Há histórias que só se entendem quando alguém se dispõe a viver dentro delas. Ao morar na casa de Elizabeth Holmes, a ex-fundadora da Theranos, o cineasta Nathan Fielder inverte a lógica habitual dos documentários sobre escândalos corporativos e troca os depoimentos distantes pela convivência íntima. O resultado, dirigido ao lado de Lance Oppenheim, coloca em cena a pergunta que atravessa a queda de Holmes: até que ponto alguém que convence os outros também acredita no que diz?
Tudo Pode Ser Visto: o documentário de Nathan Fielder e Lance Oppenheim sobre Elizabeth Holmes
Fielder foi morar na casa de Elizabeth Holmes
Por que esse documentário está chamando tanta atenção?
Pelo método. Fielder foi morar na casa de Elizabeth Holmes e filmou até momentos íntimos com o marido, em vez de ouvir ex-funcionários.
E a prisão dela durante as filmagens?
Mudou o fim da produção. Fielder e Oppenheim terminaram as gravações por ligações telefônicas com ela.
Vale separar o que está confirmado do que é impressão. Que o filme foi gravado na casa dela e que ela foi presa durante a produção é o que o texto afirma. Que ele extrai verdades dela, não.
Então a ideia de que o desconforto revela a verdade é só uma aposta?
É a lógica do estilo de Fielder, e o filme questiona quando Holmes é sincera. Se consegue responder, não sabemos.
Outra coisa: o Oscar aparece como possibilidade, não como indicação. E a recepção positiva é descrita de forma geral, sem críticas ou números citados.
E o que ainda falta saber?
A estreia no Brasil. O texto não traz a data.
Exato, nem o detalhe de como Seyfried participa do filme. O texto diz apenas que ela representará Holmes e que já a interpretou em The Dropout.
The Pulse
- A ex-executiva que prometeu revolucionar os exames de sangue agora aparece sem o brilho do Vale do Silício, diante de uma câmera que não sai de casa.
- O filme foi rodado em meio a um choque inesperado, quando Holmes foi presa no meio das filmagens e a equipe precisou seguir o trabalho por ligações telefônicas.
- Fielder, conhecido pelo desconforto calculado de séries como Nathan For You, tenta arrancar verdades de uma mulher condenada por fraude e cumprindo pena federal desde 2023.
- Com a obra já cotada como possível concorrente ao Oscar de Melhor Filme, a expectativa agora se volta para a estreia no Brasil, ainda sem data definida.
Há histórias que só se entendem quando alguém se dispõe a viver dentro delas. Ao morar na casa de Elizabeth Holmes, a ex-fundadora da Theranos, o cineasta Nathan Fielder inverte a lógica habitual dos documentários sobre escândalos corporativos e troca os depoimentos distantes pela convivência íntima. O resultado, dirigido ao lado de Lance Oppenheim, coloca em cena a pergunta que atravessa a queda de Holmes: até que ponto alguém que convence os outros também acredita no que diz?
Para fazer um documentário sobre Elizabeth Holmes, Nathan Fielder foi morar na casa dela. Essa escolha define Tudo Pode Ser Visto, dirigido por Fielder com Lance Oppenheim, que já é tratado como um dos assuntos do cinema do ano. Em vez de ouvir ex-funcionários da Theranos, os diretores registraram o dia a dia de Holmes, incluindo momentos com o marido, e Fielder interage diretamente com ela para entender a pessoa por trás da persona pública.
A história de Holmes é conhecida. Aos 19 anos, ela deixou Stanford para fundar a Theranos, que prometia centenas de exames com poucas gotas de sangue. Por anos, foi celebrada como gênia, até que investigações revelaram que a tecnologia não funcionava, com investidores enganados e pacientes recebendo resultados errados. Condenada em 2022, começou a cumprir pena federal em 2023.
O filme também teve um imprevisto: Holmes foi presa durante as gravações, e a equipe concluiu o trabalho por ligações telefônicas. A obra interessa pelo estilo de Fielder, que costuma deixar o público em dúvida sobre o que é real, e pela pergunta central sobre quando Holmes foi sincera e como enganou tanta gente. Segundo o Omelete, o longa pode disputar o Oscar de Melhor Filme, e a data de estreia no Brasil ainda é aguardada.
Para fazer um documentário sobre Elizabeth Holmes, Nathan Fielder foi morar na casa dela. Esse é o ponto de partida de Tudo Pode Ser Visto (You Can See Everything, no título original), filme dirigido por Fielder em parceria com Lance Oppenheim, que passou a ser tratado como um dos grandes assuntos do cinema do ano.
O método chama atenção porque foge do formato habitual. Em vez de reunir ex-funcionários da Theranos ou pessoas próximas à ex-executiva, os diretores trabalharam dentro da casa de Holmes e registraram a intimidade dela, incluindo momentos com o marido. Segundo as imagens dos trailers, Oppenheim fica atrás das câmeras, enquanto Fielder interage diretamente com ela e tenta descobrir mais sobre a pessoa e sobre a persona pública que construiu.
É preciso lembrar quem é Holmes. Aos 19 anos, ela largou a Universidade de Stanford para fundar a Theranos, empresa de tecnologia médica que prometia revolucionar os exames de sangue: centenas de testes feitos com apenas algumas gotas. A promessa a colocou entre os grandes nomes do Vale do Silício, e por anos ela foi tratada como uma nova gênia e guru da tecnologia.
Investigações mostraram, porém, que a tecnologia não funcionava. A Theranos enganou investidores sobre a real capacidade de seus equipamentos, e pacientes receberam resultados incorretos. Em 2022, Holmes foi condenada por crimes ligados à fraude contra investidores e recebeu pena de prisão federal, que começou a cumprir em 2023.
Fielder é conhecido por séries como Nathan For You e O Ensaio, em que adota um estilo peculiar e constrangedor, deixando o espectador em dúvida sobre o que é real e o que é atuação. Oppenheim assinou os longas Primetime, Some Kind of Heaven e Long Term Parking. A aposta, segundo o Omelete, é que o desconforto típico de Fielder ajude a extrair verdades de Holmes.
O filme se pergunta, assim, em que momentos ela é sincera e como conseguiu enganar tanta gente por tanto tempo. Como vendeu a investidores a ideia de retorno financeiro, a personalidade dela, e a forma como se comporta com a família e com os outros, fica no centro da obra.
Um acontecimento imprevisto marcou a produção: Holmes foi presa enquanto o documentário era gravado. Fielder e Oppenheim precisaram concluir as filmagens por meio de ligações telefônicas com ela. Amanda Seyfried, que já interpretou Holmes na série The Dropout, aparece associada ao projeto como a intérprete da ex-executiva.
O interesse pelo filme vem da soma de fatores: a figura enigmática de Holmes, o jeito particular de Fielder dirigir e contar histórias e a recepção positiva de quem já o viu. O Omelete aponta ainda que ele pode concorrer ao Oscar de Melhor Filme e a outras premiações. A data de estreia no Brasil é o dado que falta acompanhar.
Notable Quotes
O filme pode concorrer ao Oscar de Melhor Filme e a outras premiações.— Omelete