Vale cai 0,90% enquanto Ibovespa dispara 7,70% em dia de 'trade Flávio'

A valorização do real deixou a Vale praticamente fora do rali
Enquanto o Ibovespa disparava 7,70%, a mineradora sofria com a moeda brasileira mais forte.
Mark

Por que a Vale caiu quando o resto do mercado subiu tanto? Parece contraditório.

Mimi

A Vale tem dois problemas simultâneos naquele dia. Primeiro, o minério de ferro — sua principal commodity — não tinha cotação de referência porque a China estava em feriado prolongado. Segundo, e mais importante, o real se valorizou muito contra o dólar, e a Vale vende em dólares.

Luke

Espera. A valorização do real deveria ser boa para o Brasil em geral, certo? Por que é ruim para a Vale?

Mimi

Sim, é bom para o Brasil como um todo. Mas para uma empresa que ganha em dólares e precisa converter para reais, um real mais forte significa menos reais por dólar. É um problema de câmbio puro.

Mark

E esse "trade Flávio" que mencionam — o que é exatamente?

Mimi

É a aposta de que se Flávio Bolsonaro vencer um segundo turno, haverá fluxos de capital estrangeiro voltando para o mercado brasileiro. Isso fez o Ibovespa disparar 7,70%.

Luke

Mas a Vale não se beneficiou disso no dia. Os analistas do Citi dizem que ela poderia se beneficiar depois, se o cenário se confirmar. Isso é especulação sobre o futuro, não análise do que aconteceu.

Mimi

Exato. No dia, a Vale foi prejudicada. Mas os analistas veem potencial futuro porque ela tem liquidez alta e peso grande no índice — seria uma das primeiras a receber esses fluxos.

Mark

Então a Vale estava basicamente presa entre duas forças — a falta de referência do minério e o câmbio desfavorável.

Mimi

Precisamente. E enquanto isso, 69 outros papéis do Ibovespa estavam subindo.

Luke

Uma coisa que não fica clara: quanto da queda de 0,90% vem do câmbio, quanto vem da falta de referência do minério, e quanto vem de outras coisas? Os analistas não decompõem isso.

Mimi

Verdade. Eles identificam os fatores, mas não quantificam o impacto de cada um.

  • O Ibovespa registrou alta de 7,70% e atingiu 206.911,89 pontos, seu melhor nível desde abril — mas a Vale ficou de fora, sendo uma das apenas sete ações em queda entre 76 papéis.
  • O dólar despencou 4,12%, fechando a R$ 5,0018, e essa valorização do real cortou diretamente a receita da Vale, que vende minério em dólares no mercado internacional.
  • Com a Golden Week chinesa em curso até quarta-feira, o mercado de minério de ferro em Dalian permanecia sem referência de preço, deixando a mineradora sem um dos seus principais sinalizadores.
  • Analistas do Citi identificam uma janela futura: se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno, fluxos estrangeiros podem retornar ao Brasil — e a Vale, pela sua liquidez e peso no índice, seria uma das primeiras a capturar esse movimento.

Enquanto o Ibovespa celebrava sua maior alta diária em anos, a Vale assistia ao festim de longe. A mineradora, que representa cerca de 8% do índice, fechou em queda de 0,90% — pressionada pela força do real e pelo silêncio do mercado de minério de ferro na China, paralisado pela Golden Week. É o paradoxo de uma empresa global inserida num índice doméstico: quando o Brasil sobe por razões políticas, nem sempre seus maiores pilares sobem junto.

Na segunda-feira, o Ibovespa disparou 7,70% e alcançou 206.911,89 pontos — o maior patamar desde abril e a maior alta diária desde março de 2020. No meio dessa euforia, a Vale caminhou na direção oposta: suas ações fecharam em queda de 0,90%, a R$ 71,45, tornando-se uma das apenas sete baixas entre os 76 papéis do índice. Apesar de representar cerca de 8% da carteira do Ibovespa, a mineradora ficou de fora do rali.

Dois fatores pesaram sobre a companhia. O primeiro foi a ausência de referência para o minério de ferro: com a Golden Week chinesa em andamento até quarta-feira, o mercado de Dalian permanecia fechado, deixando o principal insumo da Vale sem balizador de preço. O segundo — e mais determinante — foi o câmbio. O dólar caiu 4,12% no pregão, fechando a R$ 5,0018. Para uma empresa que obtém a maior parte de suas receitas em moeda americana, um real mais forte significa menos lucro quando os valores são convertidos para reais.

Marcos Praça, da ZERO Markets Brasil, sintetizou o problema: a valorização do real reduziu, em termos práticos, a receita que a Vale obtém no exterior. O Citi reforçou essa leitura, destacando que mineradoras com maior exposição líquida ao dólar sofrem justamente quando a moeda brasileira se aprecia.

Mesmo assim, analistas do Citi enxergam uma possibilidade de recuperação. Caso Flávio Bolsonaro vença um eventual segundo turno, fluxos de capital estrangeiro poderiam voltar ao mercado brasileiro — e a Vale, pela sua elevada liquidez e peso estrutural no índice, estaria entre as primeiras a se beneficiar. A dúvida que permanece é se e quando esse cenário se tornará realidade.

Na segunda-feira, enquanto o Ibovespa disparava para seu melhor nível em meses, a Vale caminhava na contramão. As ações da mineradora fecharam em queda de 0,90%, a R$ 71,45, tornando-se uma das apenas sete quedas entre os 76 papéis que compõem o índice. O contraste era gritante: o Ibovespa subiu 7,70%, atingindo 206.911,89 pontos — seu maior patamar desde 14 de abril e a maior alta diária desde março de 2020. Apesar de representar cerca de 8% da carteira do índice, a Vale não acompanhou o movimento de euforia que tomou conta do mercado.

O dia ficou marcado pelo que analistas chamaram de "trade Flávio", referência às expectativas em torno de um eventual segundo turno eleitoral. Mas enquanto outros ativos domésticos se beneficiavam dessa dinâmica, a Vale enfrentava pressões específicas de seu negócio. A primeira delas vinha de Dalian, na China, onde as cotações de minério de ferro — insumo essencial para a companhia — permaneciam sem referência. A Semana Dourada (Golden Week) chinesa se estenderia até quarta-feira, deixando o mercado de commodities em suspenso. Além disso, os custos de frete continuavam pressionando as margens.

Mas o principal culpado pela queda estava na taxa de câmbio. O dólar desvalorizou-se fortemente frente ao real naquele pregão, fechando a R$ 5,0018 no mercado à vista — uma queda de 4,12%. Para uma empresa como a Vale, que obtém a maior parte de suas receitas em dólares ao vender minério no mercado internacional, uma moeda brasileira mais forte é um problema. Quando o real se aprecia, a receita em dólares convertida para reais diminui, reduzindo a lucratividade em termos locais.

Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil, resumiu a situação com clareza: a valorização do real reduziu, em dólares, a receita que a companhia obtém no exterior, deixando a Vale praticamente fora do rali que tomava conta dos ativos domésticos. O Citi compartilhava dessa visão, observando que mineradoras com maior exposição líquida ao dólar — como a Vale — sofrem quando a moeda brasileira se fortalece do ponto de vista microeconômico.

Apesar do baque do dia, analistas do Citi viam uma possibilidade de recuperação adiante. Se Flávio Bolsonaro vencesse um eventual segundo turno, fluxos de capital estrangeiro poderiam retornar ao mercado de ações brasileiro. Nesse cenário, a Vale — com sua elevada liquidez e participação relevante no Ibovespa — poderia ser uma das primeiras beneficiárias. Gabriel Barra, Pedro Gama e Pedro Ferreira de Mello, do Citi, apontavam que apesar do perfil de resultados mais dolarizado da companhia, ela teria potencial para capturar esses fluxos antes de outros ativos, justamente por sua importância estrutural no índice. A questão que permanecia em aberto era se esse cenário se concretizaria e quando.

A valorização do real reduz, em dólares, a receita obtida no exterior pela companhia e fez com que a Vale ficasse praticamente de fora do rali observado nos ativos domésticos
— Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil
A Vale pode se beneficiar dos fluxos para ações em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, dada sua elevada liquidez e participação relevante no Ibovespa
— Gabriel Barra, Pedro Gama e Pedro Ferreira de Mello, do Citi
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