Vasco recorreu da suspensão do processo e pediu tutela de urgência ao TJ-RJ, pois a indicação do estádio precisa ser feita até 5 de outubro. Consórcio Fla-Flu argumenta que três partidas em cinco dias prejudicaria o gramado, que já foi danificado pelo jogo da NFL no domingo anterior.
Vasco recorre na Justiça e acelera disputa pelo Maracanã contra o Boca
O gramado novo suporta sete partidas em vinte dias, desde que sejam de Flamengo e Fluminense
Por que o Vasco não consegue simplesmente usar o Maracanã? É um estádio público, não é?
Tecnicamente é público, mas o Consórcio Fla-Flu tem a administração. E eles argumentam que o gramado não aguenta mais um jogo naquele período — já teve o jogo da NFL, precisa se recuperar.
Mas o calendário do próprio Maracanã tem outros jogos com intervalos de dois dias. Então por que é diferente para o Vasco?
Exatamente a pergunta que o torcedor fez. O consórcio diz que é questão técnica, mas o torcedor apontou que Flamengo e Fluminense têm partidas programadas com os mesmos intervalos curtos.
Então é mais político do que técnico?
Não sabemos. O que sabemos é que há uma análise técnica do consórcio dizendo que o estádio está impossibilitado de receber eventos em 2026. Mas o calendário contradiz isso. Uma das duas coisas não fecha.
E o prazo é apertado — a confederação precisa da confirmação até segunda-feira. Se o tribunal não decidir rápido, o Vasco fica sem estádio.
E se o tribunal disser não?
O Vasco teria que encontrar outro lugar para jogar a semifinal. Mas isso seria uma derrota grande — o Maracanã é o estádio mais importante do Rio.
Além disso, há a questão de responsabilidade. Se o jogo acontecer e o gramado piorar, quem responde por isso? O Vasco? O consórcio? A confederação?
Ninguém quer ser o culpado.
Exatamente. E por enquanto, ninguém tem uma resposta clara.
O Pulso
- Vasco recorreu ao TJ-RJ na sexta-feira, 2 de outubro, pedindo tutela de urgência
- Decisão sobre o estádio precisa sair até segunda-feira, 5 de outubro
- Jogo entre Vasco e Boca Juniors está marcado para 20 de outubro, pela semifinal da Copa Sul-Americana
- Consórcio Fla-Flu argumenta que três partidas em cinco dias prejudicaria o gramado
- Torcedor vascaíno contesta argumentos, apontando que calendário já prevê intervalos de dois dias entre partidas
Vasco recorreu da suspensão do processo e pediu tutela de urgência ao TJ-RJ, pois a indicação do estádio precisa ser feita até 5 de outubro. Consórcio Fla-Flu argumenta que três partidas em cinco dias prejudicaria o gramado, que já foi danificado pelo jogo da NFL no domingo anterior.
Vasco entra com agravo no TJ-RJ para derrubar suspensão de processo e garantir o Maracanã para semifinal da Copa Sul-Americana contra Boca Juniors, com decisão urgente necessária até segunda-feira.
Na sexta-feira, o Vasco acionou a Justiça do Rio de Janeiro com um recurso urgente, tentando destravar uma disputa que ameaça sua semifinal da Copa Sul-Americana. O clube quer garantir o Maracanã como palco do confronto com o Boca Juniors, marcado para 20 de outubro, mas enfrenta um obstáculo processual: a 2ª Vara Cível da Capital havia suspendido a ação do clube após descobrir que um torcedor vascaíno havia movido uma ação paralela com o mesmo objetivo. A juíza Adriana Laia Franco entendeu que duas ações simultâneas sobre o mesmo tema geraria insegurança jurídica. O problema é o calendário: a confederação precisa da confirmação do estádio até segunda-feira, 5 de outubro, para cumprir os prazos da competição.
No recurso apresentado ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o Vasco argumenta que os dois processos são independentes e que um não deveria bloquear o outro. O clube também pediu uma tutela de urgência — uma medida que força a Justiça a decidir rapidamente sobre questões que não podem esperar. Sem essa decisão rápida, a semifinal fica sem local definido.
Do outro lado da disputa está o Consórcio Fla-Flu, que administra o Maracanã e apresentou argumentos técnicos contra a realização do jogo no estádio. Flamengo e Fluminense alegam que o gramado não suportaria mais um evento. Segundo o consórcio, se o Vasco jogar lá no dia 20 de outubro, o Maracanã teria três partidas em apenas cinco dias — um intervalo que prejudicaria a recuperação do campo. O consórcio citou ainda o jogo da NFL entre Baltimore Ravens e Dallas Cowboys, realizado no domingo anterior, que danificou o gramado a ponto de exigir sua substituição já no dia seguinte. Em documento enviado à Justiça, o consórcio afirmou que uma análise técnica apontou que o Maracanã estaria "impossibilitado de receber novos eventos esportivos em 2026".
O consórcio também mencionou impactos em outros planos. Flamengo havia recebido negativa para realizar uma partida comemorativa pelos 45 anos de seu título mundial e o tradicional Jogo das Estrelas, organizado por Zico em dezembro, também foi impedido de usar o estádio.
O torcedor vascaíno que moveu a ação popular respondeu aos argumentos do consórcio com uma análise do próprio calendário do Maracanã. Ele apontou que o estádio já tem períodos muito curtos entre partidas programadas para outubro e novembro — incluindo um intervalo de apenas dois dias entre os jogos de 26 e 28 de outubro. Se o calendário já prevê esses intervalos curtos para Flamengo e Fluminense, por que a presença do Vasco no dia 20 seria diferente? O torcedor questionou a coerência da justificativa técnica, sugerindo que o critério estava sendo aplicado de forma seletiva. "O gramado novo, portanto, segundo os técnicos da Agravada, suporta sete partidas em vinte dias, inclusive com 48 horas de intervalo, desde que sejam de Flamengo e Fluminense", escreveu em sua manifestação.
A defesa do Vasco aproveita esse argumento: se o próprio calendário do Maracanã já inclui partidas com apenas dois dias entre elas, a razão pela qual a semifinal da Copa Sul-Americana não poderia ocupar um desses slots permanece sem resposta clara. O jogo está marcado para 20 de outubro, e o intervalo até a partida anterior (18 de outubro) e a posterior (22 de outubro) seria exatamente de 48 horas — o mesmo que o consórcio aceita para os times que controlam o estádio.
Agora tudo depende de como o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro responde ao recurso do Vasco. A decisão precisa sair até segunda-feira para que o clube possa confirmar o local da partida dentro do prazo da competição. Se o tribunal negar o recurso, o Vasco terá que buscar outro estádio. Se aceitar, a semifinal acontece no Maracanã — mas a questão sobre o estado do gramado e a responsabilidade por eventuais danos permanecerá em aberto.
Citações Notáveis
A utilização do estádio em desacordo com os critérios técnicos necessários para preservação do gramado importará danos ao próprio equipamento público— Consórcio Fla-Flu, em documento à Justiça
O gramado novo suporta sete partidas em vinte dias, inclusive com 48 horas de intervalo, desde que sejam de Flamengo e Fluminense— Torcedor vascaíno, em manifestação ao tribunal