Tubarões-leopardo regressam aos oceanos através de programa inovador de reintrodução

Restaurar o equilíbrio do oceano através de crias criadas em aquários
O programa ReShark descreve a sua abordagem como o primeiro esforço global de reintrodução de tubarões.
Mark

Porque é que este programa é diferente de simplesmente criar áreas marinhas protegidas?

Mimi

Porque em Raja Ampat, há dez anos, restavam apenas cerca de 20 tubarões adultos. Uma área protegida sozinha não recupera uma população tão devastada em tempo útil — estimam 100 a 200 anos. O programa ReShark tenta acelerar isso, colocando animais criados de volta no oceano.

Luke

Mas quanto tempo levará realmente a saber se funciona? Cinco a 12 anos até à maturidade, depois mais tempo até à reprodução. Estamos a falar de 2028 como ponto de referência, mas isso é apenas para ver se estão a reproduzir-se — não se a população está realmente a recuperar.

Mark

E quanto aos tubarões que são libertados — conseguem sobreviver?

Mimi

Os dados de satélite mostram que a maioria fica entre 100 a 150 quilómetros do local de libertação, dentro das águas protegidas. Já temos 15 avistamentos de animais saudáveis este ano em Raja Ampat.

Luke

Isso é promissor, mas é uma amostra pequena. E o que acontece quando saem das áreas protegidas? Ebert tem razão em questionar se estão apenas a criar mais tubarões para serem pescados.

Mark

Como é que envolver a comunidade local muda isso?

Mimi

Os pescadores locais começaram a proteger ativamente os tubarões-leopardo. O programa contrata residentes, não voluntários internacionais. Quando as pessoas têm um interesse direto e uma ligação ao projeto, a dinâmica muda.

Luke

Isso é verdade, mas depende inteiramente da continuidade das proteções legais e da vontade política. Uma mudança de governo, uma pressão económica — e tudo pode desaparecer.

Mark

Então, em resumo, é um experimento promissor mas ainda muito incerto?

Mimi

Exatamente. Inovador, mas experimental. Os próximos dois anos são críticos.

  • 82 crias libertadas desde 2023 em Raja Ampat e Phuket
  • População perdeu 50-79% em três gerações (57-72 anos)
  • 60 aquários parceiros globalmente, cerca de uma dezena a criar ativamente
  • Tubarões atingem maturidade em 5-12 anos; resultados reprodutivos esperados em 2028
  • Raja Ampat santuário de 46 mil quilómetros quadrados

O tubarão-leopardo perdeu 50-79% da população em três gerações devido à destruição do habitat e sobrepesca, estando classificado como ameaçado de extinção. O projeto StAR envolve 60 aquários globais e equipas locais de 'amas de tubarões' que criam e preparam as crias para libertação em santuários marinhos protegidos.

Um programa global chamado ReShark está a reintroduzir tubarões-leopardo do Indo-Pacífico na natureza através da criação em aquários, com 82 crias libertadas desde 2023 em águas protegidas da Indonésia e Tailândia.

Junto à ilha de Kri, em Raja Ampat, na Indonésia, tubarões com um metro de comprimento deslizam debaixo de água — uma visão que ambientalistas descrevem como extraordinariamente rara até muito recentemente. Estes animais não nasceram no oceano. Foram criados em aquários espalhados pelo mundo, transportados como ovos viáveis para dois centros de criação, e depois libertados em águas protegidas por equipas locais treinadas especificamente para este trabalho. É o resultado de um programa global chamado ReShark, que afirma estar a executar o primeiro esforço de reintrodução de tubarões do mundo.

O tubarão-leopardo do Indo-Pacífico — também conhecido como tubarão-zebra — habitava historicamente recifes ao longo do Oceano Indo-Pacífico Ocidental, do Mar Vermelho, da África Oriental, do Japão e da Austrália. Mas décadas de destruição de habitat e sobrepesca devastaram as populações. Nos últimos 57 a 72 anos, a espécie perdeu entre 50 e 79% dos seus números. A União Internacional para a Conservação da Natureza classificou-a como ameaçada de extinção. O comércio de barbatanas de tubarão foi historicamente o principal culpado, mas a pressão persiste através da captura acidental e do comércio de couro exótico. Em Raja Ampat, a espécie praticamente desapareceu há menos de uma década. Os especialistas estimam que, sem intervenção, a população do arquipélago demoraria entre 100 e 200 anos a recuperar naturalmente.

A ideia para o projeto surgiu em 2015, quando Mark Erdmann, que viria a ser diretor executivo da ReShark, visitou o Aquário SEA de Singapura. Os funcionários mostraram-lhe tanques repletos de crias de tubarão-leopardo criadas com sucesso em cativeiro — e revelaram um problema: estavam a produzir demasiadas crias e não sabiam o que fazer com elas. Este encontro desencadeou oito anos de trabalho envolvendo governos, aquários, organizações sem fins lucrativos, académicos, comunidades locais e cientistas. O projeto, formalmente conhecido como Stegostoma tigrinum Augmentation and Recovery Project (StAR), baseia-se numa característica biológica crucial: ao contrário da maioria dos tubarões, os tubarões-leopardo reproduzem-se através de ovos. São, de facto, os maiores tubarões ovíparos do mundo — uma característica que os torna ideais para criação em cativeiro e posterior reintrodução.

A ReShark estabeleceu parcerias com quase 60 aquários globalmente. Cerca de uma dezena, localizados nos Estados Unidos, Austrália, Hong Kong e Singapura, estão ativamente a criar tubarões para o programa. Os ovos viáveis são transportados para dois berçários em Raja Ampat e Phuket, na Tailândia. Ali, gestores de aquários especialmente treinados — apelidados de "amas de tubarões" — monitorizam os ovos, cuidam das crias e as preparam para a vida selvagem. Quando os tubarões atingem um metro de comprimento e conseguem procurar alimento independentemente, são marcados com etiquetas acústicas que transmitem frequências únicas para rastreamento, e depois libertados em águas protegidas. O trabalho é altamente técnico: os cuidadores passam por meses de formação em maneio animal, frequentemente com apoio de grandes aquários públicos. Crucialmente, o programa contrata residentes locais em vez de voluntários internacionais, envolvendo as comunidades na reintrodução.

Desde 2023, a ReShark libertou 82 crias. Este ano, registou 15 avistamentos de animais saudáveis em Raja Ampat. Os dados de satélite mostram que, em média, a maioria permanece entre 100 a 150 quilómetros do local de libertação, dentro de águas protegidas. Erdmann argumenta que o envolvimento comunitário transformou os pescadores locais em protetores ativos dos tubarões-leopardo. Raja Ampat é um santuário de tubarões e raias-manta com 46 mil quilómetros quadrados, e a ReShark opera apenas em santuários comprometidos com a conservação.

Mas especialistas continuam cautelosos. David Ebert, diretor de programas do Centro de Investigação de Tubarões do Pacífico da Universidade Estadual de San Jose, descreve o programa como inovador mas "em grande parte experimental". A questão central permanece: qual será o impacto real na população de tubarões? Ebert questiona se os animais libertados sobreviverão o tempo suficiente para se reproduzirem na natureza. Como se acredita que os tubarões-leopardo demoram cinco a 12 anos a atingir a maturidade, a ReShark só descobrirá se as suas primeiras crias libertadas se estão a reproduzir em 2028. Ebert levanta também uma preocupação mais sombria: se a libertação de mais tubarões ocorre enquanto a pressão de pesca persiste, poderá estar simplesmente a aumentar a população para que haja mais animais para os pescadores capturarem. "Pode libertá-los numa área marinha protegida, mas eles vão acabar por nadar para onde quiserem", diz. Erdmann responde que a ReShark trabalha apenas em santuários com proteções legais reforçadas na Indonésia e na Tailândia, e que o envolvimento comunitário tem transformado a dinâmica local. Os próximos dois anos dirão se a estratégia funciona.

Em 2019, em Raja Ampat, estimávamos que restavam cerca de 20 tubarões adultos
— Mark Erdmann, diretor executivo da ReShark
É um projeto científico interessante, mas qual será o impacto na população de tubarões? Essa é a grande questão.
— David Ebert, diretor de programas do Centro de Investigação de Tubarões do Pacífico
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