UE mantém rigor sanitário e não flexibilizará exigências para carne brasileira

Produtores brasileiros de carne enfrentarão perda de acesso ao mercado europeu, afetando exportações de carne bovina, frango, cavalo, tripas, pescado e mel a partir de setembro.
Quem atende aos padrões permanece; quem não atende, sai.
O embaixador da Irlanda explica a lógica técnica e objetiva por trás da decisão europeia de remover o Brasil da lista de exportadores autorizados.
Mark

Por que a União Europeia não flexibiliza essas exigências? O Brasil é um grande produtor de carne.

Mimi

Porque para a Europa, os padrões técnicos não são negociáveis. Se flexibilizassem para o Brasil, teriam de flexibilizar para todos. O sistema desmorona.

Mark

Mas o Brasil não sabia disso? Essas regras são novas?

Mimi

Não. Gallagher foi bem claro: a Europa vinha discutindo isso com o Brasil há anos. Não é surpresa. É negligência ou incapacidade de se adaptar.

Mark

Então outros países conseguiram se adequar?

Mimi

Sim. Outros sul-americanos estão na lista. Conseguiram fazer o que o Brasil não fez. Isso torna a posição europeia ainda mais difícil de contestar.

Mark

Qual é o problema técnico exatamente? Por que o Brasil não consegue mudar?

Mimi

Antimicrobianos são usados na produção animal. A Europa quer controle rigoroso disso. O Brasil usa de forma mais liberal, inclusive como promotor de crescimento. Mudar isso leva tempo — estimam 30 meses. Setembro chega antes.

Mark

Há alguma chance de acordo antes de setembro?

Mimi

Gallagher não descarta, mas não promete. Tudo depende de o Brasil conseguir implementar um sistema de conformidade rápido. É uma corrida contra o tempo que o Brasil provavelmente vai perder.

Mark

E se o Brasil não conseguir?

Mimi

Perde acesso ao mercado europeu. Carne bovina, frango, cavalo, mel, tudo. É um golpe econômico significativo para o agronegócio brasileiro.

  • A partir de 3 de setembro, o Brasil perde o direito de exportar carne bovina, frango, cavalo, tripas, pescado e mel para a União Europeia, um dos maiores mercados consumidores do mundo.
  • A indústria brasileira admite que a adequação é improvável a tempo: o ciclo produtivo da pecuária bovina exige cerca de 30 meses para absorver as mudanças exigidas.
  • O embaixador irlandês Martin Gallagher foi categórico — as regras estavam sobre a mesa há anos, outros países sul-americanos se adequaram, e não haverá flexibilização para o Brasil.
  • O governo brasileiro mantém diálogo com a Comissão Europeia, mas a responsabilidade de implementar os sistemas de conformidade sanitária recai inteiramente sobre Brasília.

Em julho de 2026, sob presidência irlandesa do Conselho da UE, a Europa reafirmou que não abrirá exceções sanitárias para reintegrar o Brasil à lista de países exportadores de carne ao bloco. A decisão, técnica e anunciada com antecedência, reflete um princípio mais amplo: no comércio internacional, as regras do destino prevalecem sobre os interesses do fornecedor. O Brasil tem até 3 de setembro para demonstrar conformidade com os padrões europeus sobre antimicrobianos — ou verá desaparecer um dos seus mais valiosos mercados.

Com a Irlanda presidindo o Conselho da União Europeia, o embaixador Martin Gallagher deixou claro em julho que o bloco não recuará sobre suas exigências sanitárias relativas ao uso de antimicrobianos na produção animal. A mensagem é direta: o Brasil se adequa ou fica de fora.

Em junho, a UE oficializou a retirada do Brasil da lista de países aptos a exportar produtos de origem animal ao bloco. A partir de 3 de setembro, carne bovina, frango, cavalo, tripas, pescado e mel brasileiros deixam de ter acesso ao mercado europeu. Gallagher sublinhou que essa exigência não é nova — foi discutida com as autoridades brasileiras ao longo de anos, e outros países sul-americanos já conseguiram se adequar.

O setor produtivo brasileiro reconhece a dificuldade: a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes estima que seriam necessários cerca de 30 meses para implementar as mudanças exigidas, prazo incompatível com setembro. O embaixador usou uma analogia precisa — assim como o Brasil não reduziria seus próprios padrões sanitários para facilitar exportações irlandesas, a UE não fará o inverso. É reciprocidade, é princípio.

Ainda assim, uma porta permanece aberta. O governo brasileiro segue em diálogo com a Comissão Europeia, e o bloco se diz disposto a discutir os caminhos para a adequação. Mas o relógio corre, e a responsabilidade de agir é brasileira.

Em julho, com a Irlanda à frente da presidência rotativa do Conselho da União Europeia, o embaixador Martin Gallagher deixou claro em entrevista que o bloco não recuará sobre suas exigências sanitárias para permitir que a carne brasileira volte aos seus mercados. A posição é firme: ou o Brasil se adequa aos padrões europeus sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, ou fica de fora.

O contexto é este: em junho, a União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir suas normas de controle de antimicrobianos. A partir de 3 de setembro, o país ficará impedido de exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco. Até então, o Brasil vendia carne bovina, frango, cavalo, tripas, pescado e mel para a Europa. Tudo isso desaparece em setembro.

Gallagher ressaltou que essas regras não surgiram do nada. A União Europeia vinha discutindo esses padrões com as autoridades brasileiras há anos. Não é uma surpresa, não é uma mudança repentina. É uma exigência técnica que estava sobre a mesa há bastante tempo. O embaixador foi claro: a decisão de remover o Brasil da lista foi puramente técnica, baseada em critérios objetivos. Quem atende aos padrões permanece; quem não atende, sai. Simples assim.

O problema é que o Brasil não conseguiu se adequar. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes afirmou que há grandes chances de a produção não conseguir se adequar a tempo. O ciclo de produção da pecuária bovina é longo demais. Estima-se que seriam necessários cerca de 30 meses para implementar as mudanças exigidas. Setembro chegará muito antes disso.

Gallagher apontou que outros países sul-americanos conseguiram atender às exigências e permanecem habilitados a exportar. A regra é objetiva, disse ele. Os padrões técnicos estão no centro do projeto europeu. Não há flexibilização para alguns e rigidez para outros. Ou todos seguem as mesmas regras, ou o sistema não funciona.

Ainda assim, o embaixador deixou uma porta aberta. O governo brasileiro mantém diálogo com a Comissão Europeia, e o bloco segue aberto a negociações. A União Europeia está disposta a discutir os caminhos para que o Brasil se adeque. Mas a responsabilidade é brasileira. Cabe ao Brasil estabelecer os sistemas e padrões necessários para garantir o cumprimento das exigências sanitárias europeias.

Gallagher usou uma analogia para explicar a posição do bloco. Se a Irlanda quisesse exportar produtos para o Brasil, teria de cumprir os requisitos sanitários e fitossanitários brasileiros. O Brasil não reduziria seus padrões apenas porque a Irlanda desejasse vender algo. Da mesma forma, a União Europeia não fará isso com o Brasil. É reciprocidade, é princípio.

Quanto ao prazo até 3 de setembro, o embaixador não pôde prever se uma solução será alcançada a tempo. Ele não participa diretamente das negociações. Mas acredita que o impasse pode ser resolvido ao longo do tempo, desde que o diálogo seja mantido. Enquanto isso, o Brasil corre contra o relógio para implementar um sistema que garanta conformidade com os padrões europeus, ou verá suas exportações de carne desaparecerem do maior mercado consumidor do mundo.

Essas exigências relacionadas aos padrões para uso de antimicrobianos não são novas. Elas já são conhecidas há bastante tempo, e a União Europeia vinha mantendo diálogo com as autoridades brasileiras sobre esses padrões há algum tempo.
— Martin Gallagher, embaixador da Irlanda no Brasil
A regra é muito simples: quem atende aos padrões permanece na lista; quem não atende, deixa de fazer parte dela. Os padrões técnicos estão no centro da União Europeia e do próprio projeto europeu.
— Martin Gallagher
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