Na cidade de Lviv, o ex-ministro ucraniano Mykhailo Fedorov anunciou um plano para colocar robôs humanoides em combate num prazo de seis meses — uma aposta que reflete, ao mesmo tempo, o desespero humano diante da guerra de desgaste e a crença de que a tecnologia pode poupar vidas onde a diplomacia ainda não chegou. O projeto, batizado 'Exército de Robôs', prolonga uma tradição de inovação forçada pela invasão russa, mas enfrenta o abismo entre a visão ambiciosa e as limitações reais dos sistemas autónomos disponíveis. A história da Ucrânia tecnológica continua a ser escrita entre o possível e
Ucrânia planeia robôs humanoides para matar inimigos em seis meses
Robôs humanoides a matar soldados inimigos em seis meses
Por que é que Fedorov está a fazer isto agora, fora do Governo? Parece uma mudança radical.
Não é tanto uma mudança como uma reorientação. Ele foi afastado do Ministério da Defesa em julho, mas a sua visão sobre tecnologia militar nunca desapareceu. Agora tem liberdade para agir no setor privado, sem as restrições de um cargo governamental.
Mas há uma questão de credibilidade aqui. Ele está a fazer promessas muito específicas — um robô a matar um soldado inimigo em seis meses — e isso é extraordinariamente ambicioso. Precisamos de saber se isto é viável ou se é mais uma declaração política.
Os sistemas que existem agora na Ucrânia conseguem fazer isto?
Não. Os drones e veículos não tripulados que estão em uso dependem de operadores humanos. São controlados remotamente, precisam de ser reabastecidos e reparados, e são vulneráveis aos ataques inimigos. Estão longe da autonomia que Fedorov está a descrever.
Exatamente. O vídeo que ele mostrou com inteligência artificial é uma coisa. A realidade do campo de batalha é outra completamente diferente. A maioria dos modelos que aparecem nesse vídeo não está sequer a ser utilizada em operações reais.
Então isto é apenas um plano, uma visão?
É um plano com financiamento real. Ele tem apoio de empresas americanas, incluindo a Palantir. Mas sim, é ainda uma visão. O que falta é demonstrar que é possível.
E há uma questão ética subjacente que o artigo não explora completamente. Estamos a falar de sistemas autónomos a tomar decisões letais. Mesmo que seja tecnicamente possível, há questões legais e morais que não foram abordadas.
El Pulso
- Fedorov prometeu publicamente que um robô humanoide será responsável pela morte do primeiro soldado inimigo dentro de seis meses — uma declaração que eleva as expectativas a um nível sem precedentes.
- O anúncio chega meses após o seu afastamento polémico do Ministério da Defesa, transformando uma saída controversa numa reinvenção pelo setor privado.
- O 'Exército de Robôs' não é uma empresa, mas uma estrutura guarda-chuva que tenta reunir iniciativas dispersas, com financiamento de figuras como Alex Karp, da Palantir.
- Na frente de batalha, a realidade é mais sóbria: os sistemas terrestres não tripulados atuais dependem de operadores humanos e são vulneráveis a drones inimigos, ficando muito aquém da autonomia prometida.
- O vídeo gerado por IA exibido na conferência mostrou robôs em combate que, na sua maioria, ainda não existem operacionalmente na Ucrânia — levantando dúvidas sobre onde termina a visão e começa a propaganda tecnológica.
Na cidade de Lviv, o ex-ministro ucraniano Mykhailo Fedorov anunciou um plano para colocar robôs humanoides em combate num prazo de seis meses — uma aposta que reflete, ao mesmo tempo, o desespero humano diante da guerra de desgaste e a crença de que a tecnologia pode poupar vidas onde a diplomacia ainda não chegou. O projeto, batizado 'Exército de Robôs', prolonga uma tradição de inovação forçada pela invasão russa, mas enfrenta o abismo entre a visão ambiciosa e as limitações reais dos sistemas autónomos disponíveis. A história da Ucrânia tecnológica continua a ser escrita entre o possível e o necessário.
Na conferência IT Arena, em Lviv, Mykhailo Fedorov subiu ao palco com uma promessa radical: em seis meses, um robô humanoide ucraniano matará o primeiro soldado inimigo. Em um ano, um assalto a posições inimigas será realizado sem uma única tropa de infantaria humana. O anúncio do ex-ministro da Transformação Digital — afastado do Ministério da Defesa em julho — marcou a sua reinvenção pública como arquiteto de uma guerra tecnológica conduzida a partir do setor privado.
O projeto 'Exército de Robôs' não é uma empresa singular, mas uma estrutura destinada a agregar iniciativas e empresas de tecnologia militar. A estratégia inclui investimento em startups de defesa, criação de capacidades próprias de investigação, testes com os militares no terreno e escalonamento do que funciona. Fedorov conta com apoio de peso: entre os primeiros investidores previstos está Alex Karp, presidente executivo da Palantir. No final de agosto, já havia anunciado nos EUA um fundo de financiamento para inovação militar ucraniana.
A iniciativa prolonga o legado do 'Exército de Drones', criado por Fedorov em 2022, que se tornou peça central da resistência ucraniana. Veículos terrestres não tripulados já operam na frente, sobretudo em missões de abastecimento e evacuação — tarefas tornadas mortais pela omnipresença de drones inimigos. Mas a autonomia real ainda é uma miragem: a maioria dos sistemas é controlada por humanos, precisa de manutenção constante e continua vulnerável.
Durante a apresentação, um vídeo gerado por inteligência artificial mostrou robôs humanoides, quadrúpedes e formas esféricas em combate — imagens que, em grande parte, não correspondem a sistemas operacionais na Ucrânia. A organização que liderará o projeto não foi identificada, mas Fedorov apelou a engenheiros de robótica para se juntarem à causa. Fora do Governo, insiste, continua a trabalhar na mesma missão: criar tecnologias que ajudem a Ucrânia a vencer e que salvem a vida dos seus soldados.
Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa ucraniano, apresentou no sábado um plano que promete colocar robôs humanoides a matar soldados inimigos num prazo de seis meses. O anúncio foi feito na conferência tecnológica IT Arena, em Lviv, alguns meses depois de Fedorov ter deixado o Governo envolvido em controvérsia. A iniciativa, que recebe apoio de empresas tecnológicas americanas, marca uma escalada na aposta ucraniana em sistemas autónomos para substituir combatentes humanos nas trincheiras.
O projeto, batizado "Exército de Robôs", não é uma empresa única, mas uma estrutura destinada a reunir diferentes iniciativas e empresas de tecnologia militar. Fedorov estabeleceu objetivos ambiciosos: dentro de seis meses, um robô humanoide deverá ser responsável pela morte do primeiro soldado inimigo; num prazo de um ano, pretende-se realizar um assalto a uma posição inimiga sem recurso a tropas de infantaria. A estratégia passa por investir em empresas de defesa, lançar projetos tecnológicos próprios, criar capacidades de investigação e desenvolvimento, testar soluções com os militares e aumentar a produção daquilo que funciona no campo de batalha.
Este plano prolonga uma aposta que Fedorov já havia iniciado quando era ministro da Transformação Digital. Em 2022, criou o "Exército de Drones", que se tornou um elemento central da resposta ucraniana à invasão russa. Depois de ser afastado do Ministério da Defesa em julho, Fedorov reorientou-se para o setor privado. No final de agosto, anunciou nos EUA a criação de um fundo destinado a financiar inovação e aumentar a produção de equipamentos para a defesa ucraniana. Pouco depois, revelou a intenção de criar uma empresa de tecnologia de defesa, contando entre os primeiros investidores previstos Alex Karp, presidente executivo da Palantir.
A utilização de veículos terrestres não tripulados já tem vindo a aumentar na guerra ucraniana, sobretudo em missões de transporte de abastecimentos e evacuação de feridos. A presença massiva de drones junto à frente tornou essas tarefas particularmente perigosas para veículos com tripulação. Contudo, os sistemas atualmente em uso estão longe da autonomia que o conceito de "guerra de robôs" sugere. A maioria é controlada diretamente por operadores humanos, necessita de ser reabastecida, recarregada e reparada no terreno, e continua vulnerável aos ataques de drones inimigos.
Durante a apresentação, Fedorov exibiu um vídeo criado com recurso a inteligência artificial, mostrando diferentes tipos de robôs — humanoides, com formas semelhantes a cães, aranhas ou esferas — em combate em trincheiras e em campo aberto. A maioria desses modelos, porém, não é atualmente utilizada em operações de combate na Ucrânia. A organização responsável pelo "Exército de Robôs" não foi identificada durante o anúncio, mas Fedorov apelou à participação de engenheiros especializados em robótica no projeto. Mesmo fora do Governo, afirmou, continua a trabalhar na sua visão de guerra tecnológica — ar, terra, economia — e na missão de criar tecnologias que ajudem a Ucrânia a vencer e salvem a vida dos militares.
Citas Notables
Vamos investir em empresas de tecnologia de defesa, lançar os nossos próprios projetos tecnológicos, criar capacidades de investigação e desenvolvimento, testar soluções em conjunto com os militares e aumentar rapidamente a produção daquilo que realmente funciona no campo de batalha— Mykhailo Fedorov
Mesmo fora do Governo, agora a partir do setor privado, continuamos a trabalhar na nossa visão da guerra tecnológica — Ar. Terra. Economia. — e na nossa principal missão: criar tecnologias que ajudem a Ucrânia a vencer e salvem a vida dos nossos militares— Mykhailo Fedorov