Último dia do Rock in Rio 2026 celebra potência feminina com Twenty One Pilots maduro

Potência feminina sob chuva, som ruim e público menor
O sétimo dia do Rock in Rio 2026 encerrou com artistas mulheres dominando a programação apesar de adversidades técnicas e climáticas.
Mark

Como é que uma chuva o tempo todo não estraga completamente um festival? Parece que tudo fica prejudicado.

Mimi

Prejudica mesmo, especialmente o som. O Palco Sunset sofreu bastante com a qualidade sonora baixa. Mas as artistas — e aqui a gente fala principalmente de mulheres — conseguiram entregar apesar disso. Halsey, por exemplo, estava se recuperando de uma infecção facial e mesmo assim fez um show potente.

Luke

Mas aí fica a pergunta: quanto dessa potência é real e quanto é narrativa? A gente sabe que Halsey estava doente, que o som estava ruim, que choveu. Mas quantas pessoas realmente estavam lá? A organização não divulgou quantos dos cem mil ingressos foram vendidos.

Mark

Isso é importante mesmo. Se o festival ficou mais vazio, a "potência" que a gente está descrevendo é potência para quantas pessoas?

Mimi

É verdade. Mas o que a gente pode confirmar é que as artistas fizeram apresentações memoráveis. Ivete na sua vigésima vez, Joelma na sua estreia aos cinquenta anos, Zara com seu novo disco em ascensão.

Luke

Tudo isso é factual, sim. Mas a gente não sabe se foi a menor plateia do festival ou só menor que os dias anteriores. A organização foi vaga propositalmente.

Mark

E o Twenty One Pilots? Eles fecharam o festival. Como foi a recepção?

Mimi

Eles mostraram amadurecimento. Dez anos vindo ao Brasil, e agora são praticamente headliners indiscutíveis. Tyler Joseph com seus truques teatrais, Josh Dun na bateria trazendo complexidade musical.

Luke

Mas de novo: foi o menor público para um headliner nesta edição. A organização deixou isso implícito. Então a gente não pode dizer que foi uma celebração unânime.

Mark

Entendi. Então o que a gente realmente sabe é que choveu, o som ficou ruim, menos gente compareceu, mas as mulheres que estavam lá fizeram shows memoráveis.

Mimi

Exatamente. E isso importa. Porque mesmo com adversidades, a programação feminina foi o destaque real do dia.

Luke

Concordo. Mas é importante deixar claro que "destaque" aqui é para quem estava presente, não para uma multidão.

  • Twenty One Pilots fechou o festival após dez anos de apresentações no Brasil
  • Ivete Sangalo fez sua 20ª apresentação no Rock in Rio
  • Chuva ininterrupta prejudicou a qualidade sonora do Palco Sunset
  • Cem mil ingressos foram colocados à venda mas não se esgotaram
  • Halsey se recuperou de infecção facial para fazer apresentação potente

Twenty One Pilots fechou o festival mostrando amadurecimento após 10 anos de apresentações no Brasil, consolidando-se como headliner indiscutível de festivais. Mulheres dominaram a programação com shows potentes: Ivete Sangalo fez sua 20ª apresentação no Rock in Rio, Halsey se recuperou de infecção facial, e Zara Larsson apresentou seu álbum solar 'Midnight Sun'.

O sétimo dia do Rock in Rio 2026 encerrou com Twenty One Pilots como headliner, marcado pela potência de artistas mulheres como Halsey, Zara Larsson e Ivete Sangalo, sob chuva ininterrupta que afetou a qualidade sonora.

O último dia do Rock in Rio 2026 fechou sob chuva persistente, com Twenty One Pilots consolidando dez anos de presença no Brasil não mais como novidade, mas como headliner praticamente incontestável de festivais. A dupla americana — Tyler Joseph e Josh Dun — encerrou a madrugada de segunda-feira com uma performance que revelava a complexidade e o peso que a banda havia acumulado ao longo de sua trajetória. Não foi o maior público para um headliner nesta edição, conforme a organização deixou implícito ao não divulgar quantos dos cem mil ingressos colocados à venda foram efetivamente utilizados, mas a Cidade do Rock ainda assim oferecia presença suficiente para impressionar. Tyler Joseph continuava com seus truques característicos — máscaras que usava e descartava em minutos, ajoelhamentos teatrais, subidas em estruturas acima da plateia — mas agora tudo era conduzido por uma musicalidade mais sofisticada. Josh Dun na bateria alternava entre grooves dançantes, pegadas de R&B e toques de disco music, enquanto Tyler se dividia entre teclado, baixo, guitarra e seus vocais rasgados e precisos.

O dia, porém, pertencia às mulheres. Ivete Sangalo marcou presença pela vigésima vez no Rock in Rio, apresentando um espetáculo batizado de "A La Sangalo" que resgatava sua latinidade. Surgindo em uma plataforma ao final da tarde, ela usava um figurino longo e rendado cravejado de pedras vermelhas, que depois se transformava em um vestidinho curto. Aos cinquenta anos, Joelma fazia sua estreia no festival após mais de três décadas de carreira, subindo ao Palco Sunset com um figurino verde, amarelo e azul, penas coladas nos ombros e botas, cantando sucessos da Banda Calypso. Ela havia alongado especialmente os cabelos para o show, revelando nas redes sociais seu plano de "bater muito cabelo" no Rock in Rio, e cumpriu a promessa em momentos como "Juras de amor" e "Tchau pra você".

Halsey subiu ao Palco Mundo dois dias após compartilhar com seus seguidores que estava com uma infecção pesada no rosto e se entupindo de remédio. Nada disso aparecia em sua performance. A cantora americana, que já havia dividido com fãs seus problemas com endometriose, câncer no sangue e até um aborto no palco, fez uma apresentação potente e agressiva em sua estreia no Rock in Rio, trazendo sua versão mais roqueira. Ela gritou, brincou com fogo do cenário, subiu e desceu escadas que levavam até seu "castelo virtual", rolou pelos degraus e dominou o palco. O contraste era total com seu figurino — um vestido branco de babados e corselet que parecia frágil, salvo pela bota "sangrenta" que dava sinais do que viria.

Zara Larsson retornava ao festival pela segunda vez consecutiva, mas desta vez como popstar em plena ascensão. Seu disco solar "Midnight Sun", lançado em 2025, havia transformado sua trajetória. Quando ela abriu o show com a faixa-título, ganhou um coro que não tinha há anos. "Sei que está chovendo, mas vamos trazer o sol nesta noite", disse, referindo-se ao repertório que fala sobre a festa que é o verão sueco, um eterno sol da meia-noite. Vários fãs estavam com blusas grafitadas ou looks tropicais anos 2000, a cara da era de Zara. Marina Sena fazia sua estreia solo no Rock in Rio no Palco Sunset, expandindo suas "Coisas Naturais" — disco que fala sobre raízes e identidade da cantora natural de Taiobeiras, no norte de Minas. O show foi norteado por uma pegada orgânica: rabeca, violões e percussões soltas, roupas e elementos como se feitos à mão. Após a apresentação, Marina negou que o boneco de pano que havia rasgado fosse qualquer indireta ao ex-namorado Juliano Floss, dizendo ao G1 estar "pegando as vísceras de todo o patriarcado".

A chuva ininterrupta que marcou todo o sétimo dia prejudicou significativamente a qualidade sonora do Palco Sunset. Marina Sena foi uma das estrelas afetadas pelo som baixo das caixas, assim como Zara Larsson e Joelma. A emissão sonora não estava tão consistente como nos dias anteriores. Lolla Young, cantora inglesa que estreava no Brasil, enfrentou problemas técnicos que atrapalharam o começo de seu show no Palco Mundo, onde começou a cantar depois das 19h. Acompanhada por uma banda de cinco integrantes, ela cantava com um vocal rasgado ao som de arranjos que passavam perto do gospel e do soul, com um cinegrafista rodeando-a com ângulos pouco comuns. Carol Biazin reencontrava o festival em solo brasileiro após levar seu repertório ao Rock in Rio Lisboa em 2026, abrindo o show com "Dilemas da Vida Moderna" e "Low Profile", consolidando sua conexão com a comunidade LGBTQIA+ através de canções sobre relacionamentos entre mulheres.

O festival parecia ter ficado mais vazio do que nos dias anteriores. Os cem mil ingressos colocados à venda para o segundo dia não se esgotaram, sugerindo que a chuva insistente havia afugentado o público. Ainda assim, o sétimo dia do Rock in Rio 2026 deixava claro que a potência feminina havia dominado a programação, com artistas em diferentes estágios de suas carreiras — desde Ivete em sua vigésima apresentação até Marina e Lolla em suas estreias — demonstrando a força e a diversidade que o festival havia conseguido reunir sob aquele céu cinzento e persistentemente úmido.

Sei que está chovendo, mas vamos trazer o sol nesta noite
— Zara Larsson, sobre seu repertório do álbum 'Midnight Sun'
Sou latina, sou baiana, sou louca, sou o que eu quiser ser
— Ivete Sangalo, em seu 20º show no Rock in Rio
Estou pegando as vísceras de todo o patriarcado
— Marina Sena, negando que o boneco rasgado fosse indireta ao ex-namorado
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