Vacinação porta a porta reforça proteção contra raiva em Campo Grande

É no contato com cada morador que a campanha ganha força
A veterinária Maria Aparecida Cunha resume como a vacinação porta a porta constrói proteção real contra a raiva.
Mark

Por que a raiva em morcegos é tão preocupante se a maioria das pessoas não tem contato direto com eles?

Mimi

Porque morcegos podem entrar em casas, em garagens, em espaços que compartilhamos. E se um cão ou gato tiver contato com um morcego infectado e não estiver vacinado, a transmissão é quase certa. A raiva é praticamente 100% letal uma vez que os sintomas aparecem.

Mark

Então a vacinação porta a porta é realmente a única forma de garantir cobertura?

Mimi

É a mais eficaz. Nem todos têm acesso fácil a uma clínica veterinária ou têm condições de levar um animal grande e agressivo. Quando a equipe vai até a casa, remove essa barreira. E ainda atualiza o censo — saber quantos animais existem em cada região é fundamental para planejar.

Mark

Os agentes parecem genuinamente dedicados. É só profissionalismo ou há algo mais?

Mimi

Há algo mais. Quando você vê uma mãe de 61 anos dizendo que cuidar de animais é como cuidar de filhos, quando vê uma mulher de 53 anos aliviada porque não precisa mais lutar com sua cadela brava — os agentes sentem isso. Não é só um trabalho de rua. É proteção comunitária.

Mark

E quando ninguém está em casa?

Mimi

Deixam um aviso. O morador sabe que passou a equipe e pode levar o animal até o CCZ. Ninguém fica de fora por acaso. É estratégia pensada.

Mark

Doze morcegos infectados em 2026 — isso é muito?

Mimi

É o suficiente para manter a cidade em alerta. Cada um desses 12 é um ponto de risco potencial. Por isso as equipes não param, mesmo com 35 graus de calor.

  • 300 mil imóveis urbanos visitados; 50 vacinações por dia por equipe
  • 12 morcegos infectados com raiva identificados em Campo Grande em 2026
  • Agentes trabalham sob temperaturas acima de 35°C e períodos de frio intenso

Agentes visitam 300 mil imóveis urbanos, realizando em média 50 vacinações diárias sob condições climáticas extremas. Em 2026, já foram identificados 12 morcegos infectados com raiva na cidade, reforçando urgência da campanha.

Equipes do Centro de Controle de Zoonoses percorrem diariamente bairros de Campo Grande vacinando cães e gatos contra a raiva, com vírus confirmado em morcegos da região.

Nas ruas de Campo Grande, a rotina começa cedo para os agentes do Centro de Controle de Zoonoses. Colete, pasta, caneta, vacinas, caixa térmica e protetor solar — tudo pronto para mais um dia percorrendo bairros inteiros, batendo de porta em porta. O objetivo é simples e urgente: garantir que nenhum cão ou gato fique sem proteção contra a raiva em uma cidade onde o vírus já circula confirmadamente entre morcegos.

O desafio é imenso. São 300 mil imóveis espalhados pelo perímetro urbano de Campo Grande, e cada equipe consegue vacinar em média 50 animais por dia. Isso significa longas distâncias a pé, becos apertados, terrenos grandes, casas com múltiplos cães, gatos que fogem — e sim, aquele cachorro bravo que ninguém quer enfrentar sozinho. Tudo isso sob temperaturas que ultrapassam 35°C ou períodos de frio intenso. Yuri Uriel da Silva, agente com mais de 14 anos de experiência, aos 34 anos, reconhece a dificuldade. "Nem sempre somos recebidos logo na primeira visita", disse durante uma ação no Jardim Colúmbia. "Mas seguimos firmes, levando a vacinação e a proteção contra a raiva para a população. É muito gratificante contribuir com esse cuidado."

Os moradores, em sua maioria, entendem a importância do trabalho. Elizabete Ferreira, 53 anos, agradeceu sinceramente a visita da equipe — sua cadela era grande e brava demais para levar sozinha até uma clínica. "Me facilita o CCZ vir aqui na minha casa", explicou. "Ela é grandona, é ruim se fosse levar sozinha. Mas tem que ter bastante força, e se tiver cachorro na rua, ela vai pra cima." Maria Auxiliadora Marques, aposentada de 61 anos, não tem animais de estimação, mas compreende o alcance da campanha. "Meus vizinhos têm, é importante vacinar, pois evita doenças para os humanos. Quem tem bichinhos tem que cuidar, é igual filho."

A receptividade dos moradores alimenta o trabalho das equipes. Alex Morais Lima, frentista de 44 anos e morador do Jardim Colúmbia, sempre ajuda quando os agentes chegam. "São muito simpáticos", comentou. Adrienny de Brito, 29 anos, também do mesmo bairro, recebeu a equipe com alegria. Seus dois cachorros já tinham sido vacinados em clínica particular, mas os gatos ainda não — e foram imunizados durante a visita, entrando nas estatísticas do dia.

Quando ninguém está em casa, os agentes deixam um aviso. É o comunicado de que passaram por lá e que o morador pode levar o animal até o CCZ, que funciona como posto fixo de vacinação o ano todo. A estratégia garante que nenhuma residência fique descoberta e que a meta seja alcançada. Paralelamente, as equipes realizam um novo censo de cães e gatos durante as visitas, atualizando a quantidade de animais e avaliando as estratégias de atuação. Os bairros visitados são divulgados com antecedência nos canais oficiais da Secretaria de Saúde.

O alerta sanitário que justifica toda essa mobilização é concreto. Maria Aparecida Cunha, médica veterinária e Chefe do Serviço de Controle da Raiva do CCZ, foi clara: "Nós temos a presença do vírus aqui dentro da cidade, especialmente nos morcegos. Nesse ano de 2026 já foram localizados 12 exemplares de morcegos infectados para o vírus da raiva." Denilson Leite, supervisor das equipes, reforça o sentimento compartilhado entre os agentes. "Nosso trabalho é muito importante, e procuramos sempre fazer o melhor."

É no contato direto com cada morador, no cuidado com cada animal, que a campanha ganha força real. As equipes chegam, vacinam, orientam sobre posse responsável e seguem para o próximo endereço. Entre conversas, pedidos de ajuda para segurar animais assustados e muitos agradecimentos, constroem dia após dia a barreira de proteção que mantém a raiva afastada de Campo Grande.

Nem sempre somos recebidos logo na primeira visita. Mas seguimos firmes, levando a vacinação e a proteção contra a raiva para a população.
— Yuri Uriel da Silva, agente do CCZ com 14 anos de experiência
Nós temos a presença do vírus aqui dentro da cidade, especialmente nos morcegos. Nesse ano de 2026 já foram localizados 12 exemplares de morcegos infectados.
— Maria Aparecida Cunha, Chefe do Serviço de Controle da Raiva do CCZ
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