Em Guarulhos, na Grande São Paulo, um roubo aparentemente ordinário revelou uma camada mais profunda de vulnerabilidade: o veículo levado por criminosos na manhã de 1º de outubro carregava Actínio-225, substância radioativa destinada ao tratamento de um paciente com câncer. O episódio nos lembra que a fronteira entre o cotidiano e o extraordinário pode ser atravessada em segundos — e que materiais concebidos para curar podem, quando deslocados de seu propósito, tornar-se motivo de inquietação coletiva. As autoridades buscam recuperar o material com segurança, enquanto a população é convocada à
Veículo com Actínio-225 é roubado em Guarulhos; ANSN orienta população a não manipular
A embalagem não pode ser aberta. Se manipulada, torna-se difícil de conter.
Por que exatamente esse material foi roubado? Parece um alvo muito específico para criminosos comuns.
Não sabemos. O que temos é que o veículo foi abordado durante o trajeto do aeroporto para o hospital. Pode ter sido roubo de oportunidade — uma van de transporte que pareceu fácil — ou algo direcionado. A ANSN não comentou sobre isso.
E aqui está o problema: não temos informação sobre a investigação criminal. Quem abordou o motorista? Havia mais de uma pessoa? Isso importa para entender se foi crime organizado ou improviso.
A ANSN diz que o material não oferece risco. Então por que as pessoas deveriam se preocupar?
Porque "não oferece risco se mantido lacrado" é diferente de "não oferece risco". Se alguém abrir a embalagem por curiosidade ou ignorância, a situação muda. É uma substância líquida radioativa — não é algo que você quer espalhado.
Exato. E o decaimento natural que mencionam — reduz pela metade a cada dez dias — significa que quanto mais tempo passar, menos perigoso fica. Mas ninguém sabe há quanto tempo está desaparecido quando essa reportagem foi publicada.
O paciente que precisava desse material — o que acontece com ele?
A reportagem não diz. Presume-se que o tratamento foi adiado ou cancelado, mas não há confirmação.
Isso é uma lacuna importante. Um paciente com câncer de próstata estava esperando por um tratamento específico que agora não pode receber. Mas a reportagem não explora isso.
Os criminosos removeram o rastreador. Eles sabiam o que estavam fazendo?
Ou sabiam, ou aprenderam rápido. Removeram o rastreador do material, mas deixaram o carro. Isso sugere que o alvo era o conteúdo, não o veículo.
Ou não. Podem ter removido tudo que parecia eletrônico sem saber exatamente o que era. Não temos evidência de inteligência prévia.
El Pulso
- Um furgão roubado em Guarulhos escondia mais do que se imaginava: dentro dele, Actínio-225 importado dos EUA e destinado a um paciente oncológico desapareceu junto com o veículo.
- O rastreador acoplado ao material radioativo foi removido pelos criminosos, deixando as autoridades sem saber onde a substância se encontra neste momento.
- O veículo foi localizado desmontado, mas a embalagem com o Actínio-225 não — transformando um roubo comum em uma operação de segurança nuclear.
- A ANSN garante que o risco é baixo enquanto a embalagem permanecer intacta, mas alerta que qualquer manipulação pode tornar o líquido radioativo difícil de conter.
- A população recebe orientação direta: não tocar, não abrir, isolar a área e acionar imediatamente o Instituto de Radioproteção e Dosimetria pelos números divulgados pela agência.
Em Guarulhos, na Grande São Paulo, um roubo aparentemente ordinário revelou uma camada mais profunda de vulnerabilidade: o veículo levado por criminosos na manhã de 1º de outubro carregava Actínio-225, substância radioativa destinada ao tratamento de um paciente com câncer. O episódio nos lembra que a fronteira entre o cotidiano e o extraordinário pode ser atravessada em segundos — e que materiais concebidos para curar podem, quando deslocados de seu propósito, tornar-se motivo de inquietação coletiva. As autoridades buscam recuperar o material com segurança, enquanto a população é convocada à vigilância e à prudência.
Na manhã de 1º de outubro, um Citroën Jumpy-Furgão foi roubado em Guarulhos enquanto seu motorista seguia para o Hospital A.C.Camargo. O que tornava o veículo diferente de qualquer outro era sua carga: Actínio-225, substância radioativa importada dos Estados Unidos e destinada ao tratamento de um paciente com câncer de próstata. O material havia sido retirado do Aeroporto Internacional de Guarulhos por uma transportadora autorizada pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).
A agência foi rápida em contextualizar o risco. O Actínio-225 emite partículas alfa, com baixo poder de penetração pela pele humana, e sua atividade se reduz pela metade a cada dez dias. Mantida lacrada, a embalagem não representa perigo imediato. O problema está justamente na possibilidade de abertura: se manipulada, a substância líquida torna-se difícil de controlar.
O furgão foi encontrado — mas desmontado. Pior: o rastreador que acompanhava o material radioativo havia sido removido pelos criminosos. O paradeiro da embalagem permanece desconhecido. Alessandro Facure, diretor da ANSN, reforçou que o risco para quem estiver próximo é baixo, desde que ninguém mexa na embalagem.
As orientações às pessoas que eventualmente encontrarem o material são claras: não tocar, não abrir, manter distância e acionar imediatamente o Instituto de Radioproteção e Dosimetria pelos telefones (21) 99304-9453 e (21) 99299-2620. A ANSN acompanha o caso e trabalha para recuperar o material com segurança. O que começou como um roubo ordinário converteu-se em uma operação de escala nuclear — com uma substância criada para curar à espera de ser encontrada.
Na manhã de quinta-feira, 1º de outubro, um Citroën Jumpy-Furgão com placa GGJ-3G06 foi roubado em Guarulhos, na Grande São Paulo. O veículo não transportava mercadoria comum — dentro dele estava Actínio-225, um material radioativo destinado ao tratamento de um paciente com câncer de próstata no Hospital A.C.Camargo. A substância havia sido importada dos Estados Unidos e retirada do Aeroporto Internacional de Guarulhos por uma empresa de transporte autorizada pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). O motorista seguia para o hospital quando foi abordado por criminosos.
O roubo levanta questões imediatas sobre segurança e risco público, mas a ANSN oferece uma avaliação que, embora exija cuidado, não soa alarmista. De acordo com a agência, a quantidade de Actínio-225 transportada, mantida na forma como estava acondicionada, não representa perigo. O material é um emissor de partículas alfa, que têm baixo poder de penetração através da pele humana. Além disso, o Actínio-225 decai naturalmente — sua atividade reduz pela metade a cada dez dias. Mas há um porém crucial: a embalagem não pode ser aberta. Se manipulada ou exposta, a substância líquida torna-se difícil de conter.
O veículo foi localizado após o roubo, mas em estado comprometido — estava desmontado. Mais preocupante ainda: tanto o carro quanto o material radioativo possuíam rastreadores, mas o equipamento que acompanhava o Actínio-225 foi removido pelos criminosos. Isso significa que, neste momento, as autoridades não sabem onde está o material. O paradeiro da embalagem e seu conteúdo permanecem desconhecidos.
A ANSN divulgou orientações claras para a população. Caso o veículo, a embalagem ou o material sejam encontrados, ninguém deve tocar, abrir ou manipular o conteúdo. A instrução é manter a área isolada e comunicar imediatamente as autoridades. Os telefones de contato do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD), ligado à ANSN, são (21) 99304-9453 e (21) 99299-2620. Alessandro Facure, diretor da agência, reforçou que o risco para pessoas próximas ao material é baixo, desde que a embalagem permaneça intacta.
A Secretaria da Segurança Pública não forneceu informações adicionais até o momento da publicação. A ANSN informou que acompanha o caso e adota as medidas necessárias para localizar e recuperar o material de forma segura. O que começou como um roubo comum transformou-se em uma operação de segurança nuclear, com autoridades buscando recuperar uma substância que, embora de baixo risco em seu estado atual, não deve estar nas mãos de criminosos.
Citas Notables
A quantidade de material radioativo transportada, da forma como estava acondicionada, não é perigosa. No entanto, a embalagem não pode ser aberta, pois o produto é difícil de ser contido.— Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN)
O Actínio-225 apresenta baixo risco para pessoas que eventualmente estejam próximas ao material. Ele é um emissor de partículas alfa, que possuem baixo poder de penetração através da pele humana.— Alessandro Facure, diretor da ANSN