Venezuelano baleado pelo ICE enfrenta acusações que podem resultar em até 20 anos de prisão

Wilber Garcés permanece com bala alojada próxima à coluna vertebral, enfrentando risco grave à vida conforme médicos, e está detido em centro para imigrantes sem acesso adequado a analgésicos.
Nove dias depois de levar um tiro, ainda tem uma bala nas costas
A defesa de Garcés descreve sua situação médica crítica enquanto permanece detido enfrentando acusações criminais.
Mark

Como exatamente um homem que estava sendo detido conseguiu dirigir seu carro?

Mimi

Segundo a acusação, ele entregou a carteira de motorista aos agentes, mas quando lhe pediram para sair do veículo, ele retomou a direção em vez de obedecer.

Luke

Mas a versão dele é diferente — ele diz que pediu permissão para estacionar em um lugar seguro primeiro. Temos apenas a versão dos agentes sobre o que aconteceu depois.

Mark

E quanto ao disparo? O agente disse que Garcés tentou atropelá-lo?

Mimi

Sim, o agente L.G. alegou isso. Garcés diz que tentava apenas se deslocar para estacionar, não atropelar ninguém.

Luke

Não há câmeras de segurança mencionadas, não há testemunhas independentes citadas. Temos duas narrativas completamente opostas sobre o mesmo evento.

Mark

Ele está enfrentando 20 anos de prisão, mas ainda tem uma bala nas costas?

Mimi

Exatamente. Nove dias depois do disparo, a bala continua alojada perto de sua coluna vertebral. Médicos dizem que ele corre grave risco.

Luke

E isso levanta uma questão: como ele está sendo processado criminalmente enquanto permanece em risco médico grave? Sua defesa pediu libertação e hospitalização.

Mark

Qual é o contexto político aqui?

Mimi

Essas operações migratórias fazem parte da agenda do presidente Trump. Legisladores democratas e grupos de direitos humanos criticam o que chamam de uso excessivo de força.

Luke

O caso de Garcés não é isolado — a defesa menciona pelo menos dois outros incidentes fatais este ano. Mas precisamos ser claros: cada caso tem seus próprios fatos. Não podemos automaticamente ligar um ao outro.

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

Uma audiência de habeas corpus em San Antonio na quarta-feira. A defesa quer que ele seja libertado e receba atendimento médico.

Luke

E se a audiência negar o pedido? Garcés continuaria detido com uma bala nas costas enquanto enfrenta acusações que podem resultar em duas décadas de prisão.

  • Garcés permanece detido com uma bala nas costas, sem acesso adequado a analgésicos, enquanto médicos alertam para risco grave à vida — uma urgência médica que o Estado parece ignorar.
  • As versões sobre o incidente são radicalmente opostas: a acusação diz que ele tentou atropelar um agente; ele diz que apenas pediu para estacionar com segurança antes de se entregar.
  • Sua advogada soube da audiência federal somente quando Garcés não apareceu para uma reunião programada, revelando a opacidade com que o caso vem sendo conduzido.
  • Legisladores democratas, autoridades locais e grupos de direitos humanos exigem investigação independente, citando outros imigrantes mortos em operações do ICE este ano.
  • Uma audiência de habeas corpus marcada para quarta-feira em San Antonio pode determinar se Garcés receberá tratamento médico — ou continuará detido à beira de uma crise irreversível.

No Texas, um jovem venezuelano de 28 anos comparece a um tribunal federal com uma bala alojada perto da coluna vertebral — ferimento sofrido durante uma operação de deportação do ICE nove dias antes. Wilber Garcés enfrenta acusações que podem resultar em até 20 anos de prisão, enquanto sua defesa e organizações humanitárias questionam se o Estado cumpre seu dever mais elementar: preservar a vida daqueles sob sua custódia. O caso ecoa uma tensão antiga entre a força da lei e a fragilidade do corpo humano, tornada ainda mais aguda em tempos de endurecimento das políticas migratórias.

Wilber Garcés tinha 28 anos e trabalhava como entregador quando agentes do ICE o abordaram em 20 de setembro, durante uma operação de deportação autorizada por ordem judicial de imigração. Ele entregou sua carteira de motorista. O que aconteceu a seguir é disputado: a acusação afirma que ele ignorou ordens, retomou a direção e atingiu um agente com o retrovisor, levando outro agente a atirar. Garcés conta uma história diferente — diz que pediu permissão para estacionar em local seguro antes de se entregar, e que foi impedido, teve o carro golpeado e então foi baleado.

Nove dias depois, ele compareceu a um tribunal federal em Texas com a bala ainda alojada perto da coluna vertebral. O Departamento de Justiça o denunciou por agressão, resistência, obstrução e perturbação do trabalho de autoridade — acusações que somadas podem resultar em até 20 anos de prisão. Enquanto isso, médicos alertam que sua condição representa risco grave à vida, e sua equipe jurídica relata que ele estava com dor intensa e enjoado, sem acesso aos analgésicos de que necessitava.

A advogada Kate Lincoln-Goldfinch e sua equipe só souberam da audiência quando Garcés não apareceu para uma reunião programada naquela manhã. Eles pediram sua libertação imediata e transferência para um hospital. A defesa também evocou outros casos do ano: Lorenzo Salgado Araujo, mexicano morto em Houston, e Joan Sebastián Guerrero, colombiano morto no Maine — argumentando que o governo está, nas palavras dos advogados, 'brincando com a vida' de Garcés ao negar-lhe cuidados médicos urgentes.

O caso alimenta um debate mais amplo sobre o uso de força nas operações migratórias da era Trump. Congressistas, autoridades locais e organizações humanitárias pedem investigação independente. O ICE e o Escritório de Investigações de Segurança Interna dizem analisar o incidente. Uma audiência de habeas corpus marcada para quarta-feira em San Antonio deve decidir se Garcés será libertado — e se receberá o tratamento que sua defesa considera uma questão de vida ou morte.

Wilber Garcés, um cidadão venezuelano de 28 anos, compareceu perante um tribunal federal no Texas na terça-feira com uma bala alojada perto da coluna vertebral. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos o denunciou por agressão, resistência, obstrução e perturbação do trabalho de autoridade — acusações que podem resultar em até 20 anos de prisão em penitenciária federal. Nove dias antes, em 20 de setembro, agentes do ICE o detiveram durante uma operação de deportação após um juiz de imigração emitir uma ordem final contra ele.

Garcés trabalhava como entregador quando foi abordado. Segundo documentos judiciais, ele entregou sua carteira de motorista aos agentes, que lhe ordenaram estacionar e sair do veículo. De acordo com a acusação, ele ignorou essas ordens, retomou a direção e atingiu um dos agentes com o retrovisor. Um agente identificado pelas iniciais L.G. alegou que Garcés tentou atropelá-lo e disparou sua arma em resposta.

A versão de Garcés, contada por telefone à imprensa enquanto permanecia detido em um centro para imigrantes, difere significativamente. Ele afirma ter pedido aos agentes do ICE permissão para estacionar seu carro em um local seguro antes de se entregar. Segundo seu relato, quando tentou se deslocar para fazer isso, os agentes o impediram, bateram em seu carro e depois dispararam.

Sua defesa, liderada pela advogada Kate Lincoln-Goldfinch, descobriu sobre o comparecimento em tribunal apenas quando Garcés não apareceu para uma reunião programada naquela manhã. Os advogados solicitaram sua libertação e transferência para um hospital. Nove dias após ser baleado, Garcés permanecia com a bala nas costas. Médicos alertaram que ele corre grave risco por causa disso. Na terça-feira, segundo sua equipe legal, ele estava com dor considerável, enjoado e precisava de analgésicos que não lhe foram proporcionados.

Este caso se insere em um padrão mais amplo de incidentes durante operações migratórias promovidas pelo presidente republicano Donald Trump. Legisladores democratas e organizações humanitárias criticaram essas operações pelo que descrevem como uso excessivo de força. Autoridades locais, grupos de direitos humanos e congressistas pediram uma investigação independente. O ICE e o Escritório de Investigações de Segurança Interna analisam o caso.

A defesa de Garcés citou outros incidentes deste ano envolvendo agentes do ICE: Lorenzo Salgado Araujo, um mexicano morto em Houston, e Joan Sebastián Guerrero, um jovem pai colombiano morto no Maine. Os advogados argumentam que, em vez de fornecer o atendimento médico necessário para salvar a vida de Garcés, o Departamento de Segurança Interna e o governo estão "brincando com sua vida".

Uma audiência para decidir sobre um pedido de habeas corpus estava marcada para quarta-feira em San Antonio. O resultado dessa audiência determinará se Garcés será libertado e receberá o atendimento médico que sua defesa considera urgente.

Nove dias depois de levar um tiro do ICE, Wilber ainda tem uma bala alojada nas costas. Os médicos afirmam que ele corre grave risco por causa disso.
— Equipe de defesa de Wilber Garcés, liderada pela advogada Kate Lincoln-Goldfinch
Em vez de lhe dar o atendimento médico do qual precisa para se salvar, o DHS e o governo estão brincando com sua vida.
— Advogados de Garcés
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