Enquanto o inverno se aproxima e documentos revelam uma nova doutrina russa que autoriza ataques sistemáticos a escolas, hospitais e estradas para forçar o abandono de Kiev, Zelensky anuncia uma resposta deliberada: intensificar os ataques às refinarias de petróleo que financiam a máquina de guerra de Moscovo. É uma escolha que revela tanto a lógica da guerra económica como a tentativa ucraniana de manter uma distinção moral num conflito onde essa linha se torna cada vez mais difusa. O silêncio diplomático de Moscovo, mesmo com Washington a tentar reativar negociações, sugere que a espiral de
Ucrânia intensifica ataques a refinarias russas em resposta a nova doutrina de Moscovo
Temos de responder atacando os deles. As refinarias são elas que lhes dão dinheiro
Zelensky diz que vai atacar refinarias russas em resposta a esta nova doutrina. Mas como é que ele sabe que Putin emitiu uma "nova doutrina"? Onde estão os documentos?
Os serviços secretos ucranianos obtiveram documentos que revelam isto. Zelensky citou-os na entrevista, explicando que autorizam ataques a infraestruturas civis — estradas, escolas, hospitais — para pressionar as pessoas a abandonarem cidades.
Mas nós não vimos esses documentos. Estamos a confiar na interpretação ucraniana daquilo que Putin terá emitido. É importante notar que isto é uma alegação, não uma confirmação independente.
E porque é que Putin faria isto agora? Qual é a lógica?
Segundo Zelensky, porque as forças russas estão a perder terreno numa região-chave da linha da frente e a sofrer mais baixas. A mudança de tática é uma forma de Putin parecer forte internamente, talvez, ou de mudar a dinâmica da guerra.
Isso é especulação sobre motivações. O que sabemos é que Moscovo confirmou que vai continuar a atingir sistematicamente alvos — o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo disse isso. Mas não temos confirmação independente de que isto é uma "nova doutrina" ou apenas uma continuação de tática anterior.
Zelensky diz que não vai atacar civis como faz a Rússia. Mas como é que se diferencia um ataque a uma refinaria de um ataque a infraestruturas civis?
Uma refinaria é uma instalação militar-industrial que financia a guerra. Zelensky é claro: "são elas que lhes dão dinheiro para esta guerra". É uma escolha de alvo diferente da de bombardear escolas ou hospitais.
Verdade, mas refinarias também têm trabalhadores civis. E os ataques a infraestruturas energéticas afetam a população civil que depende dessa energia. A distinção é real, mas não é tão clara quanto parece.
E quanto às negociações? Trump está a tentar reativar conversas de paz.
Zelensky diz que não tem recebido sinais de Moscovo de que Putin esteja interessado em negociações ou num cessar-fogo sobre infraestruturas energéticas. Portanto, por enquanto, não há espaço para diplomacia.
Zelensky está a falar sobre o que não recebeu de Moscovo. Mas não sabemos o que Trump está realmente a oferecer ou a que tipo de negociações se refere. A situação diplomática é opaca.
Der Puls
- Putin emitiu uma doutrina que autoriza ataques a infraestruturas civis — estradas, escolas, hospitais — com o objetivo explícito de forçar a população a abandonar Kiev antes do inverno.
- Os serviços secretos ucranianos interceptaram os documentos que revelam esta estratégia, transformando o que poderia ser negado em política declarada.
- Zelensky responde com uma escalada cirúrgica: atacar as refinarias russas que geram a receita que sustenta o esforço de guerra, sem replicar o bombardeamento indiscriminado de civis.
- Moscovo confirmou indiretamente a mudança de rumo ao pedir a cidadãos estrangeiros que abandonem Kiev e ao anunciar ataques sistemáticos contínuos.
- A administração Trump tenta reativar negociações de paz, mas Zelensky afirma não ter recebido qualquer sinal de interesse russo em cessar-fogo ou diálogo.
- A questão que permanece sem resposta é se a resposta calibrada da Ucrânia conseguirá dissuadir a nova doutrina russa ou se apenas aprofundará a escalada.
Enquanto o inverno se aproxima e documentos revelam uma nova doutrina russa que autoriza ataques sistemáticos a escolas, hospitais e estradas para forçar o abandono de Kiev, Zelensky anuncia uma resposta deliberada: intensificar os ataques às refinarias de petróleo que financiam a máquina de guerra de Moscovo. É uma escolha que revela tanto a lógica da guerra económica como a tentativa ucraniana de manter uma distinção moral num conflito onde essa linha se torna cada vez mais difusa. O silêncio diplomático de Moscovo, mesmo com Washington a tentar reativar negociações, sugere que a espiral de escalada ainda não encontrou o seu tecto.
Numa entrevista à Reuters, Zelensky anunciou que a Ucrânia vai intensificar os ataques às refinarias de petróleo russas em resposta a uma mudança de estratégia militar de Moscovo. A lógica é direta: são as refinarias que geram o dinheiro que financia a guerra. Mas o presidente ucraniano foi cuidadoso em traçar uma linha — a Ucrânia não replicará a tática russa de bombardear indiscriminadamente alvos civis.
O que motivou a declaração foi a descoberta, pelos serviços secretos ucranianos, de documentos que revelam uma nova doutrina assinada por Putin. Esta política autoriza ataques a um espectro muito mais amplo de infraestruturas civis — estradas, escolas, hospitais — com um objetivo explícito: forçar a população a abandonar Kiev e outras cidades enquanto o inverno se aproxima. Para Zelensky, trata-se de uma operação de pressão psicológica e deslocação forçada, que reflete também as dificuldades militares russas na linha da frente.
Moscovo confirmou indiretamente a mudança de rumo: o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo pediu a cidadãos estrangeiros que abandonem Kiev e anunciou que continuará a atingir sistematicamente alvos ucranianos, descrevendo-o como retaliação. A linguagem era a de uma campanha planeada, não de ataques pontuais.
No plano diplomático, a administração Trump procura reativar negociações para encerrar um conflito que já dura quatro anos. Mas Zelensky afirmou não ter recebido qualquer sinal de Moscovo sobre interesse em negociações ou cessar-fogo. A ausência de abertura diplomática deixa pouco espaço para esperança de desescalada. O que fica por saber é se a resposta calibrada de Kiev será suficiente para travar a nova doutrina russa — ou se apenas alimentará uma espiral que nenhum dos lados parece disposto a interromper.
Volodymyr Zelensky deixou claro, numa entrevista à Reuters, que a Ucrânia não ficará passiva perante a mudança de estratégia militar russa. A resposta será direta: intensificar os ataques às refinarias de petróleo russas. "Perante os ataques aos nossos recursos energéticos, temos de responder atacando os deles. Em primeiro lugar, as refinarias de petróleo: são elas que lhes dão dinheiro para esta guerra", explicou o presidente ucraniano. O tom era firme, mas também cuidadoso — Zelensky deixou claro que a Ucrânia não replicaria a tática russa de bombardear indiscriminadamente alvos civis.
O que motivou esta declaração foi a descoberta de documentos pelos serviços secretos ucranianos que revelam uma "nova doutrina" emitida por Vladimir Putin. Esta política autoriza ataques militares a um espectro muito mais amplo de infraestruturas civis — estradas, escolas, hospitais, sistemas de logística — com um objetivo explícito: forçar a população a abandonar Kiev e outras cidades. Zelensky interpretou isto como uma operação de pressão psicológica e deslocação forçada, tudo enquanto o inverno se aproxima. A mudança de tática, segundo o presidente ucraniano, reflete a dificuldade militar de Putin: as forças russas estão a perder terreno numa região-chave da linha da frente e a sofrer um número crescente de baixas.
Moscovo confirmou, de forma indireta, a mudança de rumo. O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo emitiu um comunicado instando cidadãos estrangeiros a abandonarem Kiev, afirmando que continuaria a atingir sistematicamente alvos no que descreveu como retaliação aos ataques ucranianos dos últimos meses. A linguagem era a de uma campanha planeada e contínua, não de ataques pontuais.
O contexto diplomático complica ainda mais o cenário. A administração do presidente americano Donald Trump tem procurado reativar negociações para encerrar um conflito que já dura quatro anos. Mas Zelensky afirmou não ter recebido qualquer sinal de Moscovo indicando que Putin esteja interessado em negociações de paz ou mesmo em discutir um cessar-fogo específico sobre infraestruturas energéticas. A ausência de sinais diplomáticos deixa pouco espaço para esperança de uma desescalada próxima.
A posição de Zelensky é, portanto, a de uma resposta calibrada. A Ucrânia atacará as refinarias russas — infraestruturas que financiam o esforço de guerra de Moscovo — mas não replicará a estratégia de bombardeamento indiscriminado de alvos civis. É uma distinção que o presidente ucraniano enfatizou: "Temos de responder de todas as formas... mas não vamos responder, claro, tal como eles, atacando quaisquer alvos civis." A mensagem é clara: a Ucrânia escolhe alvos militares e económicos, não população. O que fica por responder é se esta abordagem será suficiente para dissuadir a nova doutrina russa ou se apenas aprofundará a espiral de escalada.
Bemerkenswerte Zitate
Perante os ataques aos nossos recursos energéticos, temos de responder atacando os deles. Em primeiro lugar, as refinarias de petróleo: são elas que lhes dão dinheiro para esta guerra— Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano
Vimos os documentos e sabemos que estes lhes permitem atacar infraestrutura — logística, estradas, escolas, hospitais — para pressionar as pessoas a abandonarem a capital e outras cidades— Volodymyr Zelensky, sobre a nova doutrina russa