Ulisses ganha humanidade em Quem Ama Cuida e desperta pena do público

Adriana foi injustamente presa devido às ações de Ulisses e outros membros da família Brandão.
Sentir pena dele não significa absolvê-lo
A novela humaniza Ulisses sem apagar seus crimes contra Adriana, mantendo a complexidade moral intacta.
Mark

Por que o público começou a sentir pena de Ulisses agora, quando ele claramente prejudicou Adriana?

Mimi

Porque a novela parou de tratá-lo como um vilão de uma dimensão só. Ele está arruinado, abandonado, e isso revela fragilidades que estavam escondidas sob os privilégios.

Luke

Mas isso não muda o fato de que ele ajudou a colocar Adriana na prisão, certo?

Mimi

Exato. Os erros continuam ali. A humanização não apaga nada — apenas reconhece que ele é mais complicado que Ademir, que age com deliberação para destruir.

Mark

Qual é a diferença entre Ulisses e Ademir, então?

Mimi

Ademir manipula situações e responde a cada derrota com uma nova armação. Ulisses tem um vício em jogos que o destruiu. Um age por maldade, o outro por fraqueza.

Luke

E Lyris? Ela é parte dessa humanização ou é um artifício narrativo?

Mimi

Ela começou como parte de um plano contra os Brandão, mas a convivência se tornou real. Ela vê as fragilidades dele e se envolveu emocionalmente.

Mark

Então o público pode torcer por ele e por Adriana ao mesmo tempo?

Mimi

Pode. Sentir pena dele não significa absolvê-lo. Significa reconhecer que ele é um personagem mais complexo agora.

Luke

A esposa dele, Fábia, também está ajudando nessa mudança de percepção?

Mimi

Muito. Ela roubou uma fortuna da conta conjunta e age como se tudo lhe pertencesse. Isso inverte a dinâmica — de repente, Ulisses não é mais o vilão óbvio.

  • Ulisses ajudou a colocar Adriana na prisão injustamente, e esse peso não some com sua queda — ele permanece como a sombra que define os limites de qualquer empatia possível.
  • A ruína financeira, o vício em jogos de azar escondido por anos e a traição de Fábia com o próprio irmão dele empurram o personagem para um colapso que ele mesmo ajudou a construir.
  • Enquanto Ademir reage a cada derrota com vingança calculada, Ulisses revela carência e vulnerabilidade — uma diferença que a narrativa usa para separar os dois antagonistas.
  • A aproximação com Lyris, que começou como estratégia de Adriana, transformou-se em envolvimento emocional genuíno, e o quase casal já conquista torcida nas redes sociais.
  • A novela, escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, aposta que sentir pena de Ulisses e condená-lo por seus crimes podem coexistir — e que essa tensão é mais honesta do que qualquer redenção fácil.

Em Quem Ama Cuida, a novela das nove da Globo, o personagem Ulisses percorre um caminho que a ficção raramente trilha com cuidado: o de tornar compreensível quem já foi cúmplice de uma injustiça grave. Arruinado, traído e exposto em suas fraquezas mais íntimas, ele não é absolvido — mas deixa de ser apenas um símbolo do mal para se tornar um homem com história. É o tipo de transformação que nos lembra que a complexidade moral não é privilégio dos inocentes.

Quando Ulisses apareceu pela primeira vez em Quem Ama Cuida, seu papel era claro: era um dos homens que lucraram com a desgraça de Adriana, cúmplice direto de uma injustiça que a levou à prisão. Mas a novela começou a fazer algo mais arriscado com ele. Arruinado e abandonado pela mulher, o personagem de Alexandre Borges passou a revelar uma vulnerabilidade que tornou sua leitura mais difícil — e mais humana.

Seu passado não foi apagado. O vício em jogos de azar, escondido por anos a qualquer custo, contribuiu para sua própria ruína. Sem o dinheiro e o status dos Brandão, ele se viu obrigado a enfrentar as consequências reais de suas escolhas. E as revelações não param: Fábia, sua mulher, esvaziou a conta conjunta com o dinheiro da venda das ações dele na Brandão Joias — e ele ainda descobrirá que ela o traiu com seu próprio irmão, Arthur.

O contraste com Ademir é deliberado. O advogado reage a cada derrota com vingança calculada, sem reflexão visível. Ulisses, no fundo do poço, demonstra carência e necessidade de afeto — traços que o distanciam do perfil de antagonista puro.

É nesse espaço que Lyris entra. Aproximada dele dentro de um plano de Adriana contra os Brandão, ela passou a enxergar suas fragilidades e se envolveu emocionalmente. O quase casal já tem torcida nas redes sociais. Mas os autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto deixam claro que humanizar Ulisses não significa absolvê-lo. Sentir pena dele e reconhecer o que ele fez com Adriana não são sentimentos que se cancelam — e é justamente essa tensão que a novela, prevista para ir ao ar até janeiro de 2027, parece querer sustentar.

Quando Ulisses entrou em cena em Quem Ama Cuida, ele era um dos homens que lucraram com a desgraça de Adriana — um vilão de contornos claros, alguém cujas ações tinham peso e consequência. Mas a novela começou a fazer algo mais interessante com ele. Arruinado, abandonado pela mulher, cada vez mais próximo de Lyris, o personagem de Alexandre Borges começou a revelar uma vulnerabilidade que mudou a forma como o público podia vê-lo. Não é redenção. É algo mais complicado que isso.

O passado de Ulisses não desaparece. Ele escondeu durante anos um vício em jogos de azar, mentiu para manter as aparências, usufruiu da herança de Arthur. Teve responsabilidade direta na injustiça contra Adriana, ajudou a colocá-la atrás das grades. Tudo isso permanece. Mas os autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto começaram a construir algo diferente dele — algo que não cabe no mesmo espaço ocupado por Ademir, o advogado que age com deliberação para destruir quem atravessa seu caminho. Quando Ademir é condenado, ele ataca. Quando sofre uma derrota, ele arma a próxima revanche. Não há reflexão, não há arrependimento visível. Sua reação aos golpes é sempre partir para a vingança.

Ulisses ganhou uma construção mais ambígua. Sua compulsão pelo jogo foi a fraqueza que tentou esconder a qualquer custo, e essa mesma fraqueza contribuiu para sua ruína. Sem o dinheiro e o status que sustentavam sua vida, ele passou a enfrentar as consequências reais das próprias escolhas. Debaixo dos privilégios dos Brandão havia um lado que permanecia escondido — e agora ele está exposto.

O comportamento de Fábia, sua mulher, ajuda a inverter ainda mais a percepção sobre o personagem. Ela retirou uma fortuna da conta conjunta, proveniente da venda das ações dele na Brandão Joias, e começou a agir como se todo o patrimônio lhe pertencesse. A ironia é pesada: o falido fazia questão de bancar a vida confortável da esposa até pouco tempo atrás. E há mais — ele descobrirá que Fábia o traiu com seu próprio irmão. O caso dela com Arthur virá à tona e acrescentará outra camada à derrocada do personagem.

Com Ulisses no fundo do poço, Lyris começa a revelar um homem diferente. O quase casal já conta com torcida nas redes sociais. Ela se aproximou dele dentro de um plano de Adriana contra os Brandão, mas a convivência deixou de ser apenas estratégia. A personagem passou a enxergar suas fragilidades e se envolveu emocionalmente. Longe das disputas por patrimônio, o jogador compulsivo demonstra carência, afeto, uma necessidade de ser acolhido que o distancia do perfil de Pilar e Ademir. Lyris funciona como a personagem capaz de mostrar essas nuances sem apagar tudo o que ele fez.

A humanização só funciona porque os erros continuam ali. Ulisses se beneficiou de uma situação profundamente injusta para Adriana. Sentir pena dele agora não significa absolvê-lo — significa reconhecer que a novela deixou de tratá-lo como um antagonista de uma nota só. Escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com direção artística de Amora Mautner, Quem Ama Cuida está prevista para ficar no ar até janeiro de 2027.

Ulisses não cabe no mesmo lugar ocupado por Ademir — um age por deliberação para destruir, o outro por fraqueza
— Análise dos autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto sobre o desenvolvimento do personagem
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