Lucro recuou 67% no trimestre para R$ 609 milhões, enquanto Ebitda caiu 65,5% para R$ 866,9 milhões, abaixo das expectativas do mercado. Preço do minério de ferro caiu 25%, reduzindo receita líquida em 7% e volume de vendas de aço em 12% comparado ao ano anterior.
Usiminas cai 4% após balanço; CEO aponta mudança expressiva de cenário
O cenário mudou expressivamente, e o resultado não é mais o que vinha sendo apresentado
Por que a queda de 4% nas ações é importante? Parece um movimento pequeno.
Porque reflete a reação do mercado a um balanço que mostra deterioração operacional. O lucro caiu 67%, o Ebitda caiu 65,5%. Não é pequeno.
Mas o lucro líquido superou o consenso. Por que o mercado vendeu se o número foi melhor que o esperado?
Porque o Ebitda — que é o que realmente importa para avaliar a operação — ficou abaixo. E porque o CEO admitiu que o cenário mudou expressivamente.
Qual é a causa raiz dessa mudança?
Principalmente o preço do minério de ferro, que caiu 25%. Mas também há pressão de custos de matérias-primas, especialmente placas de aço e coque.
Quanto dessa pressão de custos é temporária? O CFO disse que espera reversão no quarto trimestre, certo?
Sim, ele mencionou reversão do efeito preço. Mas a instabilidade na unidade de coqueria é estrutural — eles precisam comprar coque no mercado externo, o que aumenta custos.
E o minério de ferro? Vai melhorar?
O CEO da mineração não acha. Ele prevê que os preços devem permanecer baixos por mais tempo. Na China, está abaixo de US$ 90 por tonelada.
Há alguma coisa positiva no balanço que os analistas estejam apontando?
A XP e o Itaú reconhecem que os resultados foram melhores que as estimativas. Mas ambas veem pressão contínua nos próximos meses.
Então os analistas estão otimistas ou pessimistas?
Cautelosos. A XP é neutra. O Itaú mantém compra, mas com preço-alvo de R$ 15 para o fim de 2023 — e a ação fechou a R$ 7,35 hoje.
Isso significa que o Itaú acha que vai dobrar de preço? Ou que há muito risco ainda não precificado?
Il Polso
- Lucro recuou 67% para R$ 609 milhões; Ebitda caiu 65,5% para R$ 866,9 milhões
- Preço do minério de ferro caiu 25%; volume de vendas de aço recuou 12%
- Ações caíram 4,17% para R$ 7,35; acumulam queda de 49% em 2022
- Reforma do Alto Forno 3 prevista para abril de 2023; custo total de R$ 2,7 bilhões até 2025
Lucro recuou 67% no trimestre para R$ 609 milhões, enquanto Ebitda caiu 65,5% para R$ 866,9 milhões, abaixo das expectativas do mercado. Preço do minério de ferro caiu 25%, reduzindo receita líquida em 7% e volume de vendas de aço em 12% comparado ao ano anterior.
Ações da Usiminas caíram 4% após divulgação de balanço do 3º trimestre com lucro 67% menor, impactado pela queda de 25% no preço do minério de ferro e aumento de custos de matérias-primas.
A Usiminas divulgou seu balanço do terceiro trimestre nesta sexta-feira e o mercado reagiu com desconfiança. As ações caíram 4,17%, fechando a R$ 7,35, enquanto o CEO Alberto Ono admitiu aos analistas que o período foi marcado por uma mudança expressiva de cenário — tanto na siderurgia quanto na mineração. O que isso significa, na prática, é que a empresa não conseguiu manter o ritmo dos primeiros seis meses do ano.
O lucro líquido ficou em R$ 609 milhões, uma queda de 67% comparada ao mesmo trimestre de 2021. Apesar disso, o número superou o consenso do mercado, que esperava R$ 434,7 milhões. Mas o Ebitda — a medida que os investidores realmente observam — somou apenas R$ 866,9 milhões, uma queda de 65,5%, e ficou abaixo da projeção de R$ 1,05 bilhão. A receita líquida recuou 7% na base anual, chegando a R$ 8,434 bilhões.
O culpado principal é o minério de ferro. O preço da commodity caiu 25% no trimestre, golpeando direto nas receitas. A Usiminas vendeu 2,242 milhões de toneladas de minério de ferro no período — uma queda de 7% em relação ao terceiro trimestre de 2021. Dois terços dessa produção vão para o mercado externo; o restante abastece a própria siderúrgica de Ipatinga, em Minas Gerais. Na Bolsa de Dalian, na China, o minério está sendo negociado abaixo de US$ 90 por tonelada. Carlos Rezzonico, CEO da divisão de mineração, não vê alívio à vista — ele prevê que os preços devem permanecer nesses patamares baixos por mais tempo.
Mas não é só o preço do minério que está pressionando os números. Os custos de matérias-primas subiram substancialmente. Thiago Rodrigues, CFO da Usiminas, apontou dois problemas específicos: o preço das placas de aço e do coque aumentaram significativamente. A empresa compra placas de terceiros para processar em Ipatinga. Quanto ao coque, que alimenta os alto-fornos, a instabilidade na unidade de coqueria da companhia forçou compras adicionais no mercado externo, elevando os custos. No terceiro trimestre, os custos dos produtos vendidos foram 17,6% superiores ao mesmo período do ano anterior. Desse aumento, 51% vieram de preços mais altos de placas e outras matérias-primas, e 16% do maior consumo de coque comprado de fora. Rodrigues sinalizou que espera uma reversão desse efeito preço no quarto trimestre.
O volume de vendas de aço também encolheu. A Usiminas vendeu 1,047 milhão de toneladas no trimestre, uma queda de 12% em relação a 2021. Além disso, a empresa confirmou que vai fazer uma reforma no Alto Forno 3 de Ipatinga em abril de 2023. Nos primeiros nove meses de 2022, ela já gastou R$ 397 milhões em preparativos. O custo total atualizado do projeto é de R$ 2,7 bilhões até 2025.
Os analistas estão divididos, mas cautelosos. A XP Investimentos escreveu que os resultados foram ligeiramente melhores que as estimativas, mas o desempenho operacional está enfraquecendo. A corretora projeta um momento operacional negativo nos próximos meses e acredita que os investidores vão esperar por mais visibilidade antes de aumentar a exposição à ação. Sua recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 15,50. O Itaú BBA também viu um trimestre melhor que o esperado, mas com tendências operacionais se deteriorando — tanto na siderurgia, prejudicada por custos maiores e vendas menores no mercado doméstico, quanto na mineração, afetada por volumes e preços menores. Mesmo assim, o Itaú mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 15 para o fim de 2023.
A ação acumula queda de 49% no ano. A CSN, concorrente do mesmo setor, também sofreu nesta sexta, caindo 5,74% para R$ 12,31, com perdas similares no acumulado anual. O mercado aguarda sinais de que a pressão nos custos e a fraqueza nos volumes começarão a ceder.
Citazioni salienti
O terceiro trimestre foi marcado por uma mudança expressiva de cenário tanto na siderurgia quanto na mineração— Alberto Ono, CEO da Usiminas
Custos, capital de giro e geração de caixa ainda serão pressionados nos próximos meses— XP Investimentos, em relatório após balanço