TSE decide nesta quinta sobre Garotinho e pode definir resultado das eleições no Rio

Garotinho se manteve candidato enquanto servia para disputar votos
Argumento de Eduardo Paes contra a desistência de Garotinho do recurso sobre seu registro.
Mark

Por que a desistência de Garotinho do seu recurso não resolve tudo de uma vez?

Mimi

Porque a desistência dele não invalida automaticamente os votos que ele recebeu. O TSE precisa decidir se esses votos contam ou não para o cálculo dos percentuais — e isso é uma decisão institucional, não apenas uma questão entre Garotinho e a Justiça.

Luke

Mas tecnicamente, se Garotinho desistiu do recurso, não deveria o indeferimento original dele virar definitivo?

Mimi

Teoricamente sim, mas Paes argumenta que Garotinho não pode se beneficiar de sua própria desistência. Ele participou da eleição inteira como candidato, recebeu votos, e agora quer desistir no momento exato em que seus votos prejudicam Ruas.

Mark

Então o TSE está decidindo não só sobre Garotinho, mas sobre o que significa ser candidato em uma eleição?

Mimi

Exatamente. É sobre se um candidato pode participar de todo o processo e depois desistir quando os números não favorecem seus interesses políticos.

Luke

Qual é a base legal para o TSE dizer não à desistência, se o Código de Processo Civil permite desistência de recurso a qualquer momento?

Mimi

Aí está o conflito. Os advogados de Garotinho citam exatamente esse artigo 998 do CPC. Mas Paes argumenta que há um interesse público maior — a integridade do processo eleitoral.

Mark

E se o TSE invalidar os votos de Garotinho, Ruas vence no primeiro turno?

Mimi

Sim. Ruas teria 50,7% dos votos válidos, acima do limite de 50% necessário para vencer sem segundo turno.

Luke

Mas o TSE ainda precisa ratificar o resultado de qualquer forma, certo? Então essa decisão de quinta não é necessariamente a palavra final?

Mimi

Não é. O TSE vai decidir sobre os votos de Garotinho, mas depois ainda precisa ratificar o resultado das eleições. Tecnicamente, podia haver outras decisões depois.

Mark

Então por que essa decisão de quinta é tão crucial?

Mimi

Porque ela define qual resultado será ratificado — se Ruas vence no primeiro turno ou se vai para segundo turno com Paes.

  • Douglas Ruas teve 4.271.199 votos (49,27%); sem os 274.411 votos de Garotinho, ultrapassaria 50%
  • Anthony Garotinho desistiu do recurso sobre seu registro na segunda-feira
  • Eduardo Paes pediu ao TSE que o segundo turno seja mantido mesmo com a desistência
  • Votos de Garotinho estão computados como 'anulados sub judice' enquanto decisão judicial está pendente

Garotinho desistiu do recurso sobre seu registro de candidatura, mas Eduardo Paes pede que o segundo turno seja mantido mesmo assim. Com 274.411 votos de Garotinho invalidados, Ruas ultrapassaria os 50% necessários para vencer no primeiro turno; mantidos, vai a segundo turno.

O plenário do TSE analisa nesta quinta se invalida os votos de Anthony Garotinho nas eleições do Rio de Janeiro, decisão que pode definir se Douglas Ruas vence no primeiro turno ou vai a segundo turno contra Eduardo Paes.

O Tribunal Superior Eleitoral enfrenta nesta quinta-feira uma decisão que pode reescrever o resultado das eleições para governador do Rio de Janeiro. Tudo depende do que o colegiado fizer com os votos de Anthony Garotinho — 274.411 deles, equivalentes a 3,17% do total. Se invalidar esses votos, Douglas Ruas vence no primeiro turno. Se mantê-los, Ruas e Eduardo Paes vão para um segundo turno.

O impasse começou porque Garotinho chegou ao dia da eleição com seu registro de candidatura indeferido. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio havia negado seu registro por causa de uma condenação por improbidade administrativa, mas ele recorreu — e enquanto o recurso estava pendente de julgamento, seus votos foram computados como "anulados sub judice", uma categoria especial que entra no cálculo dos percentuais enquanto a Justiça Eleitoral ainda não decidiu definitivamente sobre sua situação. Na segunda-feira, porém, Garotinho apresentou um termo de desistência desse recurso ao TSE, afirmando que a decisão era "livre, expressa, consciente e irretratável". Seus advogados argumentaram que ele tinha direito de desistir a qualquer momento, sem precisar da concordância das outras partes.

Eduardo Paes reagiu rápido. Na terça-feira, sua coligação entrou com um pedido no TSE pedindo que o segundo turno fosse confirmado mesmo com a desistência de Garotinho. O argumento é contundente: Garotinho participou de todo o processo eleitoral como candidato legítimo, recebeu recursos públicos de campanha, ocupou horário eleitoral gratuito, participou de debates, teve seu nome e número na urna e recebeu votação. Paes sustenta que Garotinho "se manteve candidato enquanto a sua candidatura servia para disputar votos com uma das candidaturas adversárias, e abriu mão dela no exato momento em que os seus votos passaram a impedir a vitória, em primeiro turno, da candidatura apoiada por seu filho". A coligação de Paes argumenta que não se pode permitir que o efeito do indeferimento seja produzido pelo próprio candidato, em prejuízo da coletividade fluminense.

Os números explicam por que isso importa tanto. Com 100% das urnas apuradas, Ruas recebeu 4.271.199 votos, ou 49,27% dos votos válidos. Paes ficou em segundo com 3.706.984 votos, ou 42,76%. Garotinho teve 274.411 votos. Se esses votos de Garotinho forem retirados da base de cálculo, a totalização cairia de 8.669.038 para 8.394.627 votos. Com a mesma quantidade de votos recebidos pelos outros candidatos mas uma base menor para calcular percentuais, Ruas ultrapassaria os 50% necessários para vencer no primeiro turno. Se os votos forem mantidos, Ruas fica abaixo dos 50% e os dois mais votados vão para o segundo turno.

O Ministério Público Eleitoral já se manifestou a favor do pedido de desistência de Garotinho. O processo está sob relatoria do ministro Floriano de Azevedo Marques. A situação se complicou ainda mais por causa de decisões conflitantes: na sexta-feira anterior, o próprio Floriano Marques havia decidido que os votos de Garotinho não deveriam ser considerados. Mas no domingo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que os votos fossem "considerados no cálculo dos percentuais obtidos por cada concorrente ao pleito majoritário, até que seja proferida decisão colegiada pelo Tribunal Superior Eleitoral". Agora o plenário precisa resolver essa contradição.

O que torna tudo ainda mais delicado é que o resultado das eleições no Rio ainda será ratificado pelo próprio TSE, independentemente do que o colegiado decidir sobre os votos de Garotinho. A regra está prevista no artigo 18 da Resolução nº 23.677/2021 do TSE e estabelece que votos dados a uma chapa cujo registro esteja indeferido, mas cuja decisão ainda seja objeto de recurso, sejam computados dessa forma enquanto a Justiça não se pronuncia. A validade desses votos depende do resultado do processo judicial — e é exatamente isso que o TSE vai decidir nesta quinta-feira.

O que não se pode admitir é que o efeito do indeferimento seja produzido pelo próprio candidato, em prejuízo da coletividade fluminense
— Coligação de Eduardo Paes ao TSE
A decisão do candidato é livre, expressa, consciente e irretratável
— Defesa de Anthony Garotinho no termo de desistência
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