USP lança programa de R$ 1,8 mi para preservar acervos de 60 bibliotecas

Preservar é conectar passado, presente e futuro
As bibliotecas universitárias ocupam posição singular no ecossistema do conhecimento, sustentando pesquisa presente e futura.
Mark

Por que a USP decidiu criar um programa específico para preservação agora? Não era algo que já estava sendo feito?

Mimi

Estava sendo feito, mas de forma fragmentada. Cada biblioteca cuidava de seus acervos conforme conseguia. O programa institucionaliza isso — cria um mecanismo sistemático, com diagnóstico, planejamento e avaliação.

Luke

Mas R$ 1,8 milhão para 8,4 milhões de itens é muito pouco, não? Quanto custa realmente preservar um acervo dessa escala?

Mimi

Exatamente por isso o programa começa com diagnóstico. Ninguém sabe ainda quanto custa de verdade. O edital reconhece que R$ 30 mil por biblioteca é um parâmetro inicial, não uma solução completa.

Mark

Então isso é mais sobre aprender do que sobre resolver o problema?

Mimi

É sobre começar a resolver enquanto se aprende. Cada projeto vai gerar dados sobre riscos, condições, prioridades. Isso vai informar os próximos ciclos de investimento.

Luke

Quem avalia essas propostas? Há risco de favoritismo ou de projetos menos rigorosos serem aprovados?

Mimi

A avaliação segue uma matriz com sete dimensões — relevância científica, qualidade do diagnóstico, adequação técnica, viabilidade, orçamento. É estruturado para evitar decisões arbitrárias.

Mark

E se uma biblioteca não conseguir executar o projeto em 12 meses?

Mimi

Precisa prestar contas do que foi feito, com indicadores e documentação. Se não conseguir, fica registrado — isso também informa futuras políticas.

Luke

Mas o programa não garante continuidade. E se não houver orçamento para o próximo ciclo?

Mimi

Verdade. Por isso o programa enfatiza que preservação é responsabilidade entre gerações. Depende do compromisso institucional contínuo.

Mark

Qual é o maior risco aqui?

Mimi

Que o programa fique isolado — que as 60 bibliotecas façam seus projetos, apresentem relatórios, e nada mude estruturalmente. O sucesso depende de as aprendizagens virarem política institucional.

  • Mais de 8,4 milhões de itens físicos — livros, teses, periódicos, multimeios — aguardam ações concretas de conservação em um sistema que até agora carecia de financiamento sistemático.
  • O risco não é uniforme: coleções históricas, documentos especializados e acervos expostos a condições ambientais adversas apresentam vulnerabilidades distintas que exigem diagnósticos individualizados.
  • Cada uma das 60 bibliotecas poderá pleitear até R$ 30 mil mediante projeto técnico avaliado por sete critérios, do diagnóstico de riscos à viabilidade orçamentária.
  • O programa vai além da restauração emergencial — incorpora prevenção, monitoramento ambiental, formação profissional e planejamento, transformando a preservação em processo institucional contínuo.
  • Ao exigir relatórios técnicos e indicadores mensuráveis ao final de 12 meses, a iniciativa converte cada intervenção local em dado estratégico para as políticas de conservação da gestão 2026-2030.

Em um momento em que a aceleração digital redefine as práticas do conhecimento, a Universidade de São Paulo reconhece que preservar é também uma forma de produzir saber. Com R$ 1,8 milhão distribuídos entre suas 60 bibliotecas, a USP institui um mecanismo sistemático para cuidar dos 8,4 milhões de itens que compõem sua memória intelectual acumulada. O gesto revela uma compreensão madura: uma universidade orientada para o futuro precisa, antes de tudo, ser guardiã responsável de seu passado.

A Universidade de São Paulo formalizou, por meio da Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais, um programa de financiamento para conservação e preservação dos acervos de suas 60 bibliotecas. O investimento inicial de R$ 1,8 milhão responde à escala do desafio: o sistema abriga 8,489 milhões de itens físicos, entre livros, teses, periódicos, fascículos de revistas e multimeios — um patrimônio intelectual que exige cuidado sistemático para permanecer íntegro e acessível.

Cada biblioteca poderá apresentar projeto de até R$ 30 mil, valor pensado não como estimativa do custo total de conservação, mas como parâmetro que garante participação equitativa, reconhecendo que as necessidades são heterogêneas. Uma coleção histórica ou um acervo submetido a condições ambientais específicas apresenta riscos e prioridades muito distintos dos de uma biblioteca de uso corrente.

As propostas serão avaliadas por matriz de sete dimensões — relevância científica e cultural, qualidade do diagnóstico, adequação técnica, impacto esperado, viabilidade, economicidade e clareza dos resultados. Essa estrutura associa o financiamento a planejamento rigoroso, transformando a preservação em processo de produção de conhecimento sobre os próprios acervos, e não apenas em resposta a emergências.

Com prazo de execução de 12 meses e exigência de relatório técnico ao final, o programa pretende reunir dados sobre condições de conservação, identificar padrões de risco e mapear capacidades instaladas em todo o sistema. Os resultados subsidiarão políticas institucionais futuras, fazendo deste primeiro ciclo um momento estruturante que conecta cada experiência local ao aprendizado coletivo da universidade — e que afirma, na prática, que conservação e inovação são agendas complementares, não opostas.

A Universidade de São Paulo lançou um programa de financiamento destinado a preservar e conservar os acervos de suas 60 bibliotecas, com investimento inicial de R$ 1,8 milhão. A iniciativa, formalizada pela Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais através do Edital ABCD I USP nº 002/2026, reconhece que uma instituição universitária não se define apenas pelo conhecimento que produz hoje, mas também pela capacidade de manter vivo e acessível o patrimônio intelectual acumulado ao longo de sua história.

Os números que justificam essa ação são expressivos. Segundo dados do Anuário Estatístico da USP de 2025, o sistema de bibliotecas da universidade abriga 8,489 milhões de itens físicos. Esse acervo inclui 2,5 milhões de livros, 276 mil teses, quase 75 mil títulos de periódicos, mais de 5 milhões de fascículos de revistas, 62 mil multimeios e cerca de 578 mil materiais em outras categorias. A escala dessa responsabilidade institucional — assegurar a integridade, disponibilidade e acesso contínuo a esse patrimônio — motivou a criação de um mecanismo sistemático de apoio financeiro.

Cada uma das 60 bibliotecas do sistema poderá apresentar um projeto com valor máximo inicial de R$ 30 mil, sujeito a avaliação técnica e institucional. Esse valor não representa uma estimativa do custo total de conservação de uma biblioteca, nem é distribuído proporcionalmente ao tamanho de seus acervos. Trata-se de um parâmetro inicial pensado para garantir que todas as bibliotecas tenham acesso aos recursos e possibilidade de participação, reconhecendo que as necessidades de preservação são heterogêneas — uma coleção histórica, um conjunto documental especializado ou um acervo submetido a condições ambientais específicas apresentam riscos e prioridades distintos.

O programa adota uma abordagem que vai além da simples intervenção em documentos já deteriorados. Incorpora diagnóstico, prevenção, monitoramento ambiental, acondicionamento adequado, gestão de riscos, planejamento e formação profissional. Cada proposta deve caracterizar o acervo a ser beneficiado, apresentar diagnóstico detalhado da situação, justificar a relevância da intervenção, definir objetivos claros, explicitar procedimentos técnico-metodológicos, estabelecer resultados mensuráveis e apresentar cronograma e orçamento detalhado.

A avaliação das propostas seguirá uma matriz que considera sete dimensões: relevância científica, histórica, cultural e institucional do acervo; qualidade do diagnóstico e caracterização dos riscos; adequação técnico-metodológica das intervenções; impacto esperado sobre conservação e acesso; viabilidade da execução; economicidade e racionalidade do orçamento; e clareza dos resultados e mecanismos de acompanhamento. Essa estrutura associa financiamento a planejamento e resultados mensuráveis, transformando a preservação de uma resposta a necessidades imediatas em um processo institucional de produção de conhecimento sobre os próprios acervos.

Os projetos terão prazo de 12 meses a partir da disponibilização dos recursos, período que permitirá planejamento, procedimentos de contratação, execução das ações e acompanhamento dos resultados. Ao final, as bibliotecas contempladas deverão apresentar relatório técnico e prestação de contas, incluindo indicadores, quantitativos do acervo beneficiado, comparação entre metas e resultados e documentação comprobatória. Essa exigência de evidências é fundamental porque políticas sustentáveis dependem de dados concretos sobre o que funciona e quais são as prioridades reais.

Além das intervenções diretas nos acervos, o programa permitirá reunir informações sobre as condições de conservação das bibliotecas, identificar padrões de risco, mapear capacidades instaladas e dimensionar necessidades futuras. Os resultados poderão subsidiar a disseminação de boas práticas, o planejamento de novas ações e a formulação de políticas institucionais de conservação e preservação para os próximos ciclos de investimento durante a gestão 2026-2030. Trata-se, portanto, de um primeiro ciclo estruturante que vai além do volume de recursos investidos ou do número de intervenções realizadas — seu valor reside também na capacidade de transformar cada projeto em informação para tomada de decisão e cada experiência local em aprendizado institucional.

A iniciativa reflete uma compreensão de que conservação e inovação não são agendas opostas. Quanto mais acelerada se torna a produção de informação e quanto mais intensamente a transformação digital modifica as práticas científicas, maior é a responsabilidade das universidades em assegurar permanência, autenticidade, contexto e acesso ao patrimônio intelectual que receberam e produziram. Uma universidade orientada para o futuro precisa, necessariamente, cuidar de sua memória, conectando passado, presente e futuro através de suas bibliotecas e acervos.

Uma universidade orientada para o futuro precisa, necessariamente, cuidar de sua memória
— Francisco Carlos Paletta, presidente da Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais da USP
Preservar os acervos da Universidade é preservar sua memória. Mas é também algo mais: é assegurar que o conhecimento acumulado continue disponível para produzir novos conhecimentos e novos futuros
— Francisco Carlos Paletta
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