me deu muitas oportunidades
Filha de dois professores de matemática, Úrsula cresceu em ambiente familiar que cultivava a disciplina com leveza, transformando números em parte natural da rotina doméstica. A Escola Liége Gama Rocha ofereceu preparação consistente em olimpíadas, enquanto o Programa de Iniciação Científica Jr. ampliou experiências acadêmicas além das aulas tradicionais.
- Duas medalhas de ouro na OBMEP (edições 19ª e 20ª)
- Filha de dois professores de matemática em Coruripe, Alagoas
- Primeira viagem de avião e primeira vez fora de Alagoas na Cerimônia Nacional do Rio de Janeiro
- Sonha cursar matemática no IMPA Tech
Úrsula Romão, estudante de 12 anos da rede municipal de Coruripe, conquistou duas medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, resultado que reforça o papel da escola pública na identificação de talentos matemáticos.
Úrsula Romão tem 12 anos e vive em Coruripe, uma cidade no interior de Alagoas. Em janeiro de 2026, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada anunciou que ela havia conquistado sua segunda medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas — um feito raro o suficiente para colocá-la entre os jovens talentos mais destacados do país e para trazer atenção nacional a um município que raramente aparecia nos registros de premiações nacionais em matemática.
Mas a história de Úrsula não começou em uma sala de provas. Começou em casa, em conversas cotidianas com seus pais, ambos professores de matemática. Desde pequena, ela cresceu cercada por números não como abstração distante, mas como parte natural da rotina familiar — em jogos, em desafios mentais, em pequenas competições domésticas que tornavam o raciocínio lógico algo tão comum quanto respirar. Seu pai, Darliton Romão, sempre buscou trabalhar a matemática com o que chamou de leveza e simplicidade, evitando transformar o aprendizado em pressão ou em uma sequência árida de fórmulas. Essa abordagem moldou a forma como Úrsula enxergava a disciplina: não como algo distante ou intimidador, mas como uma ferramenta para resolver pequenos problemas e explorar ideias.
Quando Úrsula chegou ao 6º ano, o incentivo familiar encontrou um parceiro institucional. A Escola Liége Gama Rocha, onde ela estuda na rede municipal de Coruripe, oferecia programas de treinamento voltados a olimpíadas do conhecimento. A preparação mais consistente para competições começou ali, com regularidade e orientação. Úrsula participava de diferentes iniciativas que ampliavam seu contato com problemas de lógica e raciocínio matemático muito além do que as aulas tradicionais ofereciam. Depois de conquistar sua primeira medalha de ouro na OBMEP, ela foi admitida no Programa de Iniciação Científica Jr., uma iniciativa nacional que atende medalhistas por meio de uma rede de professores espalhados pelo país, oferecendo atividades aprofundadas em matemática e ciência.
A olimpíada abriu para Úrsula experiências que transcendiam o universo de Coruripe. Ela viajou para o Rio de Janeiro para participar da Cerimônia Nacional da 19ª OBMEP — sua primeira viagem de avião, sua primeira vez visitando outra região do Brasil. Quando perguntada sobre o significado daquela prova, Úrsula respondeu que havia sido uma das mais importantes de sua vida porque "me deu muitas oportunidades". Não era apenas sobre a medalha. Era sobre as portas que se abriram: programas de formação, cerimônias nacionais, contato com referências acadêmicas da matemática brasileira, e um fortalecimento dos planos para sua continuidade nos estudos.
Agora, com duas medalhas de ouro nas edições 19ª e 20ª da OBMEP, Úrsula olha para o futuro com um objetivo claro: cursar matemática no IMPA Tech, o programa de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada no Rio de Janeiro. Esse sonho não é uma ruptura com seu passado — é uma continuação natural. Começou em casa, foi reforçado pela escola pública municipal, e foi consolidado pelo desempenho em uma das principais competições estudantis do país.
A trajetória de Úrsula ilustra algo que a OBMEP, criada em 2005 com recursos do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, busca fazer: estimular o estudo da matemática, identificar jovens talentos, incentivar o ingresso em universidades e promover inclusão social por meio da difusão do conhecimento. Mas esses objetivos institucionais só ganham vida quando encontram, como no caso de Úrsula, um incentivo familiar consistente, uma escola pública que oferece preparação séria, e uma estudante disposta a dedicar-se continuamente. O fato de Coruripe, uma cidade pequena do interior de Alagoas, agora aparecer no mapa de premiações nacionais da OBMEP não é apenas uma curiosidade regional — é evidência de como estímulo cotidiano, orientação escolar e oportunidades institucionais podem ampliar significativamente o caminho acadêmico de estudantes da rede pública com alto desempenho em matemática.
Notable Quotes
A prova foi uma das mais importantes de sua vida porque me deu muitas oportunidades— Úrsula Romão
A família sempre buscou trabalhar a matemática com leveza e simplicidade, evitando transformar o aprendizado em pressão— Darliton Romão, pai de Úrsula
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como uma menina de 12 anos, em uma cidade pequena de Alagoas, chega a conquistar duas medalhas de ouro em uma olimpíada nacional?
Não foi um salto. Foi uma construção. Úrsula cresceu em uma casa onde matemática era conversação, era jogo, era parte da vida. Seus pais são professores de matemática, mas não transformaram isso em pressão — transformaram em naturalidade.
Então a escola não foi o ponto de partida?
A escola foi o amplificador. O ponto de partida foi em casa. Mas quando ela chegou ao 6º ano, a Escola Liége Gama Rocha ofereceu programas de treinamento que transformaram aquele interesse em preparação séria para competições.
E depois da primeira medalha, o que mudou?
Ela entrou no Programa de Iniciação Científica Jr., uma rede nacional de professores. Mas também viajou para o Rio de Janeiro pela primeira vez, andou de avião sozinha. A olimpíada não foi só sobre matemática — foi sobre oportunidades que ela não teria tido de outro jeito.
Qual é o significado de uma criança de Coruripe aparecer no mapa nacional de premiações?
Significa que talento existe em qualquer lugar. Mas também significa que quando você junta incentivo familiar, escola pública de qualidade e programas institucionais, algo extraordinário pode acontecer. Úrsula não é exceção — é prova de que o sistema funciona quando funciona.
E agora, qual é o próximo passo?
IMPA Tech. Ela quer cursar matemática lá. Não é um sonho desconectado — é a continuação natural de tudo que começou em casa, passou pela escola, e foi consolidado pela olimpíada.