Urna eletrônica completa 30 anos com avanços em acessibilidade e segurança reafirmada

Nenhuma das edições da auditoria encontrou fragilidades que alterassem o resultado
Resultado dos testes públicos anuais de segurança realizados pelo TSE desde antes de cada eleição.
Mark

Por que a urna eletrônica é tão importante para a história das eleições brasileiras?

Mimi

Porque ela transformou a votação de um processo manual, lento e disperso em um sistema centralizado, rápido e auditável. Antes dos anos 1980, cada estado tinha seus próprios registros de eleitores. A urna permitiu que o país inteiro votasse de forma padronizada.

Luke

Mas vale lembrar que a ideia de máquinas de votar é de 1932, e a primeira experiência real só aconteceu em 1989. Isso é um longo tempo entre a lei e a prática.

Mark

E quanto aos questionamentos sobre fraude que surgiram recentemente?

Mimi

Eles começaram de verdade no fim dos anos 2010, mas intensificaram muito em 2022. O TSE respondeu com testes públicos anuais onde especialistas tentam quebrar o sistema — e nunca conseguem encontrar fragilidades que alterem resultados.

Luke

É importante notar que nenhuma fraude foi comprovada. O que houve foi desinformação — acusações sem provas. O sistema tem segurança demonstrada, mas a confiança pública é outra coisa.

Mark

Qual é a novidade em 2026?

Mimi

O foco agora é acessibilidade. Nova interface, fonte otimizada para leitura, mais informações em Libras. Isso expande quem consegue votar com autonomia.

Luke

É uma evolução importante, mas também é verdade que a urna já tinha áudio para deficientes visuais desde antes. O que muda agora é a amplitude e a qualidade dessas funcionalidades.

Mark

Quantas urnas vão ser usadas?

Mimi

563.910 urnas de quatro gerações diferentes. Os modelos mais novos — UE2020 e UE2022 — representam 77% do total.

Luke

Isso significa que ainda há urnas de 2013 e 2015 em uso. Não é um problema de segurança, porque todas usam os mesmos sistemas, mas é um detalhe que mostra a vida útil longa desses equipamentos.

  • Urna eletrônica completa 30 anos de uso em 2026, tendo estreado em 1996 em 57 municípios
  • Sistema passou por 14 modelos diferentes desde 1996 até hoje
  • Em 2000, a votação eletrônica alcançou 100% dos municípios brasileiros
  • TSE utilizará 563.910 urnas em quatro gerações diferentes nas eleições de 2026
  • Testes públicos de segurança anuais nunca detectaram fragilidades que alterassem resultados

A urna eletrônica completa 30 anos de operação em eleições brasileiras, tendo evoluído de um projeto iniciado em 1995 para um sistema que atende 100% do eleitorado desde 2000. As principais inovações de 2026 focam em acessibilidade: nova interface, fonte otimizada para leitura, telas reorganizadas e ampliação de informações em Libras para eleitores com deficiência.

A urna eletrônica brasileira marca três décadas de uso em 2026 com novas funcionalidades de acessibilidade e reafirmação de segurança. O sistema, que estreou em 1996, passou por 14 modelos diferentes e agora oferece interface melhorada, fontes facilitadas e ampliação de recursos em Libras.

Três décadas separam a primeira urna eletrônica brasileira de hoje. Em 1996, quando o sistema estreou nas eleições municipais, cerca de 32,5 milhões de eleitores — aproximadamente um terço do país — votaram por máquina em apenas 57 municípios. Hoje, em 2026, o equipamento que nasceu para substituir gradualmente as cédulas de papel atende 100% do eleitorado nacional, tendo passado por 14 modelos diferentes e acumulado funcionalidades que vão muito além daquele teclado telefônico original.

A ideia de mecanizar a votação, porém, é anterior até mesmo à República. O Código Eleitoral de 1932 já previa a possibilidade de máquinas de votar, desde que preservassem o sigilo do voto e recebessem regulamentação da Justiça Eleitoral. Em 1958, Sócrates Ricardo Puntel desenvolveu uma das primeiras experiências conhecidas, com teclas e réguas para escolha de candidatos, mas o projeto nunca saiu do papel. O caminho real para a urna atual começou décadas depois, quando a informatização do país ganhou força nos anos 1980.

Entre 1985 e 1986, a Justiça Eleitoral criou um cadastro nacional informatizado de eleitores, reunindo cerca de 70 milhões de registros em uma base única — um passo fundamental que centralizou informações que antes estavam dispersas pelos estados. Em 1989, Brusque, município a 99 quilômetros de Florianópolis, recebeu uma experiência de votação por computador no segundo turno da eleição presidencial. Naquele mesmo ano, os tribunais regionais eleitorais começaram a transmitir informações para um computador central do Tribunal Superior Eleitoral. Cinco anos depois, em 1994, a Justiça Eleitoral realizou pela primeira vez o processamento eletrônico dos resultados de uma eleição geral usando sua própria estrutura — a votação ainda era em papel, mas a totalização dos votos já havia entrado na era digital.

O projeto da urna eletrônica começou a ser desenvolvido em 1995, durante a presidência do ministro Carlos Velloso no TSE. O equipamento, inicialmente chamado de Coletor Eletrônico de Votos, foi projetado para permitir que o eleitor escolhesse candidatos por números, usando um teclado semelhante ao de telefone. A estreia oficial ocorreu nas eleições municipais de 1996. A expansão foi extraordinariamente rápida: em 1998, apenas dois anos depois, o sistema chegou a 537 municípios e passou a ser utilizado por cerca de 61,1 milhões de pessoas. Em 2000, a votação eletrônica alcançou todos os municípios brasileiros e passou a atender 100% do eleitorado.

Nas décadas seguintes, o equipamento incorporou recursos como fotografia dos candidatos, áudio para eleitores com deficiência visual, biometria, Registro Digital do Voto e novos mecanismos de auditoria e segurança. Este ano, as principais mudanças estão voltadas à acessibilidade. A urna terá nova interface, fonte criada especificamente para facilitar a leitura, telas reorganizadas, barra de progresso durante a votação e ampliação das informações exibidas em Libras. O TSE prevê o uso de 563.910 urnas de quatro gerações diferentes — UE2013, UE2015, UE2020 e UE2022. Os dois modelos mais recentes representarão 77% das urnas usadas no pleito, mas todos terão os mesmos recursos para o eleitor e utilizarão os sistemas desenvolvidos pela Justiça Eleitoral.

A partir do fim da década de 2010, a urna eletrônica passou a ocupar o centro de campanhas de desinformação e questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral. O então presidente Jair Bolsonaro passou a dizer que o mecanismo era fraudado sem apresentar provas. Essas afirmações intensificaram a desinformação nas eleições de 2022, quando, segundo o TSE, circularam acusações sem provas de fraude, interpretações equivocadas de boletins de urna e informações falsas sobre a totalização dos votos. Em outubro de 2022, o tribunal aprovou uma resolução específica para enfrentar conteúdos falsos que atingissem a integridade do processo eleitoral.

Há uma série de eventos e recursos que comprovam a segurança da urna eletrônica brasileira. Em todos os anos anteriores a um pleito, nacional ou municipal, o TSE realiza o Teste Público de Segurança, quando profissionais de tecnologia da informação vão à sede do tribunal para tentar atacar o equipamento, tentando adulterar a votação, inserir ou remover votos ou quebrar o sigilo da escolha. Nenhuma das edições da auditoria encontrou fragilidades que alterassem o resultado de uma eleição. A corte eleitoral disponibiliza o código-fonte da urna para fiscalização de entidades como a OAB, Polícia Federal, Ministério Público e partidos políticos. Após a verificação, os programas recebem hashes — um código único que corresponde a uma impressão de cada sistema instalado — e as cópias são inseridas em mídia não-regravável e guardadas em sala-cofre do TSE. Cada Tribunal Regional Eleitoral faz uma cerimônia de lacração de urnas, quando os programas são instalados nas máquinas publicamente, a lista de eleitores e candidatos é inserida e os equipamentos são lacrados. A partir deste ponto, o dispositivo não é mais alterado até chegar às seções de votação.

O sistema estreou nas eleições municipais de 1996 e, quatro anos depois, já era utilizado em todo o país
— Tribunal Superior Eleitoral
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