respondem pela quase totalidade das entregas, revelando tanto a força industrial do setor quanto sua concentração. A cidade ostenta a maior frota elétrica do país, mas os 1.759 veículos cobrem apenas 13% do total circulante, e a meta prometida para 2024 segue sem cumprimento, enquanto ônibus a diesel envelhecidos ainda percorrem as mesmas avenidas.
- São Paulo anunciou 500 novos ônibus elétricos, mas a meta de 2.600 unidades prevista para dezembro de 2024 continua distante — um atraso que expõe a tensão entre ambição política e capacidade de entrega.
- A BYD domina o fornecimento com 265 veículos, cerca de 60% do lote, enquanto Eletra e Mercedes-Benz dividem o restante da tríade, sinalizando uma dependência concentrada em poucos fabricantes.
- As três empresas prometem mais 1.670 ônibus entre o fim de 2026 e o início de 2027, mas promessas anteriores não cumpridas lançam sombra sobre o cronograma.
- Com 1.759 elétricos numa frota de 13.460, a cidade lidera o país mas representa apenas 13% do total — e segue autorizando diesel com até 14 anos de uso para cobrir a lacuna.
- A LatBus, feira de mobilidade prevista para agosto em São Paulo, surge como próximo palco onde fabricantes devem anunciar novidades e reafirmar compromissos.
São Paulo apresentou neste domingo 500 ônibus elétricos em operação, celebrando um avanço na renovação do transporte público. Mas por trás do número redondo, a realidade é mais matizada: 490 dos veículos vêm de apenas três fabricantes, e a cidade ainda acumula um atraso considerável em relação às metas que ela própria estabeleceu.
A BYD, com planta em Campinas, lidera com aproximadamente 265 unidades — cerca de 60% do total entregue. A Eletra, de São Bernardo do Campo, contribui com 142 ônibus, e a Mercedes-Benz completa a tríade com seu modelo EO500U de piso baixo, fabricado no ABC Paulista. A carroceria Caio, de Botucatu, equipou 465 dos 500 veículos, consolidando a cadeia produtiva no interior e no Grande ABC.
Os executivos das três marcas revelaram planos para os próximos meses: juntas, pretendem entregar mais 1.670 ônibus entre o final de 2026 e o início de 2027. A BYD projeta cerca de mil unidades adicionais; a Eletra, 450; e a Mercedes-Benz, 220. Todos devem marcar presença na LatBus, feira de mobilidade prevista para agosto na capital.
Com as novas entregas, a frota elétrica paulistana salta de 1.259 para 1.759 ônibus — a maior do Brasil. Ainda assim, esse contingente representa apenas 13% dos 13.460 coletivos em circulação. A meta era atingir 2.600 elétricos até dezembro de 2024, objetivo que não foi cumprido. Para cobrir a lacuna, a prefeitura autoriza ônibus a diesel com até 14 anos de idade a continuar rodando — um sinal de que a transição, por mais visível que seja, ainda tem um longo caminho pela frente.
São Paulo apresentou neste domingo 500 ônibus elétricos em operação nas ruas da cidade, marcando um passo significativo na transição da frota de transporte público. Mas os números revelam uma realidade mais complexa: dos 500 veículos, 490 vêm de apenas três fabricantes, e mesmo com esse aumento, a cidade ainda está longe da meta que deveria ter alcançado há mais de um ano.
A chinesa BYD domina a entrega. Com uma planta em Campinas, no interior paulista, a empresa forneceu aproximadamente 265 dos ônibus apresentados — cerca de 60% do total. A fabricante nacional Eletra, sediada em São Bernardo do Campo, vem em segundo lugar com 142 unidades. A Mercedes-Benz completa a tríade com seu modelo EO500U de piso baixo, também produzido no ABC Paulista. Quanto às carrocerias, a Caio, com fábrica em Botucatu, equipou 465 dos 500 veículos.
Os executivos dessas três empresas conversaram com o Diário do Transporte e revelaram planos ambiciosos para os próximos meses. Entre o final de 2026 e o início de 2027, pretendem entregar mais 1.670 ônibus. Marcelo Schneider, diretor da divisão de veículos comerciais da BYD, informou que sua empresa deve fornecer cerca de mil unidades adicionais. A Eletra planeja 450 entregas, enquanto a Mercedes-Benz estima 220. Os executivos também anunciaram novidades para a LatBus, feira de mobilidade que acontecerá em agosto na capital paulista.
Com essa apresentação, a frota elétrica de São Paulo sobe de 1.259 para 1.759 ônibus — a maior do país. Porém, esse número coloca a cidade em perspectiva preocupante. Os 1.759 elétricos representam apenas 13,07% da frota total de 13.460 coletivos em circulação. A meta estabelecida era alcançar 2.600 ônibus elétricos até dezembro de 2024, uma cifra que não foi atingida. Diante das dificuldades em renovar a frota com a velocidade necessária, a prefeitura permite que ônibus a diesel com até 14 anos de idade continuem operando nas ruas.
A apresentação também incluiu unidades de outras marcas, como Marcopolo e Volkswagen, que teriam elevado o total acima de 500 se contabilizadas separadamente. Porém, os executivos dessas fabricantes não foram localizados no evento para comentar sobre seus veículos ou planos futuros. O que fica claro é que, apesar do progresso visível, a transição para uma frota totalmente elétrica em São Paulo ainda é uma jornada longa, com obstáculos de produção e financiamento que continuam moldando o ritmo das entregas.
Notable Quotes
BYD deve fornecer cerca de mil unidades adicionais entre final de 2026 e início de 2027— Marcelo Schneider, diretor da divisão de veículos comerciais da BYD
Eletra pretende entregar 450 ônibus e Mercedes-Benz em torno de 220 nos próximos meses— Executivos das fabricantes ao Diário do Transporte
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que 500 ônibus elétricos é considerado um marco, se representa apenas 13% da frota?
Porque é visível, é concreto. As pessoas veem 500 veículos novos nas ruas. Mas você tem razão — a escala real mostra que ainda há 11.700 ônibus a diesel circulando. É a diferença entre notícia e realidade.
A BYD fornecendo 60% — isso é concentração demais em uma única marca?
Provavelmente. A BYD tem escala, tem planta aqui, tem preço competitivo. Mas quando uma empresa domina tanto, você fica vulnerável a qualquer problema de produção ou qualidade. Eletra e Mercedes-Benz existem, mas são muito menores.
E essa meta de 2.600 ônibus que não foi atingida em 2024? Onde ficou?
Ficou em promessas. Problemas de financiamento, de capacidade de produção, de infraestrutura de carregamento. A prefeitura acabou permitindo ônibus diesel de 14 anos — é uma válvula de escape que admite que o plano não saiu como esperado.
Os executivos prometem 1.670 mais até 2027. Você acredita?
Depende. Se BYD entregar mil, Eletra 450 e Mercedes 220, sim, é possível. Mas já viram uma meta não ser atingida. O que importa agora é se a infraestrutura de carregamento cresce junto com os ônibus.
Por que Marcopolo e Volkswagen não foram entrevistadas?
Não foram localizadas no evento. Pode ser que tenham menor volume, ou que simplesmente não estivessem lá. Mas é um vazio — você não sabe o que essas marcas planejam.