Em um momento raro de contenção mútua, Ucrânia e Rússia concordaram em suspender ataques às suas respectivas capitais por três dias, enquanto enviados do presidente americano Donald Trump — Jared Kushner e Steve Witkoff — chegavam a Moscou com uma proposta de paz para um conflito que já dura cinco anos. A pausa, frágil e assimétrica, revela menos uma aproximação genuína do que a geometria de forças que moldará qualquer acordo possível: Moscou restringiu a trégua apenas a Kiev, enquanto o avanço russo no leste ucraniano continua a definir os termos do que cada lado considera aceitável.
Ucrânia e Rússia declaram pausa em ataques durante visita de enviados de Trump
Eles se odeiam de verdade. Eles têm um ódio profundo.
Por que exatamente Zelensky propôs essa pausa? Parece um gesto de boa vontade, mas há algo mais estratégico nisso?
Ele estava tentando criar um ambiente favorável para os enviados americanos. Se conseguisse demonstrar disposição para cessar-fogo, mesmo que limitado, poderia influenciar a narrativa das negociações — mostrar que a Ucrânia é a parte razoável.
Mas a pausa era assimétrica desde o início. Zelensky oferecia parar ataques a Moscou, a capital russa. Putin oferecia parar ataques a Kiev, a capital ucraniana. Moscou é muito menos vulnerável a ataques ucranianos do que Kiev é a ataques russos. Então quem realmente fez concessão?
E quanto ao que Trump disse sobre resolver oito guerras? Isso é verificável?
Trump fez a afirmação, mas não forneceu detalhes. Ele estava vendendo confiança em seus negociadores.
Exatamente. E note que Ryabkov, da Rússia, já estava dizendo que não havia espaço para concessões russas. A Rússia estava sinalizando que via vantagem militar e não precisava ceder.
Então a pausa de três dias era principalmente simbólica?
Parcialmente. Mas também era um teste — ver se ambos os lados conseguiam manter um acordo, mesmo que pequeno e temporário.
Embora haja um problema: Zelensky já estava relatando ataques de drones russos contra aeroportos em Kiev enquanto o Kremlin anunciava a pausa. Então nem mesmo esse acordo simbólico estava sendo respeitado.
Isso sugere que as negociações começavam já comprometidas?
Ou que a comunicação entre os lados era tão frágil que nem uma pausa de 72 horas conseguia ser coordenada adequadamente.
Der Puls
- Zelensky propôs cessar ataques a Moscou por três dias, condicionando a medida a uma reciprocidade russa sobre Kiev — uma aposta diplomática feita publicamente, em tempo real, na rede X.
- O Kremlin aceitou parcialmente: Putin ordenou pausa nos ataques à capital ucraniana, mas excluiu explicitamente o restante do território, deixando o conflito ativo em outras frentes.
- A trégua já nasceu sob suspeita — Zelensky relatou ataques de drones russos contra aeroportos de Kiev no mesmo dia em que Moscou declarava a suspensão.
- Autoridades russas sinalizaram resistência a concessões, com o vice-ministro Ryabkov apontando a vantagem militar de Moscou no terreno como argumento central nas negociações.
- Trump descreveu seus enviados como 'grandes negociadores' e afirmou ter uma solução concreta, mas reconheceu que o ódio mútuo entre Zelensky e Putin torna este conflito particularmente difícil de resolver.
Em um momento raro de contenção mútua, Ucrânia e Rússia concordaram em suspender ataques às suas respectivas capitais por três dias, enquanto enviados do presidente americano Donald Trump — Jared Kushner e Steve Witkoff — chegavam a Moscou com uma proposta de paz para um conflito que já dura cinco anos. A pausa, frágil e assimétrica, revela menos uma aproximação genuína do que a geometria de forças que moldará qualquer acordo possível: Moscou restringiu a trégua apenas a Kiev, enquanto o avanço russo no leste ucraniano continua a definir os termos do que cada lado considera aceitável.
Volodymyr Zelensky anunciou no sábado que a Ucrânia suspenderia seus ataques contra Moscou por três dias — sábado, domingo e segunda-feira — desde que a Rússia fizesse o mesmo com Kiev. A proposta foi publicada na rede X após conversa com os enviados americanos Jared Kushner e Steve Witkoff, que Zelensky esperava receber em Kiev para discutir os próximos passos diplomáticos.
O Kremlin respondeu com rapidez, mas com ressalvas. Dmitry Peskov confirmou que Putin havia ordenado uma pausa de três dias nos ataques à capital ucraniana, a começar à meia-noite do sábado. A medida, porém, se aplicava apenas a Kiev — o restante do território ucraniano permanecia fora do acordo, e o conflito continuava em outras frentes.
A trégua já enfrentava questionamentos antes mesmo de se consolidar. Zelensky relatou que drones russos atacaram aeroportos em Kiev naquele mesmo sábado, enquanto o Kremlin declarava a suspensão. Kushner e Witkoff chegaram a Moscou para se reunir com Putin, carregando o que Trump descreveu como uma proposta concreta para encerrar uma guerra de cinco anos. Na véspera, o presidente americano havia afirmado ter resolvido oito conflitos anteriormente, mas reconheceu que o ódio entre Zelensky e Putin tornava este caso particularmente desafiador.
Do lado russo, o ceticismo era explícito. O vice-ministro das Relações Exteriores Sergei Ryabkov declarou à agência TASS que Washington precisava considerar a realidade do terreno — uma referência ao avanço gradual das forças russas no leste ucraniano, especialmente na região de Donetsk. Enquanto as capitais viviam uma pausa frágil e vigiada, o campo de batalha continuava a moldar os limites do que qualquer negociação poderia alcançar.
Volodymyr Zelensky anunciou no sábado que a Ucrânia interromperia seus ataques contra Moscou durante a visita de dois enviados americanos — Jared Kushner e Steve Witkoff — desde que a Rússia fizesse o mesmo com Kiev. A proposta cobria três dias: sábado, domingo e segunda-feira. O presidente ucraniano publicou a mensagem na rede X após conversar com os representantes dos EUA, que ele esperava receber em Kiev para discussões sobre próximos passos diplomáticos.
O Kremlin respondeu rapidamente. Dmitry Peskov, porta-voz de Vladimir Putin, confirmou que o presidente russo havia ordenado uma suspensão de três dias nos ataques à capital ucraniana como preparação para os contatos americanos. A pausa começaria à meia-noite do sábado no horário local. Mas havia uma ressalva importante: a medida se aplicava apenas a Kiev, não ao resto do território ucraniano. Peskov explicou que a decisão estava vinculada aos preparativos e à realização das conversas dos americanos na capital.
A trégua anunciada, porém, já enfrentava questionamentos. Zelensky havia relatado mais cedo naquele sábado que drones russos realizaram ataques contra aeroportos em Kiev, mesmo enquanto o Kremlin declarava a pausa. Witkoff e Kushner chegaram a Moscou naquele mesmo dia para se reunir com Putin, iniciando uma rodada de negociações que o presidente americano Donald Trump havia sinalizado como portadora de uma proposta concreta para encerrar a guerra que se arrasta há cinco anos.
Trump havia sugerido na sexta-feira, durante pronunciamento na Casa Branca, que os EUA possuíam uma solução para o conflito. Descreveu Witkoff e Kushner como "grandes negociadores" e afirmou que havia resolvido oito guerras anteriormente, embora considerasse a dinâmica entre Zelensky e Putin particularmente desafiadora. "Você tem o presidente Zelensky e o presidente Putin, eles se odeiam de verdade. Sabe o que é ódio? Eles têm um ódio profundo", disse Trump, sem revelar detalhes da proposta que seus enviados carregavam.
Mas autoridades russas já sinalizavam ceticismo quanto a concessões. Sergei Ryabkov, vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, declarou à agência estatal TASS que a administração americana precisava levar em conta a realidade do terreno — uma forma de dizer que Moscou via a situação militar a seu favor. Ryabkov sugeriu que a Ucrânia enfrentava dificuldades no campo de batalha e que Washington deveria considerar esse fato ao formular propostas.
A situação no leste ucraniano reforçava o argumento russo. Uma faixa de importantes cidades industriais na região de Donetsk estava sob ameaça crescente das forças russas, que avançaram gradualmente nos últimos meses. Enquanto Zelensky e Putin concordavam em pausar ataques às capitais durante a visita diplomática, o conflito continuava em outras frentes, e a posição militar de cada lado moldava as expectativas sobre o que uma negociação poderia alcançar.
Bemerkenswerte Zitate
A administração dos EUA deve levar em conta a realidade no terreno em relação a uma solução para a Ucrânia, onde a situação não está mudando a favor de Kiev— Sergei Ryabkov, vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia
De agora até o final desse sábado, bem como no domingo e na segunda-feira, a Ucrânia está pronta para se abster de ataques a Moscou, e esperamos que os russos façam o mesmo em relação a Kiev— Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia