Quero que muitas crianças migrantes entendam que podem sonhar alto
Em um mundo onde fronteiras frequentemente limitam sonhos, um adolescente venezuelano de 13 anos residente em Belo Horizonte demonstrou que o talento e a curiosidade não reconhecem passaportes. Horacio Neptaly Rojas Conde foi selecionado entre oito jovens para integrar a missão espacial simulada Moon2 em Brasília, tornando-se o primeiro estrangeiro e o primeiro venezuelano a vivenciar esse treinamento inspirado nos procedimentos da NASA. Sua trajetória — da migração em 2019 à credencial de cientista cidadão — é um testemunho silencioso de que oportunidades transformadoras existem para quem encontra as portas certas abertas.
- Uma família venezuelana chega ao Brasil sem computador, sem certezas, mas com dois filhos que enchem a casa de perguntas que a escola pública não consegue conter.
- Aos 13 anos, Horacio já acumula dezenas de medalhas olímpicas, credencial da NASA e uma vaga rara entre oito jovens prodígios selecionados para simular operações lunares em Brasília.
- Durante três dias, ele operou drones de exploração lunar, participou de lançamentos de foguetes e foi designado como vítima em uma missão de resgate — experiências que poucos adultos vivenciam.
- Bolsas no Colégio Loyola, no Sesc Palladium e na missão Moon2 mostram que uma rede de instituições brasileiras está ativamente construindo pontes para talentos de escolas públicas.
- Horacio não quer ser astronauta — quer ser engenheiro e, mais do que isso, quer que outras crianças migrantes saibam que o Brasil guarda oportunidades capazes de transformar vidas.
Há uma semana, Horacio Neptaly Rojas Conde, 13 anos, estava dentro de um lançador espacial simulado em Brasília, operando drones projetados para exploração lunar e vivenciando condições que espelham as de astronautas reais. Venezuelano radicado em Belo Horizonte há sete anos, ele foi um dos oito jovens selecionados para a missão Moon2 — treinamento de três dias realizado pela Wogel Brasil entre 12 e 14 de junho — e o primeiro estrangeiro e venezuelano a participar da iniciativa.
O currículo de Horacio já impressiona: é cientista cidadão credenciado pela NASA, coleciona dezenas de medalhas em olimpíadas científicas e integra a Liga Latino-Americana de Astronomia. Tudo isso começou em 2019, quando sua mãe, Yaksibith, decidiu migrar da Venezuela com ele e seu irmão menor, Otoniel, em busca de melhores condições de vida. Ao chegarem a Belo Horizonte, os filhos se destacaram na escola pública. A família conseguiu um computador, e Horacio foi selecionado entre 2 mil crianças para se tornar aluno do Instituto Ponte, que identifica talentos em escolas públicas e abre portas de desenvolvimento.
Este ano, conquistou bolsa no Colégio Loyola. Ele e o irmão também são bolsistas no Sesc Palladium, onde estudam violino e xadrez. Para a missão Moon2, recebeu bolsa integral que cobriu hospedagem e alimentação. Durante a simulação, viveu um dos momentos mais intensos ao ser designado como vítima de uma missão de resgate, com os colegas executando todos os procedimentos de salvamento.
Apesar da trajetória, Horacio não sonha em ser astronauta — quer ser engenheiro. E seu objetivo vai além da própria carreira: 'Quero que muitas crianças migrantes, assim como eu, entendam que podem sonhar alto. O Brasil tem oportunidades incríveis e a ciência pode transformar vidas.' Aos 13 anos, ele já é, ele mesmo, a prova disso.
Há uma semana, Horacio Neptaly Rojas Conde estava dentro de um lançador espacial simulado em Brasília, operando drones projetados para exploração lunar, vivenciando as mesmas condições que astronautas reais enfrentariam a 384.400 quilômetros de distância, rumo à Lua. O menino de 13 anos, venezuelano que vive em Belo Horizonte há sete anos, foi um dos oito jovens selecionados para a missão Moon2, um treinamento de três dias realizado pela Wogel Brasil entre 12 e 14 de junho. Mais notável ainda: foi o primeiro estrangeiro e o primeiro venezuelano a participar dessa simulação.
O currículo de Horacio, mesmo aos 13 anos, já impressiona. Ele é cientista cidadão credenciado pela NASA, credenciamento concedido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o que lhe permite colaborar em projetos de pesquisa espacial e climática. Coleciona dezenas de medalhas em olimpíadas científicas. É membro da Liga Latino-Americana de Astronomia. Integra entidades dedicadas a estudantes de alto desempenho no Brasil. "Eu gosto muito de foguetes, de participar de olimpíadas científicas e de aprender sobre o espaço", diz ele, com a simplicidade de quem fala de suas paixões genuínas.
A trajetória que o levou até Brasília começou em 2019, quando sua mãe, Yaksibith Yohana Conde Artigas, de 44 anos, decidiu migrar da Venezuela com Horacio e seu irmão menor, Otoniel Josue, de 10 anos, em busca de melhores condições de vida. Quando chegaram a Belo Horizonte, ela percebeu rapidamente que seus filhos se destacavam na escola pública, retornando para casa repletos de curiosidade e questões. A família não tinha sequer um computador naquela época. Conseguiram arrumar um. Horacio foi selecionado como embaixador de projetos para jovens talentos e escolhido entre 2 mil crianças para se tornar aluno do Instituto Ponte, instituição que identifica estudantes de escolas públicas com desempenho acima da média e oferece oportunidades de educação e desenvolvimento.
Este ano, Horacio conquistou bolsa de estudos para o Colégio Loyola, no bairro Cidade Jardim, em Belo Horizonte. Tanto ele quanto seu irmão também são bolsistas no Sesc Palladium, onde estudam violino e xadrez. Para a missão Moon2, recebeu bolsa integral que cobriu hospedagem e alimentação durante os três dias de treinamento em Brasília.
Durante a simulação, Horacio participou de atividades que espelhavam as operações reais da NASA: treinamentos técnicos, simulações de campo, lançamento de foguetes, operações com drones e uma missão simulada de exploração da superfície lunar. Em um dos momentos mais intensos, foi designado como a vítima de uma missão de resgate, e os outros participantes tiveram de executar todos os procedimentos de atendimento e salvamento. "Foi uma experiência muito intensa", relata.
Apesar de parecer natural que um menino com essa trajetória sonhasse em ser astronauta, Horacio tem outros planos. Quer se tornar engenheiro. Seu objetivo, porém, vai além de sua própria carreira. "Quero que muitas crianças migrantes, assim como eu, entendam que podem sonhar alto. O Brasil tem oportunidades incríveis e a ciência pode transformar vidas", diz. Aos 13 anos, ele já compreende que sua história é um testemunho vivo de que o acesso à educação de qualidade e ao apoio institucional pode abrir caminhos que pareciam impossíveis.
Notable Quotes
Eu gosto muito de foguetes, de participar de olimpíadas científicas e de aprender sobre o espaço— Horacio Neptaly Rojas Conde
Quero que muitas crianças migrantes, assim como eu, entendam que podem sonhar alto. O Brasil tem oportunidades incríveis e a ciência pode transformar vidas— Horacio Neptaly Rojas Conde
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como um menino de 13 anos, recém-chegado de outro país, consegue se destacar tanto em um campo tão competitivo quanto a ciência espacial?
Acho que tem a ver com curiosidade genuína. Horacio não está fazendo isso porque alguém mandou. Ele gosta de foguetes, de olimpíadas científicas. Quando você tem essa paixão de verdade, as portas começam a se abrir — professores veem, instituições veem.
Mas a família dele não tinha nem computador quando chegou ao Brasil. Como isso não virou um obstáculo intransponível?
Porque houve instituições dispostas a investir. O Instituto Ponte identificou ele entre 2 mil crianças. O Colégio Loyola ofereceu bolsa. O Sesc ofereceu bolsa. Não é magia — é sistema funcionando. Mas também é raro funcionar assim.
Ele foi o primeiro estrangeiro nessa simulação da NASA. Isso muda algo na história?
Muda porque mostra que não há barreira de nacionalidade quando você tem talento e dedicação. Mas também mostra que muitos outros meninos e meninas migrantes provavelmente nunca vão nem saber que essa oportunidade existe.
Qual é o sonho dele, afinal?
Ser engenheiro, não astronauta. E isso é importante. Ele quer usar a engenharia para inspirar outras crianças migrantes. Não é sobre ele chegar à Lua — é sobre abrir caminho para quem vem depois.
Aos 13 anos, ele já pensa assim?
Sim. E isso talvez seja o mais notável de tudo.