Ventura critica Trump pela guerra no Irão e custos dos combustíveis na Europa

Não é justo que um país inicie uma guerra e os outros fiquem com os custos
Ventura critica Trump pela escalada no Irão e o impacto nos preços europeus dos combustíveis.
Mark

Ventura está a criticar Trump por uma guerra que Trump não começou sozinho. Como é que isso funciona politicamente?

Mimi

Funciona porque há uma verdade no argumento — os preços dos combustíveis subiram na Europa e isso afeta diretamente as pessoas. Ventura está a canalizar uma frustração real.

Luke

Mas a guerra no Irão não começou em setembro. Isto é uma escalada recente de Trump, certo? Preciso de saber se isto é uma guerra nova ou uma intensificação.

Mimi

É uma escalada. E sim, Ventura está a aproveitar o momento para criticar Trump, mas também está a fazer um argumento sobre a distribuição de custos geopolíticos.

Mark

E a CPI a Luís Neves? Como é que isto se conecta?

Mimi

Não se conecta diretamente. São duas coisas que Ventura está a dizer no mesmo dia. A CPI é sobre política interna portuguesa, sobre investigar o ministro.

Luke

Ventura diz que é a comissão mais importante da história. Isso é uma afirmação muito forte. Baseado em quê?

Mimi

Baseado na ideia de que quebra um padrão — que o PS e o PSD costumam proteger-se mutuamente. Mas é uma interpretação dele, não um facto verificado.

Mark

E o encontro de extremas-direitas? Isso contextualiza o discurso?

Mimi

Sim. Ventura está num espaço de extremas-direitas europeias, a falar sobre soberania europeia e crítica a Trump. É um posicionamento.

Luke

Mas Trump é aliado tradicional das extremas-direitas. Ventura está a criticar um aliado. Isso é notável?

Mimi

É. Mostra que Ventura está a priorizar a questão económica europeia sobre a aliança ideológica.

  • Ventura acusa Trump de ter cometido erros graves no último mês, com a guerra contra o Irão a fazer subir os preços dos combustíveis em toda a Europa — mais do que nos próprios Estados Unidos.
  • A tensão é política e económica: Portugal, Espanha, França e Itália suportam custos de um conflito que não desencadearam, numa distribuição do peso que Ventura considera profundamente injusta.
  • O encontro da Fundação Patriots for Europe, realizado sob o lema da soberania europeia, foi palco de protestos à porta do hotel, sublinhando a divisão que estas plataformas de extrema-direita continuam a provocar.
  • Em paralelo, Ventura pressiona para que a CPI a Luís Neves inicie formalmente os trabalhos até 28 de setembro, antes da discussão orçamental, com resolução esperada na segunda-feira com a liderança de bancada.
  • Para o líder do Chega, esta comissão não é rotina — é, nas suas palavras, a mais importante da história do país, por demonstrar que é possível furar o cordão sanitário que o PS e o PSD mantinham para proteger interesses.

À margem de um encontro de direitas europeias na Ericeira, André Ventura ergueu a voz contra uma ordem que considera injusta: a de que países como Portugal paguem, nos combustíveis, o preço de uma guerra que não iniciaram. O líder do Chega dirigiu as críticas a Donald Trump pela intervenção no Irão, enquanto, em paralelo, pressionava para que a Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves arrancasse antes do debate do Orçamento do Estado — descrevendo-a como um momento raro de rutura com o bloqueio político instalado.

André Ventura saiu do primeiro encontro da Fundação Patriots for Europe, na Ericeira, com críticas afiadas a Donald Trump. O motivo: a guerra contra o Irão e os seus efeitos nos preços dos combustíveis europeus. Para o presidente do Chega, a lógica é simples — não é justo que um país inicie um conflito e outros fiquem com a fatura. Portugal, Espanha, França e Itália estão, segundo Ventura, a pagar mais pelos combustíveis do que os próprios Estados Unidos, numa distribuição de custos que considera inaceitável.

O evento de dois dias decorreu sob o lema "Defender a liberdade, restaurar a soberania, agir pela Europa" e não passou sem contestação: houve protestos à porta do hotel onde decorreu a sessão de encerramento. Ainda assim, foi à margem desse encontro que Ventura aproveitou para falar de outro assunto que o preocupa: a Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves, ministro da Administração Interna.

Ventura quer que a comissão arranque antes da discussão do Orçamento do Estado. O prazo para constituir as diligências formais e apresentar os nomes dos membros era 28 de setembro, e o líder do Chega esperava resolver a questão com a liderança de bancada na segunda-feira. Para ele, esta não é uma comissão como as outras — é, nas suas palavras, a mais importante da história do país, por representar uma quebra no bloqueio que PS e PSD teriam mantido para proteger interesses.

Ainda assim, Ventura foi cuidadoso ao definir os limites da investigação: apurar responsabilidades sem comprometer o prestígio das instituições policiais, da Polícia Judiciária ou do Ministério Público. Uma investigação rigorosa, mas que respeite as estruturas que a conduzem.

André Ventura, presidente do partido Chega, saiu do encontro de extremas-direitas que terminou no sábado numa Ericeira repleta de críticas a Donald Trump. O alvo: a guerra contra o Irão e o efeito em cascata nos preços dos combustíveis europeus. Ventura não poupou palavras. Disse que Trump cometeu muitos erros no último mês, e que o conflito está a afetar toda a economia mundial. Mas o que o incomodava particularmente era a distribuição desigual do peso: Portugal, Espanha, França e Itália estão a pagar mais pelos combustíveis do que os próprios Estados Unidos.

A crítica tinha uma lógica simples, quase elementar. Não é justo, argumentou Ventura, que um país inicie uma guerra e os outros fiquem com a conta. A Europa, na sua perspetiva, está a suportar um custo que não criou. O líder do Chega falava à margem da sessão de encerramento do primeiro encontro da Fundação Patriots for Europe, um evento de dois dias na Ericeira que decorreu sob o lema "Defender a liberdade, restaurar a soberania, agir pela Europa". O encontro não passou despercebido — houve protestos à porta do hotel.

Mas Ventura tinha outro assunto na cabeça quando falou aos jornalistas. A Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves, o ministro da Administração Interna, precisava de começar. E precisava de começar depressa — idealmente antes da discussão do Orçamento do Estado. Ventura esperava que a comissão iniciasse trabalhos nos dias seguintes. Havia um prazo: o dia 28 de setembro para constituir as diligências formais e pedir os nomes dos membros. Na segunda-feira, disse, esperava resolver a questão com a liderança de bancada.

Para Ventura, esta comissão de inquérito não era uma entre muitas. Era, nas suas palavras, a mais importante da história do país. Sem desrespeitar outras — e ele próprio tinha estado em duas — esta era diferente porque mostrava que era possível furar o bloqueio que o PS e o PSD tinham imposto para proteger interesses. Era, na sua leitura, uma quebra no cordão sanitário político. Mas Ventura foi cuidadoso ao desenhar os limites da investigação. A comissão deveria investigar Luís Neves sem pôr em causa o prestígio institucional de quem investiga, das instituições policiais, da Polícia Judiciária, do Ministério Público. A investigação deveria ser rigorosa, mas respeitadora das estruturas que a conduziam.

Acho que o Presidente Trump cometeu muitos erros no último mês. Até à guerra no Irão, penso que está a afetar toda a economia mundial
— André Ventura
A Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves é a mais importante da história do país
— André Ventura
Quer a matéria completa? Leia o original em observador.pt ↗
Fale Conosco FAQ