TV Globo cancela debate presidencial após desistência de última hora de Flávio Bolsonaro

A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas
Flávio Bolsonaro justificou a sua desistência do debate acusando o tribunal de censura.
Mark

Como é que chegámos a uma situação em que os dois candidatos principais não debatem, pela primeira vez em 20 anos?

Mimi

Lula recusou-se desde o início, considerando os debates improdutivos. Flávio Bolsonaro confirmou, mas desistiu quando o Tribunal Superior Eleitoral proibiu a cadeira vazia com o nome de Lula.

Luke

Mas espera — Lula já tinha dito que não ia. Porque é que a TV Globo manteve o debate agendado?

Mimi

Porque havia ainda outros candidatos dispostos a participar. A emissora esperava que o debate tivesse valor mesmo sem os dois principais.

Mark

E o que mudou para Flávio Bolsonaro desistir à última hora?

Mimi

As decisões judiciais. Ele viu a proibição da cadeira vazia como censura e usou isso como justificação para não ir.

Luke

Mas ele tinha confirmado a participação dias antes, depois de saber das decisões do tribunal. Porque é que só desistiu uma hora antes?

Mimi

Isso não está claro nas informações disponíveis. Pode ter sido uma decisão estratégica de última hora.

Mark

E os candidatos da terceira via, como reagiram?

Mimi

Criticaram o poder judicial, dizendo que foi um ataque à democracia. Estavam nos estúdios, preparados para debater.

Luke

Mas eles tinham direito a estar lá? O partido Missão tem apenas um deputado federal.

Mimi

O Supremo Tribunal Federal determinou que Renan Santos deveria ser incluído, mesmo que o partido não preenchesse os critérios normais.

Mark

Isto deixa alguma coisa resolvida antes das eleições?

Luke

Não. Faltam três dias para a primeira volta e não há debate. Os eleitores não vão ouvir os candidatos principais um contra o outro.

  • A TV Globo cancelou o debate presidencial cerca de uma hora antes do início, após Flávio Bolsonaro anunciar nas redes sociais que não compareceria, alegando censura do TSE.
  • Lula já tinha abandonado o evento dias antes, argumentando que debater com candidatos de 1% nas sondagens não justificava o seu tempo — e optou por uma entrevista a um podcast no mesmo horário.
  • O TSE proibiu a cadeira vazia com o nome de Lula e as perguntas dirigidas a ele, condições que tinham sido aceites por todos os partidos, incluindo o PT, gerando tensão jurídica de última hora.
  • O STF ordenou ainda a inclusão de um candidato cujo partido não preenche os critérios legais para participar, adicionando mais combustível à crise.
  • Candidatos da terceira via, que somam pouco mais de 10% nas sondagens, ficaram à chuva nos estúdios da Globo e denunciaram o cancelamento como um ataque à democracia.
  • Com a primeira volta a três dias de distância, permanece em aberto se haverá ainda espaço para um debate antes do escrutínio — a maior lacuna eleitoral em duas décadas.

A três dias das eleições presidenciais brasileiras, a TV Globo cancelou o único grande debate televisivo após a desistência de última hora de Flávio Bolsonaro, que invocou censura judicial como motivo. Lula já havia recusado participar dias antes, tornando o encontro uma estrutura sem alicerces. Pela primeira vez em vinte anos, os dois candidatos com maior apoio popular não se defrontaram publicamente — um silêncio que diz tanto sobre o estado da democracia brasileira quanto qualquer debate poderia dizer.

Pela primeira vez em vinte anos, os dois candidatos presidenciais brasileiros com maior apoio nas sondagens não se defrontaram num debate televisivo. A TV Globo tinha agendado o encontro para quinta-feira à noite, mas cancelou o evento cerca de uma hora antes do início, depois de Flávio Bolsonaro anunciar, em cima da hora, que não compareceria.

O cenário já era precário antes disso. Lula da Silva tinha recusado participar dias antes, argumentando que não faz sentido um candidato com 49% de intenção de voto debater com adversários que rondam 1%. Preferiu dar uma entrevista a um podcast à mesma hora. Ainda assim, a emissora manteve o evento, preparando uma cadeira vazia com o nome de Lula e permitindo que os outros candidatos lhe dirigissem perguntas.

Flávio Bolsonaro tinha confirmado presença e passado os dois dias anteriores a preparar-se. Mas pouco antes do início, publicou uma mensagem acusando o Tribunal Superior Eleitoral de impor censura — referindo-se à proibição da cadeira vazia e das perguntas a Lula. O TSE tinha revertido condições previamente aceites por todos os partidos, incluindo o PT. O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, ordenara a inclusão de um candidato cujo partido não preenche os critérios legais exigidos pela lei eleitoral.

Com a desistência de Bolsonaro, a Globo cancelou imediatamente o debate. Os candidatos da terceira via, que juntos somam pouco mais de 10% nas sondagens, ficaram à chuva nos estúdios da emissora e denunciaram o poder judicial pelo sucedido, descrevendo o cancelamento como um ataque à democracia. A três dias da primeira volta das eleições, permanece em aberto se haverá ainda tempo para um debate antes do escrutínio.

Pela primeira vez em duas décadas, os dois candidatos presidenciais que mais apoio reúnem nas sondagens brasileiras não vão estar frente a frente num debate televisivo. A TV Globo tinha agendado o encontro para quinta-feira à noite, mas cancelou o evento cerca de uma hora antes do início, após Flávio Bolsonaro comunicar, em cima da hora, que não compareceria.

O cenário já era frágil quando o debate foi marcado. Lula da Silva tinha anunciado dias antes que não participaria, argumentando que os debates presidenciais são improdutivos e que não faz sentido colocar um candidato com 49% de intenção de voto a debater com outro que tem apenas 1%. O presidente brasileiro optou por dar uma entrevista a um podcast à mesma hora do debate, considerando que a qualidade dos adversários na corrida não justificava o seu tempo. Apesar dessa recusa, a emissora manteve o evento em pé, preparando uma cadeira vazia com o nome de Lula e permitindo que os outros candidatos lhe dirigissem perguntas.

Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, tinha confirmado a sua presença e até tinha dedicado os dois dias anteriores a gravações de propaganda eleitoral e reuniões internas com a sua equipa para se preparar. Mas pouco antes do debate começar, publicou uma mensagem nas redes sociais anunciando a sua desistência. Acusou o Tribunal Superior Eleitoral de impor censura ao evento, referindo-se especificamente à proibição da cadeira vazia com o nome de Lula e à impossibilidade de os outros candidatos lhe dirigirem perguntas. "A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas", escreveu, prometendo mais detalhes em breve.

As decisões judiciais que provocaram a sua reação vinham de duas instâncias diferentes. O Tribunal Superior Eleitoral tinha proibido a cadeira vazia e as perguntas dirigidas a Lula, condições que tinham sido previamente aceites por todos os partidos, incluindo o Partido dos Trabalhadores. Já o Supremo Tribunal Federal tinha determinado a inclusão no debate do candidato Renan Santos, do partido Missão, uma exigência que surge porque a lei eleitoral brasileira obriga a comunicação social a convidar para os debates qualquer político cujo partido tenha no mínimo cinco cadeiras na Câmara dos Deputados. O partido Missão, porém, tem apenas um deputado federal, um deputado estadual e três vereadores eleitos, números que não preenchem esse critério.

Com a desistência de Flávio Bolsonaro, a TV Globo cancelou imediatamente o debate. O que teria sido um encontro com Augusto Cury, um escritor de livros de autoajuda; Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás; Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais; e Renan Santos, nunca chegou a acontecer. Apoiantes de Bolsonaro que aguardavam o debate nos estúdios da emissora, à chuva, ficaram surpreendidos com a decisão de última hora.

Os candidatos da chamada terceira via, aqueles que juntos reúnem pouco mais de 10% nas sondagens, criticaram duramente o poder judicial pelo cancelamento. Falaram aos jornalistas nos estúdios da TV Globo, imediatamente após o anúncio, denunciando o que descreveram como um ataque à democracia. O cancelamento ocorre a apenas três dias da primeira volta das eleições presidenciais, deixando em aberto a questão de se haverá ainda tempo para um debate antes do escrutínio.

Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE
— Flávio Bolsonaro, em publicação nas redes sociais
Não pode pegar uma pessoa que tem 49% e levar para disputar com quem tem 1%. É desproporcional até para o eleitor
— Lula da Silva, justificando a recusa em participar
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