Num fim de julho de 2023, a Vale apresentou o seu balanço do segundo trimestre e mostrou que o volume de minério pode crescer sem que o lucro acompanhe. Com US$ 892 milhões de lucro líquido, a mineradora ficou muito aquém do que o mercado esperava, e a queda de 78,2% em relação a um ano antes lembra que vender mais nem sempre significa ganhar mais. O que se revela é um ciclo em que preços mais baixos do minério e custos financeiros mais pesados corroem o ganho de cada tonelada, enquanto a empresa aposta no volume para sustentar sua escala.
Vale tem lucro de US$ 892 milhões no 2T23, queda de 78% e abaixo do consenso
Receita maior, lucro 78% menor: o minério rendeu menos por tonelada
O lucro caiu 78,2%. O que explica uma queda tão grande se a receita subiu?
A receita subiu 14,65%, para US$ 9,67 bilhões, puxada por volumes maiores de produção e vendas. Mas o preço do minério caiu, e o resultado financeiro virou: de ganho de US$ 821 milhões para perda de US$ 157 milhões.
Cuidado aqui. A comparação de resultado financeiro explica parte da diferença, mas o texto não faz a conta completa da queda do lucro. Não dá para dizer quanto pesou cada fator.
E o que significa ter ficado abaixo do consenso?
O consenso da Refinitiv era de US$ 2,15 bilhões de lucro; saiu US$ 892 milhões. Receita e Ebitda também ficaram abaixo, mas por margem bem menor.
Lembrando que consenso é uma média de projeções de analistas, não um dado da empresa. Serve de régua, nada mais.
Por que os analistas olham custos e despesas, e não a produção?
Porque a prévia operacional já tinha saído na semana anterior. Produção de 78,7 milhões de toneladas e vendas de 63,3 milhões já eram conhecidas.
E a dívida líquida de US$ 8,908 bilhões, 65,7% maior, merece atenção, mas a alavancagem de 0,6 vez ainda é baixa. O texto não diz como o mercado a avalia.
E os dividendos?
R$ 8,2765 bilhões em JCP, pagos em 1º de setembro, com data de corte em 11 de agosto na B3.
Quanto a empresa vai distribuir adiante o texto não informa; fala só em sinalizações no radar.
The Pulse
- O lucro de US$ 892 milhões desabou 78,2% e ficou longe dos US$ 2,15 bilhões esperados pelo consenso.
- A receita subiu 14,65% para US$ 9,67 bilhões, mas ainda assim não atingiu a projeção do mercado.
- Os volumes de vendas dispararam, enquanto o preço do finos de minério caiu para US$ 98,5 por tonelada.
- A dívida líquida avançou 65,7% e o resultado financeiro virou negativo, pressionando a alavancagem.
- Com JCP de R$ 8,28 bilhões marcado para 1º de setembro, o mercado acompanha o custo C1 e a capacidade de sustentar os pagamentos.
Num fim de julho de 2023, a Vale apresentou o seu balanço do segundo trimestre e mostrou que o volume de minério pode crescer sem que o lucro acompanhe. Com US$ 892 milhões de lucro líquido, a mineradora ficou muito aquém do que o mercado esperava, e a queda de 78,2% em relação a um ano antes lembra que vender mais nem sempre significa ganhar mais. O que se revela é um ciclo em que preços mais baixos do minério e custos financeiros mais pesados corroem o ganho de cada tonelada, enquanto a empresa aposta no volume para sustentar sua escala.
A Vale encerrou o segundo trimestre de 2023 com lucro líquido de US$ 892 milhões, bem abaixo dos US$ 2,15 bilhões que o consenso da Refinitiv previa. Frente ao mesmo período de 2022, a queda foi de 78,2%. A divulgação chegou logo depois da prévia operacional da semana anterior, o que já havia deslocado a atenção dos analistas para outros pontos do resultado.
A receita líquida somou US$ 9,67 bilhões, alta anual de 14,65%, mas ficou abaixo do que o mercado projetava. O Ebitda ajustado também veio aquém do esperado, em US$ 3,874 bilhões. O crescimento veio dos volumes: a produção de finos cresceu 6,3% na comparação anual e as vendas avançaram 34,3% no ano, o que ajudou a diluir parte dos custos.
Do outro lado, os preços recuaram. O finos de minério saiu a US$ 98,5 por tonelada, contra US$ 113,3 um ano antes, e as pelotas também caíram. O resultado financeiro passou a ser negativo em US$ 157 milhões, revertendo o ganho do ano anterior, e a dívida líquida chegou a US$ 8,908 bilhões, 65,7% acima de junho de 2022.
A empresa atualizou suas projeções de custo caixa C1 do minério de ferro para US$ 21,5 a US$ 22,5 por tonelada, e aprovou JCP de cerca de R$ 8,28 bilhões, com pagamento previsto para 1º de setembro. Daqui em diante, o foco dos analistas será o custo C1, as despesas financeiras, a alavancagem e os sinais da companhia sobre dividendos.
A Vale fechou o segundo trimestre de 2023 com lucro líquido de US$ 892 milhões, número que ficou muito abaixo dos US$ 2,15 bilhões previstos pelo consenso da Refinitiv. Em relação ao mesmo período de 2022, a queda foi de 78,2%. O balanço foi divulgado depois de a empresa já ter apresentado, na semana anterior, a prévia operacional, o que deslocou a atenção dos analistas para outros pontos do resultado.
Na linha de cima, a mineradora registrou receita líquida de US$ 9,67 bilhões, alta anual de 14,65%, mas abaixo dos US$ 9,98 bilhões projetados pelo mercado. O Ebitda ajustado das operações continuadas, uma espécie de lucro operacional, foi de US$ 3,874 bilhões, contra consenso de US$ 4,264 bilhões.
O faturamento maior veio dos volumes, não dos preços. A produção de finos de minério foi de 78,7 milhões de toneladas métricas, alta de 6,3% sobre um ano antes e de 17,9% sobre o trimestre anterior. As vendas chegaram a 63,3 milhões de toneladas, com avanço de 44,3% no trimestre e de 34,3% no ano. Esses volumes impulsionam a receita e diluem parte dos gastos.
Os preços, por outro lado, recuaram. O preço médio dos finos de minério foi de US$ 98,5 por tonelada, contra US$ 108,6 no primeiro trimestre e US$ 113,3 no segundo trimestre de 2022. As pelotas saíram a US$ 160,4, ante US$ 162,5 entre janeiro e março e US$ 201,3 um ano antes.
O resultado financeiro líquido foi negativo em US$ 157 milhões, revertendo o ganho de US$ 821 milhões do mesmo trimestre de 2022. As despesas operacionais totais somaram US$ 795 milhões, queda de 4,7% na comparação anual. Os investimentos foram de US$ 1,208 bilhão, contra US$ 1,293 bilhão um ano antes.
Em 30 de junho de 2023, a dívida líquida era de US$ 8,908 bilhões, 65,7% maior que a de um ano antes. A alavancagem, medida pela dívida líquida sobre o Ebitda ajustado, ficou em 0,6 vez, 0,4 ponto percentual acima de junho de 2022.
Nas projeções, a Vale atualizou o custo caixa C1 do minério de ferro para a faixa de US$ 21,5 a US$ 22,5 por tonelada. O custo all-in do minério de ferro ficou entre US$ 52 e US$ 54 por tonelada, e o do níquel, entre US$ 15,5 mil e US$ 16 mil por tonelada.
Para os acionistas, o Conselho de Administração aprovou juros sobre o capital próprio de cerca de R$ 8,2765 bilhões brutos, equivalentes a R$ 1,917008992 por ação, com base no balanço de 30 de junho. A data de corte na B3 é 11 de agosto, e a record date dos ADRs na NYSE é 15 de agosto. O pagamento ocorre em 1º de setembro de 2023.
Daqui em diante, os analistas devem acompanhar o custo caixa C1, as despesas financeiras, a alavancagem e as sinalizações da empresa sobre dividendos.
Notable Quotes
A Vale atualizou a estimativa de custo caixa C1 do minério de ferro para US$ 21,5 a 22,5 por tonelada.— Vale, em divulgação de resultados