Vida na Terra pode ter surgido há 4,33 bilhões de anos, aponta estudo

A vida pode ter começado em apenas 170 milhões de anos
Pesquisadores indicam que formas de vida rudimentares surgiram pouco tempo após a formação da Terra, quando o planeta finalmente se estabilizou.
Mark

Se a vida começou há 4,33 bilhões de anos, isso é realmente tão cedo assim? Parece que a Terra tem 4,5 bilhões de anos.

Mimi

Exatamente — é apenas 170 milhões de anos depois da formação do planeta. Considerando que a Terra era um inferno de magma e bombardeios cósmicos, é surpreendentemente rápido.

Luke

Mas espera — o estudo diz "pode ter se iniciado". Essa data é uma conclusão firme ou uma estimativa baseada em simulações?

Mimi

É baseada em modelagem matemática. Eles recriaram as condições da Terra primitiva usando dados de rochas antigas e formação do Sistema Solar, mas não é observação direta.

Mark

E por que o RNA é tão importante? Por que não outras moléculas?

Mimi

Porque o RNA consegue fazer duas coisas simultaneamente: armazenar informação genética e acelerar as reações químicas necessárias para se replicar. É como se fosse um manual de instruções que também executa as instruções.

Luke

Mas ninguém encontrou RNA vivo de 4,33 bilhões de anos atrás, certo? Estamos falando de uma hipótese plausível baseada em condições ambientais reconstruídas.

Mimi

Correto. O que o estudo mostra é que as condições físicas e químicas teriam permitido o surgimento do RNA naquele período. É uma peça do quebra-cabeça, não a resposta completa.

Mark

O que mudou há 4,4 bilhões de anos que tornou possível a vida?

Mimi

Três coisas convergiram: os bombardeios celestes pararam, a crosta terrestre se estabilizou, e ambientes geotermais começaram a aquecer água em profundidades rasas — criando laboratórios químicos naturais.

Luke

E esses ambientes geotermais — eles existem hoje? Podemos estudá-los como análogos?

Mimi

Sim, existem em fontes termais oceânicas e terrestres. Muitos cientistas acreditam que foram cruciais para a abiogênese, embora ainda haja debate sobre exatamente como.

Mark

Então se a vida começou tão cedo, ela esteve aqui durante quase toda a história do planeta?

Mimi

Segundo o estudo, sim. Isso muda nossa visão — não é que a vida tenha levado bilhões de anos para aparecer. Ela emergiu rapidamente e depois evoluiu durante todo o tempo restante.

  • Estudo publicado na Nature Communications em 22 de setembro de 2026
  • Data estimada: 4,33 bilhões de anos atrás
  • Liderado pela Universidade de Bayreuth, Alemanha
  • Bombardeios celestes cessaram há cerca de 4,4 bilhões de anos
  • Ambientes geotermais aqueciam água em profundidades rasas, acelerando formação de moléculas orgânicas

Estudo publicado na Nature Communications sugere que a vida começou relativamente cedo na história terrestre, logo após a estabilização da crosta. O 'mundo de RNA' teria se formado em ambientes geotermais, onde moléculas orgânicas se replicavam de forma autossustentável sem interferência de impactos cataclísmicos.

Pesquisadores simularam a Terra primitiva e indicam que formas de vida rudimentares baseadas em RNA podem ter surgido há 4,33 bilhões de anos, após o fim de bombardeios celestes extremos.

Há 4,33 bilhões de anos, quando a Terra ainda era um mundo hostil de magma e bombardeios cósmicos, a vida pode ter começado. É o que sugere um estudo publicado em setembro na revista Nature Communications, resultado de simulações matemáticas que reconstroem as condições do planeta primitivo e apontam para o surgimento de formas de vida rudimentares baseadas em RNA — a molécula que teria funcionado como precursora do DNA, armazenando informações genéticas e orquestrando sua própria replicação.

O trabalho foi liderado pela Universidade de Bayreuth, na Alemanha, com participação dos pesquisadores Oleg Abramov e Stephen Mojzsis do Geoinstituto Bávaro, além de colaboradores de instituições norte-americanas e húngaras. Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram fragmentos de rochas terrestres primitivas, especialmente zircão, e dados sobre a formação do Sistema Solar — informações que, combinadas com estudos de rochas lunares, revelam como era o ambiente nos primeiros tempos do planeta.

Esse período inicial, chamado éon Hadeano (aproximadamente entre 4,5 e 4 bilhões de anos atrás), era um inferno geológico. A Terra recebia impactos colosais de objetos celestes que criavam um oceano global de magma derretido, com rocha vaporizada flutuando na atmosfera. Depois que esses bombardeios iniciais cessaram, o planeta enfrentou ciclos repetidos de resfriamento e novo derretimento, causados por quedas esporádicas de asteroides com mais de 500 quilômetros de diâmetro. Esses impactos vaporizavam os oceanos em formação e elevavam a temperatura da superfície em 300 graus Celsius por milênios. Simultaneamente, as camadas do manto terrestre produziam calor extremo através de processos de convecção, destruindo e reconstruindo continuamente a crosta — um cenário completamente hostil para moléculas orgânicas, que se degradam quando expostas a temperaturas acima de 50 graus Celsius.

Mas há cerca de 4,4 bilhões de anos, algo mudou. O bombardeio celeste cessou, a crosta terrestre ganhou estabilidade de longo prazo, e água líquida abundante começou a se acumular. Nesse mesmo período, ambientes geotermais — fontes de calor subterrâneo — passaram a aquecer a água em profundidades rasas, criando nichos onde moléculas orgânicas podiam se formar em ritmo acelerado, muito mais rápido do que em fases posteriores da história terrestre.

Segundo o consenso científico, o surgimento de vida exige duas coisas: a formação natural de moléculas orgânicas em grande quantidade e alta concentração, e um ambiente onde reações químicas complexas e autossustentáveis possam ocorrer. O RNA é considerado a molécula mais promissora para esses primeiros passos, pois consegue tanto armazenar informação genética quanto catalisar as reações necessárias para sua própria replicação — um processo que não depende de outras moléculas mais sofisticadas.

O estudo simulou como os bombardeios celestes afetavam a Terra primitiva e descobriu que a cessação desses eventos, combinada com a presença frequente de ambientes geotermais, criou uma janela de oportunidade. Essa convergência de fatores — estabilidade crustal, água líquida abundante, calor geotérmico constante e ausência de impactos destrutivos — pode ter permitido que um "mundo de RNA" emergisse com relativa rapidez. Se essa hipótese estiver correta, a vida não apenas começou cedo na história do planeta, mas esteve presente durante quase toda ela, alterando fundamentalmente nossa compreensão sobre como e quando a biologia começou.

O 'mundo de RNA' teria sido a transportadora de informações genéticas, coordenando sua própria multiplicação
— Hipótese central do estudo
A vida surgiu com relativa rapidez e esteve presente durante quase toda a história do planeta
— Conclusão dos pesquisadores
Quer a matéria completa? Leia o original em Metrópoles ↗
Fale Conosco FAQ