Ventura: «Justiça deu razão ao Chega» no caso das Gémeas

Duas crianças com atrofia muscular espinal receberam medicamento através de tratamento preferencial baseado em interferência política, enquanto outras crianças portuguesas foram impedidas de acesso ao mesmo tratamento.
A justiça deu razão ao Chega
Ventura reivindica validação da posição do partido após acusação do Ministério Público no caso das Gémeas.
Mark

O que muda agora que o Ministério Público acusou estas quatro pessoas? Ventura conseguiu o que queria?

Mimi

Ventura vê isto como validação. O Chega apontou crimes desde o início, foi ignorado pela maioria parlamentar, e agora a acusação confirma que havia ilegalidades graves. Para ele, é uma vitória política.

Luke

Mas cuidado: uma acusação não é condenação. E Marcelo Rebelo de Sousa não foi acusado. Ventura fala de um "epicentro de influência" junto da Casa Civil, mas isso é interpretação dele, não facto provado.

Mark

Então o que é realmente novo aqui?

Mimi

O Ministério Público documentou que houve interferência política na marcação da consulta, que o medicamento foi dado com base em abuso de poder, e que outras crianças não tiveram acesso. Isso é concreto.

Luke

Verdade. Mas a questão de quanto Marcelo sabia, ou se usou a sua posição, continua em aberto. Ventura está a conectar pontos que a acusação não conectou formalmente.

Mark

E quanto ao Orçamento? Ventura conseguirá influenciar?

Mimi

Improvável. Ele diz que PSD e PS já têm acordo. O Chega quer redução de IVA, menos cativações na Saúde, reforma mais cedo. Nada disso parece estar na mesa.

Luke

Ventura acusa o Governo de dizer que "não tem margem para fazer nada", mas não sabemos se é verdade ou retórica. E a crítica sobre a REN — centenas de milhões para uma empresa chinesa — é uma afirmação que merecia verificação.

Mark

Ele parece estar a tentar manter relevância em vários fronts ao mesmo tempo.

Mimi

Sim. O caso das Gémeas é uma vitória narrativa. O Orçamento é uma batalha que provavelmente vai perder. E a comissão sobre Luís Neves é uma forma de manter pressão sobre o Governo.

Luke

Mas note-se: Ventura diz que a Comissão pode "desculpabilizar" Neves. Isso é uma saída elegante se as conclusões não forem as que ele quer.

  • Quatro arguidos acusados: António Lacerda Sales, Nuno Rebelo de Sousa, Luís Pinheiro e Daniela Martins
  • Medicamento Zolgensma administrado a duas crianças luso-brasileiras com atrofia muscular espinal
  • PSD e PS rejeitaram relatório do Chega que apontava ilegalidades; documento final concluiu ausência de ilegalidade
  • Ministério Público documentou interferência política e abuso de poder na marcação de consulta e tratamento preferencial

Quatro arguidos acusados: ex-secretário de Estado da Saúde, filho de Marcelo Rebelo de Sousa, ex-diretor clínico e mãe das crianças por crimes de prevaricação, abuso de poder e burla. Chega criticiza PSD e PS por terem rejeitado relatório parlamentar que apontava ilegalidades; Ventura destaca que medicamento Zolgensma foi dado com interferência política a crianças luso-brasileiras.

André Ventura afirma que acusação do Ministério Público no caso das Gémeas confirma denúncias do Chega sobre tratamento preferencial e abuso de poder envolvendo políticos e funcionários públicos.

No dia em que o Ministério Público apresentou as acusações no chamado caso das Gémeas, André Ventura, presidente do Chega, concedeu uma entrevista à RTP Notícias para reafirmar que a decisão da justiça validava a posição que o seu partido havia defendido desde o início. Quatro pessoas foram acusadas: António Lacerda Sales, antigo secretário de Estado da Saúde; Nuno Rebelo de Sousa, filho do ex-Presidente Marcelo Rebelo de Sousa; Luís Pinheiro, ex-diretor clínico do Hospital de Santa Maria; e Daniela Martins, mãe das duas crianças. Os três primeiros enfrentam acusações de prevaricação em concurso aparente com abuso de poder. A mãe foi acusada de burla qualificada. O caso envolvia a administração do medicamento Zolgensma a duas crianças com nacionalidade portuguesa e brasileira que sofrem de atrofia muscular espinal, uma doença neurodegenerativa.

Ventura sublinhou o papel do Chega em levar o assunto ao Parlamento, criticando os outros partidos por terem resistido à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. "Os outros partidos não queriam uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Entendiam que o caso não justificava, que era espuma dos dias", afirmou, argumentando que esses partidos "deviam pedir desculpa" após a acusação. O presidente do Chega descreveu o que o seu partido havia identificado desde cedo: uma rede de interesses, cunhas e abusos que permitiram um acesso preferencial à saúde para esta família específica.

O relatório que o Chega preparou enquanto presidia à Comissão apontava crimes claros contra Lacerda Sales, Nuno Rebelo de Sousa, a mãe das crianças e o administrador do Hospital. Porém, o documento final aprovado pela Comissão, após PSD e PS se unirem para afastar o relatório do Chega, concluiu que não havia ocorrido qualquer ilegalidade. Ventura contestou essa conclusão com base na acusação agora apresentada: "Não só houve ilegalidades como foram graves. O Ministério Público deixa claro que houve um tratamento preferencial a uma família. Deixa claro que outras crianças não tiveram acesso a esse tratamento e que a marcação da consulta foi feita no uso de interferência política e abuso de poder."

O líder do Chega foi particularmente crítico de Nuno Rebelo de Sousa, argumentando que o filho do ex-Presidente utilizou o nome do pai para obter acesso a um conjunto de benefícios que resultaram na marcação da consulta, no tratamento preferencial e no acesso ao medicamento. Embora Marcelo Rebelo de Sousa não tenha sido acusado, Ventura identificou um "epicentro de influência junto da Casa Civil" e questionou quantas outras crianças portuguesas e doentes tentaram obter acesso a este medicamento sem terem o apoio presidencial, o filho do Presidente, a Câmara de Comércio Luso-Brasileira ou um secretário de Estado.

Na mesma entrevista, Ventura abordou as negociações orçamentais com o Governo para 2027. Descreveu a reunião entre o Executivo e a representação parlamentar do Chega como "não foi uma boa reunião", e reafirmou a posição do partido sobre a redução de impostos sobre combustíveis, lembrando que essa era a posição do atual primeiro-ministro Luís Montenegro quando era líder da oposição em 2022. O presidente do Chega acusou o PS de "frouxidão" e "cobardia" por não ter aprovado a proposta para baixar o IVA, e dirigiu críticas pessoais a José Luís Carneiro, descrevendo-o como "um homem sem palavra".

Ventura insistiu em outras prioridades para o Orçamento: a redução da idade da reforma, investimento em materiais cirúrgicos e médicos para hospitais que enfrentam carências desde o início do ano, e um orçamento para a Saúde sem cativações. Criticou ainda a gestão do Governo, sugerindo que se menos dinheiro fosse canalizado para a REN, com centenas de milhões a entrarem numa empresa chinesa, seria possível descer o IVA até ao final do ano. Acusou o Executivo de "falta de escrúpulos na gestão da coisa pública".

Quanto à comissão parlamentar de inquérito sobre as polémicas envolvendo o ministro da Administração Interna, Luís Neves, Ventura reafirmou a necessidade de demonstrar que ninguém está acima da lei. Recusou qualquer intenção de ataque pessoal, afirmando: "Não tenho nada contra Luís Neves, nem sequer o conheço". Admitiu mesmo que a Comissão Parlamentar de Inquérito poderia terminar sem conclusões prejudiciais para o ministro, caso os factos o justificassem. Por fim, Ventura respondeu a questões sobre o assalto ao gabinete do Chega no Parlamento, comprometendo-se a responder ao Ministério Público por escrito, e desmentiu qualquer encenação, referindo que o partido recebe ameaças constantes das quais o Ministério Público já tem conhecimento.

Não só houve ilegalidades como foram graves. O Ministério Público deixa claro que houve um tratamento preferencial a uma família.
— André Ventura, presidente do Chega
O filho usou o nome do pai para conseguir ter acesso a este conjunto de benefícios que levou à marcação da consulta, ao tratamento preferencial, aos medicamentos.
— André Ventura, sobre Nuno Rebelo de Sousa
Quieres la nota completa? Lee el original en RTP ↗
Contáctanos FAQ