Vasco encaminha proposta da Almirante aos conselhos para votação em outubro

As dívidas do Vasco estão sanadas. Não quer dizer que vai pagar tudo à vista
Pedrinho resume o legado administrativo de sua gestão antes da transição para a Almirante Participações.
Mark

Por que o Vasco precisou fazer um leilão se só havia um interessado?

Mimi

Porque está em recuperação judicial. A lei obriga. Mas a Almirante entrou como "stalking horse", o que significa que ela fez a primeira oferta e depois teve direito de igualar qualquer outra proposta. Ninguém mais apareceu.

Luke

Então tecnicamente houve um leilão, mas com apenas um participante real. Isso é importante deixar claro — não foi competição de verdade.

Mark

E agora, o que precisa acontecer para a venda ser concluída?

Mimi

Duas votações. Primeiro o Conselho Deliberativo em outubro, depois a Assembleia Geral Extraordinária. Pedrinho quer tudo pronto até o fim do mês.

Luke

Essas votações são formais ou há risco real de rejeição? O texto não deixa claro se há oposição organizada.

Mark

A mudança estatutária é grande, não é? De 20% para 10% de participação do clube associativo.

Mimi

Sim. O clube perde poder de voto significativo. A Almirante fica com 90%, o CRVG fica com 10%.

Luke

Mas essa redução foi negociada ou imposta? O texto não explica se o clube teve margem para negociar esses percentuais.

Mark

Pedrinho diz que as dívidas foram sanadas. Isso é verificável?

Mimi

Ele disse que as dívidas estão sanadas, que o problema foi resolvido. Não quer dizer que tudo será pago à vista, mas o estrutural foi feito.

Luke

Ele usa linguagem cuidadosa — "não quer dizer que vai pagar tudo à vista". Isso significa que ainda há dívidas sendo pagas? Seria bom saber o tamanho exato do que foi quitado.

  • Almirante Participações venceu leilão da SAF com 90% do capital social
  • Conselho Deliberativo votará em 6 de outubro sobre a proposta
  • Estatuto Social muda de 20% para 10% de participação mínima do CRVG
  • Aprovação final depende também de Assembleia Geral Extraordinária
  • Expectativa de conclusão de todos os trâmites até fim de outubro

Almirante Participações venceu leilão e terá 90% do capital social da SAF, com participação mínima de 10% para o CRVG, exigindo mudança estatutária. Proposta ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo e Assembleia Geral Extraordinária, com expectativa de conclusão até fim de outubro.

O presidente do Vasco encaminhou aos conselhos a proposta da Almirante Participações, vencedora do leilão da SAF, e solicitou convocação do Deliberativo para primeira semana de outubro visando deliberação sobre a venda.

O Vasco da Gama está em movimento. Na última sexta-feira, a Almirante Participações venceu o leilão pela Sociedade Anônima do Futebol do clube, e agora o presidente Pedrinho formalizou o próximo passo: um ofício aos conselhos solicitando uma sessão extraordinária do Conselho Deliberativo para o dia 6 de outubro, primeira semana do mês, para que os conselhistas votem sobre a venda.

A operação que a Almirante propõe é clara em seus números. A empresa controladora ficaria com 90% do capital social e dos direitos de voto da SAF vascaína. O Clube de Regatas Vasco da Gama, a entidade associativa, manteria uma participação mínima de 10%. Isso exige uma mudança no Estatuto Social do clube, que atualmente estabelece uma participação mínima de 20% para a associação. É uma redução significativa do poder de voto do clube tradicional em favor do novo investidor.

O caminho até aqui foi obrigatório pela lei. Embora apenas a Almirante tivesse interesse real na compra, o Vasco foi forçado a abrir o processo de leilão porque está em recuperação judicial. A Almirante entrou no edital como "stalking horse bidder" — um mecanismo que lhe permitiu fazer a primeira oferta, estabelecendo um piso de preço que protegia os interesses do clube, e depois ter direito de igualar qualquer proposta concorrente que pudesse surgir. Nenhuma outra oferta apareceu. A Almirante venceu sozinha.

Mas essa vitória no leilão não é o fim da história. Ainda faltam duas aprovações cruciais. Primeiro, o Conselho Deliberativo precisa aceitar a proposta — é para isso que Pedrinho convocou a sessão de outubro. Depois, a Assembleia Geral Extraordinária do clube precisa dar seu aval final. O presidente espera que todos esses trâmites estejam concluídos até o final de outubro.

Em declaração, Pedrinho refletiu sobre o que sua gestão conseguiu entregar. Reconheceu que o desempenho em campo deixou a desejar — o Vasco não teve o ano que esperava nas competições. Mas argumentou que o trabalho administrativo foi substancial. Disse que sabia que a reestruturação teria um preço, e que seu papel era específico: pagar as dívidas do clube. Segundo ele, isso foi feito. As dívidas do Vasco estão sanadas. Não significa que tudo será pago à vista, mas o problema estrutural foi resolvido. É essa transição — de um clube endividado para um clube com as contas em dia, pronto para ser vendido — que marca o fim de sua gestão e o começo de uma nova era sob controle da Almirante.

Todo mundo esperava que eu tivesse um desempenho no campo muito forte. Mas aconteceu o contrário, o Vasco andou em termos administrativos como não andava há anos.
— Pedrinho, presidente do Vasco
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