Num domingo de outubro, o Brasil reconduziu Lula ao Planalto por uma margem estreita de pouco mais de três pontos, numa eleição em que quase um terço dos eleitores preferiu ficar em casa, ainda que tenha sido o menor abstencionismo em duas décadas. Depois do veredicto nacional, a Folha traduziu esse resultado em geografia: um mapa que pinta cada bairro e distrito do país, revelando que a política também tem endereço, vizinhança e fronteiras que nem sempre coincidem com a memória afetiva das cidades. A ferramenta convida cada leitor a procurar a própria rua e a reconhecer, nas cores, o retrato
Veja como votaram todos os bairros do Brasil em mapa interativo
A abstenção foi de 30,4 milhões, a menor em 20 anos
Por que um mapa por bairro importa, se já temos o resultado nacional?
Porque o resultado nacional esconde o desenho interno. O mapa mostra, dentro de cada cidade, onde Lula e onde Flávio Bolsonaro venceram, e também onde a abstenção foi maior.
Mas o que o mapa de fato prova? Ele mostra quem venceu em cada área, não por que as pessoas votaram assim.
Exato, ele descreve o voto, não explica as motivações. A reportagem não propõe interpretações.
Como os dados foram construídos?
Cruzando boletins de urna com as localizações do TSE e agrupando os locais de votação por bairro, pelos critérios do IBGE.
Isso significa que o bairro do mapa pode não ser o bairro que o morador conhece.
Sim. Em São Paulo, Higienópolis, Pompeia e Bixiga, por exemplo, não contam como bairros para o IBGE.
Há algo que ficou de fora?
Cerca de 1% dos locais de votação não foi geolocalizado pelo TSE. A fonte não diz quantos eleitores isso representa, então não dá para medir o efeito no resultado.
E as áreas em cinza simplesmente não têm local de votação.
Le Pouls
- Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, numa disputa decidida por pouco mais de três pontos.
- Um mapa interativo colore cada bairro do país: vermelho para o petista, amarelo para o candidato do PL, expondo o contraste entre regiões.
- A tensão aparece nos limites: bairros que o público conhece, como Pompeia ou Bixiga, não existem para o IBGE e somem da leitura.
- Cerca de 1% dos locais de votação não foi geolocalizado pelo TSE, deixando lacunas no levantamento que o leitor precisa ter em mente.
- A abstenção de 30,4 milhões de eleitores, a menor em 20 anos, ganha uma aba própria para mostrar onde o silêncio das urnas se concentrou.
Num domingo de outubro, o Brasil reconduziu Lula ao Planalto por uma margem estreita de pouco mais de três pontos, numa eleição em que quase um terço dos eleitores preferiu ficar em casa, ainda que tenha sido o menor abstencionismo em duas décadas. Depois do veredicto nacional, a Folha traduziu esse resultado em geografia: um mapa que pinta cada bairro e distrito do país, revelando que a política também tem endereço, vizinhança e fronteiras que nem sempre coincidem com a memória afetiva das cidades. A ferramenta convida cada leitor a procurar a própria rua e a reconhecer, nas cores, o retrato de onde vive.
No domingo (25), o Brasil reelegeu Lula (PT) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). A disputa foi apertada, decidida por pouco mais de três pontos, e a abstenção caiu para 30,4 milhões de eleitores, a menor em duas décadas.
Com o resultado nacional em mãos, a Folha lançou um mapa interativo que mostra como votou cada bairro ou distrito do país no segundo turno. Vermelho indica vitória do petista, amarelo indica vitória do candidato do PL. O leitor escolhe um município e vê quem venceu em cada região, quantos votos recebeu cada candidato e como foi o primeiro turno. Uma aba separada mostra a abstenção por faixas de cor, além dos votos brancos e nulos.
O levantamento cruzou os boletins de urna com as localizações de votação do TSE e agrupou os dados pelos critérios do IBGE. Essa escolha tem um efeito prático: a divisão do instituto nem sempre bate com o CEP ou com o Google Maps. Em São Paulo, Higienópolis, Vila Buarque, Pompeia, Aclimação e Bixiga não são bairros para o IBGE e, por isso, não aparecem como unidades próprias.
As limitações também precisam ser lidas. Áreas cinzas não têm locais de votação, cidades sem delimitação interna não têm divisão oficial de bairros, e cerca de 1% dos locais não foi geolocalizado pelo tribunal, ficando fora da conta. Ainda assim, a ferramenta permite que cada eleitor encontre o próprio bairro e veja como sua cidade votou.
No domingo (25), o Brasil reelegeu o presidente Lula (PT) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). Foi uma disputa apertada, decidida por pouco mais de três pontos percentuais. A abstenção no segundo turno chegou a 30,4 milhões de eleitores, o menor número em 20 anos.
Depois do resultado nacional, a Folha publicou um mapa interativo que mostra como votaram todos os bairros ou distritos do país no segundo turno. As áreas em vermelho indicam que o petista recebeu a maioria dos votos. As áreas em amarelo indicam vitória do candidato do PL.
O leitor escolhe um município e vê qual candidato venceu em cada região, quantos votos cada um recebeu e quais foram os resultados do primeiro turno. Há ainda uma aba dedicada à abstenção, que mostra por faixas de cor o percentual de eleitores que não compareceram, além dos votos brancos e nulos.
Para montar o levantamento, a reportagem cruzou os boletins de urna com as localizações dos locais de votação fornecidas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em seguida, agrupou esses locais por bairro, seguindo os critérios do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Essa escolha tem consequências práticas. A definição do IBGE pode diferir da que aparece no CEP ou em buscadores de endereço, como o Google Maps. Em São Paulo, por exemplo, Higienópolis, Vila Buarque, Pompeia, Aclimação e Bixiga não são consideradas bairros pelo instituto, e por isso não aparecem como unidades próprias no mapa.
O mapa tem outras limitações. Áreas em cinza não têm locais de votação. Cidades exibidas sem delimitação interna não possuem divisão de bairros ou distritos segundo o IBGE. Cerca de 1% dos locais de votação não foi geolocalizado pelo tribunal e, por isso, ficou fora do levantamento.
A ferramenta permite que cada eleitor consulte o próprio bairro e veja como sua cidade votou, com a ressalva de que a divisão territorial segue o IBGE e não necessariamente o nome pelo qual a região é conhecida.