Urna eletrônica completa 30 anos: da conversa em quadra de tênis aos 'ninjas' da tecnologia

Uma conversa em quadra de tênis que mudou as eleições de um país
O encontro entre o presidente do TSE e um técnico em informática em Brasília em 1995 originou o projeto que revolucionaria os processos eleitorais brasileiros.
Mark

Como uma conversa de tênis virou um projeto que mudou as eleições de um país inteiro?

Mimi

O contexto importa. Velloso era presidente do TSE e Camarão era técnico em informática — não era uma conversa casual entre amigos. Era alguém com poder institucional conversando com alguém que entendia de tecnologia, e a ideia encontrou solo fértil. Saiu da quadra direto para o TSE.

Luke

Mas a gente não sabe exatamente o que foi dito naquela conversa, certo? A reportagem não traz o diálogo. Sabemos que aconteceu, mas os detalhes específicos da conversa não estão documentados aqui.

Mark

E por que chamavam de "ninjas"? Parece um apelido bem específico.

Mimi

A reportagem não explica a origem do apelido. Só diz que o grupo ficou conhecido assim. Pode ter sido pela agilidade, pelo sigilo, pela forma como trabalhavam — mas isso fica em aberto.

Luke

Exato. É um detalhe interessante que não tem explicação. Sabemos quem eram — Nakaya, Hashioka, Salgado, Catsumi, Janino — mas não sabemos por que "ninjas".

Mark

A participação de São José dos Campos parece importante. Por quê?

Mimi

Porque a cidade já tinha instituições de pesquisa de ponta — Inpe, ITA, CTA, IEAv. Essas instituições tinham pesquisadores e engenheiros trabalhando em projetos complexos. Esse conhecimento foi incorporado ao desenvolvimento da urna.

Luke

Mas a reportagem não diz especificamente qual foi a contribuição de cada instituição. Sabemos que participaram, que estavam lá, que havia expertise, mas não temos detalhes sobre o que cada uma fez.

Mark

A segurança sempre foi uma preocupação?

Mimi

Sim, desde os primeiros protótipos. Mas a tecnologia evoluiu muito. De 2 MB de memória em 1996 para sistemas com assinatura digital e criptografia. E agora fazem testes públicos de segurança antes de cada eleição.

Luke

O que é importante notar: esses testes públicos são recentes ou sempre existiram? A reportagem não deixa claro quando o Teste Público de Segurança começou. Sabemos que acontece "periodicamente", mas não desde quando.

Mark

E a influência internacional? 33 países usando sistemas inspirados no brasileiro?

Mimi

É significativo. O Brasil criou algo que funcionou bem o suficiente para ser exportado ou copiado. Virou referência.

Luke

Mas "inspirado ou relacionado" é vago. Alguns países adotaram a urna brasileira? Desenvolveram suas próprias versões? Compraram a tecnologia? A reportagem não especifica o tipo de relação.

  • A fragilidade das cédulas de papel e a lentidão da apuração manual criavam um ambiente fértil para fraudes e desconfiança nas eleições brasileiras antes de 1996.
  • Um grupo seleto de engenheiros e técnicos, apelidados de 'ninjas', reunia-se duas vezes por semana para transformar uma ideia nascida numa quadra de tênis em hardware e software funcional.
  • A primeira urna eletrônica operava com apenas 2 megabytes de memória e disquetes, mas já carregava a ambição de digitalizar a democracia de um país continental.
  • Em três décadas, o sistema evoluiu para incorporar criptografia, assinaturas digitais e testes públicos de segurança, reduzindo fraudes e entregando resultados em horas.
  • A experiência brasileira ultrapassou fronteiras: ao menos 33 países adotaram modelos de votação eletrônica inspirados no projeto que começou em Brasília nos anos 1990.

Há trinta anos, uma conversa informal entre dois homens numa quadra de tênis em Brasília deu origem a uma das transformações mais silenciosas e profundas da democracia brasileira. A urna eletrônica, gestada por um grupo de engenheiros chamados de 'ninjas', substituiu o papel pela lógica digital e devolveu ao eleitor a confiança de que seu voto chegaria inteiro à contagem. O que nasceu como experimento em 1996, cobrindo apenas um terço do eleitorado, tornou-se infraestrutura universal — e hoje inspira sistemas eleitorais em dezenas de países ao redor do mundo.

Em 1995, uma conversa casual durante uma partida de tênis em Brasília entre o ministro Carlos Velloso, presidente do TSE, e o técnico Paulo Camarão plantou a semente de uma revolução eleitoral. A ideia de informatizar o voto ganhou força institucional rapidamente, mobilizando a Justiça Eleitoral em torno de um projeto de escala nacional.

Para dar forma à visão, o TSE convocou um grupo de engenheiros e especialistas que ficaria conhecido como os 'ninjas'. Coordenados por Camarão, eles se reuniam duas vezes por semana para desenvolver os requisitos técnicos da nova máquina. São José dos Campos teve papel central na empreitada, reunindo pesquisadores do Inpe, do ITA e do Instituto de Estudos Avançados com experiência em projetos de alta complexidade.

Em dezembro de 1995, o TSE publicou o edital; em março de 1996, a empresa Unisys venceu a licitação. Poucos meses depois, a urna eletrônica estreou nas eleições municipais, alcançando cerca de 30% do eleitorado. A implantação foi gradual até cobrir todos os municípios brasileiros.

Antes disso, o Brasil votava em papel. A contagem manual podia levar dias e abria espaço para fraudes. Com a digitalização, a apuração passou a ser concluída em poucas horas após o fechamento das urnas — uma mudança que, segundo especialistas, também inibiu mecanismos tradicionais de manipulação dos resultados.

A primeira versão, a UE96, operava com apenas 2 megabytes de memória e disquetes. Três décadas depois, os modelos atuais contam com criptografia, assinaturas digitais e sistemas de verificação próprios da Justiça Eleitoral. O TSE realiza periodicamente testes públicos de segurança, convidando especialistas a tentar encontrar vulnerabilidades antes de cada eleição.

Ao completar 30 anos em 2026, a urna eletrônica deixou de ser novidade para se tornar parte da identidade democrática do Brasil. A experiência nacional inspirou ao menos 33 países a adotar modelos de votação eletrônica, consolidando o país como referência tecnológica em processos eleitorais — tudo a partir de uma conversa entre dois homens numa quadra de tênis.

Em 1995, durante uma partida de tênis em Brasília, uma conversa casual entre o ministro Carlos Velloso, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e o técnico em informática Paulo Camarão plantou a semente de uma transformação que moldaria as eleições brasileiras pelos próximos três décadas. A ideia de informatizar o voto no país saiu da quadra e chegou ao TSE com força suficiente para mobilizar a máquina estatal. O que começou como uma reflexão entre dois homens se tornaria um projeto de envergadura nacional, reunindo especialistas de diferentes campos para transformar uma possibilidade em realidade.

Para concretizar a visão, a Justiça Eleitoral convocou um grupo de engenheiros e técnicos que ficaria conhecido como os "ninjas". Coordenados por Paulo Camarão, esses profissionais — entre eles Paulo Nakaya, Mauro Hashioka, Antônio Ésio Salgado, Oswaldo Catsumi e Giuseppe Janino — tinham uma missão clara: transformar ideias iniciais em um projeto funcional de hardware e software, estabelecendo os requisitos técnicos para a nova máquina. O grupo também contou com representantes de instituições ligadas à tecnologia e defesa, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. São José dos Campos desempenhou papel central nessa história, abrigando instituições como o Inpe, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica e o Instituto de Estudos Avançados, que concentravam pesquisadores e engenheiros com experiência em projetos de alta complexidade. Os "ninjas" se reuniam duas vezes por semana, no TSE ou no próprio TRE-SP, para apresentar progressos e compartilhar conhecimentos.

Em dezembro de 1995, o TSE publicou o edital para produção dos equipamentos. Quatro meses depois, em março de 1996, a empresa brasileira Unisys venceu a licitação. Poucos meses após isso, a urna eletrônica fez sua estreia nas eleições municipais de 1996, quando aproximadamente 30% do eleitorado votou pelo novo sistema. A implantação foi ampliada gradualmente até que, hoje, a tecnologia é utilizada em todos os municípios brasileiros.

Antes da urna eletrônica, o Brasil funcionava com cédulas de papel. Os eleitores votavam em papel e, após o encerramento da votação, os votos precisavam ser contados manualmente — um processo que podia levar dias e envolvia uma operação massiva de conferência e contabilização. O TSE tinha dois objetivos claros com a mudança: reduzir problemas e possibilidades de fraude relacionados à votação e apuração manual, e acelerar a divulgação dos resultados. Com a urna eletrônica, o registro dos votos passou a ser digital e a apuração pôde ser concluída em poucas horas após o fechamento das seções eleitorais. Para o cientista político José Maurício Cardoso do Rego, a mudança também ajudou a reduzir mecanismos tradicionais de fraude ligados à contagem manual, criando uma inibição clara desse processo.

A primeira versão, chamada UE96, tinha apenas 2 megabytes de memória e utilizava disquetes para armazenamento e transferência de dados — uma capacidade que parece quase primitiva três décadas depois. Em 30 anos, o equipamento passou por diversas atualizações significativas. Os modelos atuais contam com mecanismos como assinaturas digitais, criptografia e sistemas de verificação desenvolvidos pela própria Justiça Eleitoral. A preocupação com segurança, segundo os profissionais que participaram da criação, já existia desde os primeiros protótipos. O TSE realiza periodicamente o Teste Público de Segurança, no qual especialistas são convidados a tentar identificar vulnerabilidades nos sistemas eleitorais antes que eles sejam utilizados pelos eleitores.

A experiência brasileira transcendeu as fronteiras nacionais. Segundo dados citados pelos pesquisadores envolvidos no projeto, ao menos 33 países já utilizaram algum modelo de votação eletrônica inspirado ou relacionado à experiência brasileira. Em 2026, quando a urna eletrônica completa três décadas de uso oficial, a tecnologia deixou de ser uma novidade para fazer parte da rotina das eleições brasileiras. O que começou como uma conversa em uma quadra de tênis consolidou o Brasil como referência tecnológica em processos eleitorais, influenciando sistemas de votação em todo o mundo.

Com a implantação das urnas eletrônicas, há uma inibição clara desse processo de fraude
— José Maurício Cardoso do Rego, cientista político
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