Ucrânia avança 51 km² na Operação Vivaldi com manobras de engano e blindados-robô

Operação provocou mais de duas mil baixas inimigas e captura de mais de 250 prisioneiros de guerra, incluindo oficiais, pilotos de drones e soldados de artilharia.
Os russos adormeceram perante o verdadeiro ataque
O comandante ucraniano descreveu como a manobra de distração enganou o comando russo, permitindo o avanço em Nove.
Mark

Como é que a Ucrânia conseguiu enganar o comando russo de forma tão eficaz?

Mimi

Conduziram ataques numa direção enquanto concentravam o verdadeiro esforço noutro setor. Os russos acreditaram que o ataque principal era em Zelena Dolyna e queimaram as suas reservas lá, deixando Nove vulnerável.

Luke

Mas como sabemos que o comando russo realmente acreditou nisso? Isso é baseado em relatórios ucranianos ou em inteligência independente?

Mimi

Biletskyi explicou a manobra em vídeo, e os resultados no terreno — a captura de Nove e o controlo das elevações estratégicas — sugerem que funcionou.

Mark

E quanto aos blindados convertidos em robôs explosivos? Isso é uma tática nova?

Mimi

Não é completamente nova, mas a escala e a sofisticação aqui foram notáveis. Conseguiram projetar veículos pesados até às trincheiras russas sem serem destruídos pelos drones russos.

Luke

Porque é que os drones russos não os destruíram? Isso depende de Kiev ter neutralizado os sistemas de controlo russos?

Mimi

Exatamente. Conduziram ataques de alcance intermédio contra as antenas e sistemas de guerra eletrónica russos, eliminando a cobertura aérea local.

Mark

Qual é o significado estratégico de tomar Nove e as elevações em redor?

Mimi

Dá aos ucranianos o controlo de fogo sobre toda a cabeça de ponte russa a norte de Lyman. Todas as posições russas na área passaram a estar vulneráveis.

Luke

Os números — 51 quilómetros quadrados, 176 no total, mais de duas mil baixas — vêm todos do comando ucraniano. Temos confirmação independente?

Mimi

Os vídeos mostram prisioneiros russos detidos, o que confirma capturas. Mas tens razão — os números maiores dependem de relatórios ucranianos.

Mark

A indignação nos canais militares russos — isso é significativo?

Mimi

Sugere que o sucesso ucraniano expôs falhas reais na cadeia de comando russa. Os militares russos estão a criticar relatórios embelezados que ocultaram vulnerabilidades.

Luke

Mas esses canais militares russos — são representativos ou são apenas vozes marginais amplificadas nas redes sociais?

Mimi

É uma boa pergunta. Sabemos que há indignação, mas não sabemos até que ponto isso reflete preocupações generalizadas no comando russo.

  • Ucrânia recuperou 51 km² nesta fase, elevando total para 176 km² desde o início da Operação Vivaldi
  • Operação provocou mais de duas mil baixas inimigas e captura de mais de 250 prisioneiros de guerra
  • Blindados soviéticos convertidos em veículos não tripulados armados com cargas explosivas destruíram posições russas fortificadas
  • Três localidades libertadas: Nove, Ridkodub e Katerynivka; controlo restabelecido sobre Karpivka e Novomykhailivka

Operação ucraniana recuperou 51 km² nesta fase, elevando total reconquistado para 176 km² desde o início da contraofensiva. Ucrânia utilizou manobra de distração sofisticada e blindados soviéticos convertidos em veículos não tripulados armados para destruir posições russas fortificadas.

Ucrânia lança terceira fase da Operação Vivaldi a norte de Lyman, recuperando 51 quilómetros quadrados com manobras de engano e blindados transformados em robôs explosivos, infligindo mais de duas mil baixas inimigas.

A terceira fase da Operação Vivaldi terminou com a Ucrânia controlando 51 quilómetros quadrados de novo território a norte de Lyman, no oblast de Donetsk. Desde o início da contraofensiva, o total de terra reconquistada chegou a 176 quilómetros quadrados. O comando militar ucraniano revelou que a operação infligiu mais de duas mil baixas inimigas e resultou na captura de mais de 250 prisioneiros de guerra — oficiais, pilotos de drones e soldados de artilharia incluídos.

O brigadeiro-general Andrii Biletskyi, comandante do 3.º Corpo de Exército da Ucrânia, explicou em vídeo divulgado nas redes sociais que a fase recém-concluída libertou três localidades: Nove, Ridkodub e Katerynivka. As forças ucranianas também restabeleceram o controlo total sobre Karpivka e Novomykhailivka. O objetivo estratégico da Operação Vivaldi é eliminar uma saliência russa perigosa que ameaçava cercar uma área crucial para a defesa ucraniana na região de Donetsk. A ofensiva russa em Lyman pretendia aproximar-se do que os militares chamam o "Cinturão de Fortalezas" — as cidades de Kramatorsk, Slovyansk, Kostyantynivka e Druzhkivka — vindo do norte.

O sucesso ucraniano assentou em duas táticas sofisticadas. A primeira foi uma manobra de distração calculada ao milímetro. O 3.º Corpo de Exército conduziu uma série de ataques numa direção diferente, convencendo o comando russo de que o ataque principal se dirigia para Zelena Dolyna. Os russos queimaram as suas reservas em contra-ataques nesse eixo, enquanto as forças ucranianas concentravam o verdadeiro esforço na tomada de Nove. Biletskyi descreveu o resultado: "O inimigo estava convencido de que o nosso ataque principal era em direção a Zelena Dolyna. Isso levou-o a queimar inutilmente as suas reservas em contra-ataques precisamente aí. Os russos adormeceram perante o verdadeiro ataque, focado na tomada de Nove." Assegurar as elevações estratégicas em redor de Nove deu aos ucranianos o controlo de fogo sobre toda a cabeça de ponte russa a norte de Lyman, tornando todas as posições russas na área vulneráveis.

A segunda tática envolveu uma adaptação tecnológica pouco convencional. Perante posições defensivas fortificadas, o 3.º Corpo de Exército converteu antigos blindados de transporte de tropas soviéticos em veículos não tripulados armados com pesadas cargas explosivas — robôs kamikaze que abriram brechas nas linhas russas. Posições que os pequenos drones FPV não conseguiam destruir foram reduzidas a escombros por estes veículos pesados. O aspecto mais surpreendente para os analistas militares foi a capacidade ucraniana de projetar estes blindados até às trincheiras inimigas sem serem destruídos pelos habituais enxames de drones de ataque russos. Isto só foi possível porque Kiev conduziu uma campanha de ataques de alcance intermédio contra os sistemas de guerra eletrónica e antenas de controlo russas, neutralizando a cobertura aérea local que garantia a supremacia aérea na região.

O resultado no terreno foi devastador para as forças de Moscovo. Vídeos partilhados nas redes sociais mostram dezenas de soldados russos detidos pelas forças ucranianas. O sucesso ucraniano em Lyman está a produzir uma onda de indignação nos canais militares russos. Vários influenciadores ultranacionalistas e analistas de guerra pró-Kremlin vieram a público denunciar a "cultura crónica de mentira" que persiste na cadeia de comando russa. Segundo estes relatos, os militares russos enviam relatórios embelezados aos escalões superiores que terão ocultado a vulnerabilidade real das posições em Lyman, impedindo reforços a tempo e facilitando as conquistas ucranianas. A indignação interna sugere que o sucesso tático ucraniano expôs não apenas falhas operacionais, mas também problemas sistémicos na comunicação e na inteligência militar russa.

O inimigo estava convencido de que o nosso ataque principal era em direção a Zelena Dolyna. Isso levou-o a queimar inutilmente as suas reservas em contra-ataques precisamente aí. Os russos adormeceram perante o verdadeiro ataque, focado na tomada de Nove.
— Brigadeiro-general Andrii Biletskyi, comandante do 3.º Corpo de Exército da Ucrânia
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