No coração das negociações corporativas brasileiras, a CSN tenta converter sua divisão de cimentos em alívio financeiro, mas esbarra numa distância de bilhões entre o que precisa e o que o mercado oferece. Dois pretendentes sérios — um consórcio ítalo-brasileiro e uma gigante chinesa — permanecem na disputa, porém sem que os números se aproximem o suficiente para selar um acordo. É a tensão clássica entre a urgência de quem vende e a cautela de quem compra, num momento em que o tempo pesa mais para um lado da mesa do que para o outro.
Venda da CSN Cimentos segue indefinida com divergências sobre preço
A diferença de R$ 5 bilhões não é detalhe contábil
Por que a CSN está vendendo a unidade de cimentos agora?
Precisa de dinheiro. A empresa tem dívida alta e a venda geraria caixa para reduzir esse passivo. É uma decisão estratégica, não uma oportunidade casual.
E por que os compradores oferecem menos do que a CSN pede?
Porque acham que vale menos. Ou porque sabem que a CSN está sob pressão e pode ceder. Negociação é sempre isso — cada lado testando o limite do outro.
Qual é o risco se a venda não sair?
A CSN pode ficar sem o dinheiro que precisa e buscar outras formas de lidar com a dívida. Pode vender outras coisas, fazer reestruturação, tomar mais empréstimo. O plano original fica para trás.
Os compradores sabem disso?
Provavelmente. Por isso oferecem R$ 10 bilhões quando a CSN pede R$ 15. Eles têm tempo. A CSN não.
A Huaxin e o consórcio Votorantim-Cementir são rivais reais?
Parecem ser. Ambos continuam na disputa, ambos têm capacidade financeira. Mas ninguém sabe se vão subir a oferta ou se estão esperando a CSN desistir e aceitar menos.
O Pulso
- A CSN precisa vender sua divisão de cimentos para reduzir uma dívida que pressiona as finanças da companhia — não é uma escolha estratégica, é uma necessidade.
- As ofertas iniciais de R$ 10 bilhões chegaram R$ 5 bilhões abaixo do pedido original, criando um impasse que paralisa a transação.
- A empresa recuou de R$ 15 bilhões para pelo menos R$ 12 bilhões, mas mesmo essa concessão ainda não foi suficiente para aproximar as partes.
- Huaxin e o consórcio Votorantim-Cementir seguem na disputa, enquanto nenhum dos envolvidos confirma publicamente os termos ou o andamento real das conversas.
- Se o acordo não avançar, o mercado teme que a CSN precise recorrer a outras estratégias de gestão de dívida, colocando em risco o próprio plano de desinvestimento.
No coração das negociações corporativas brasileiras, a CSN tenta converter sua divisão de cimentos em alívio financeiro, mas esbarra numa distância de bilhões entre o que precisa e o que o mercado oferece. Dois pretendentes sérios — um consórcio ítalo-brasileiro e uma gigante chinesa — permanecem na disputa, porém sem que os números se aproximem o suficiente para selar um acordo. É a tensão clássica entre a urgência de quem vende e a cautela de quem compra, num momento em que o tempo pesa mais para um lado da mesa do que para o outro.
A venda da divisão de cimentos da CSN está travada não por falta de interessados, mas por uma diferença bilionária entre o que a empresa quer receber e o que os compradores estão dispostos a pagar.
Dois grupos seguem na disputa: a chinesa Huaxin e um consórcio formado pela brasileira Votorantim e pela italiana Cementir. As propostas iniciais ficaram em torno de R$ 10 bilhões — longe dos R$ 15 bilhões que a CSN pediu no início das negociações. Diante do impasse, a empresa sinalizou que aceitaria pelo menos R$ 12 bilhões, mas mesmo esse recuo não foi suficiente para fechar o gap.
A operação é assessorada pelo Morgan Stanley e responde a uma necessidade concreta: levantar caixa e aliviar o endividamento da companhia. O risco, caso as negociações não avancem, é que a CSN precise buscar outras saídas para sua dívida — o que poderia atrasar ou até inviabilizar o desinvestimento.
Enquanto o impasse do cimento persiste, a CSN contratou Bradesco BBI e Citi para conduzir a venda de uma participação minoritária em suas operações de infraestrutura e logística — outro movimento no esforço mais amplo de reequilibrar suas finanças. Votorantim Cimentos e CSN não comentaram; a Huaxin não respondeu.
A venda da unidade de cimentos da CSN segue presa em negociações sem data para conclusão. O problema não é falta de interessados — há pelo menos dois grupos sérios na disputa. O problema é dinheiro: quanto vale essa operação, afinal?
Este mês, a CSN anunciou publicamente que havia recebido propostas pela divisão de cimentos, mas manteve em sigilo os nomes dos proponentes. Reportagens anteriores já haviam identificado os principais candidatos: a empresa chinesa Huaxin e um consórcio formado pela Votorantim, do Brasil, e pela Cementir, da Itália. Ambos continuam na corrida, segundo fontes com conhecimento direto das conversas.
Mas as ofertas iniciais chegaram com um número que decepcionou. Os proponentes colocaram na mesa algo próximo a R$ 10 bilhões. A CSN, porém, havia começado as negociações pedindo R$ 15 bilhões. A diferença de R$ 5 bilhões não é detalhe contábil — é o tipo de lacuna que paralisa transações. Uma das fontes ouvidas pela Reuters confirmou que a meta da CSN caiu para pelo menos R$ 12 bilhões, uma concessão, mas ainda distante das ofertas que chegaram. A outra fonte confirmou a cifra original de R$ 15 bilhões, mas sugeriu que a empresa pode estar disposta a aceitar menos, embora ninguém tenha dito qual seria esse piso.
O Morgan Stanley assessora a transação do lado da CSN. A venda faz parte de uma estratégia maior: levantar caixa e reduzir o endividamento da companhia. Não é um capricho de preço — é necessidade financeira. Se as ofertas continuarem aquém do esperado, há preocupação no mercado de que a CSN recorra a outras medidas para lidar com sua dívida, o que teria como efeito colateral adiar ou até cancelar o plano de desinvestimento.
A Votorantim Cimentos e a CSN declinaram de comentar. A Huaxin não respondeu aos pedidos de esclarecimento. Enquanto isso, a CSN também contratou o Bradesco BBI e o Citi para gerenciar a venda de uma participação minoritária em suas operações de infraestrutura e logística — outro movimento no tabuleiro de xadrez financeiro da companhia, enquanto a negociação do cimento segue travada.
Citações Notáveis
A CSN pode buscar alguma outra estratégia para gerir a dívida caso as ofertas continuem abaixo do esperado— Fonte familiarizada com as negociações