Em uma democracia, o voto é o ato mais íntimo de soberania popular — e quando ele é contestado, toda a arquitetura do resultado vacila. No Rio de Janeiro, a desistência de Anthony Garotinho de seu próprio recurso no TSE pode transformar uma eleição aparentemente empatada em uma vitória de primeiro turno para Douglas Ruas, sem que um único eleitor precise voltar às urnas. O ministro Floriano de Azevedo Marques aguarda o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral para decidir se aceita o movimento — e, com ele, reescrever o mapa político do estado.
TSE aguarda parecer do MP sobre desistência de recurso de Garotinho
Desistência abre caminho para anular votos e proclamar vencedor
Por que Garotinho desistiria de um recurso que poderia mantê-lo na disputa?
Porque ele já estava barrado. A desistência não o tira da inelegibilidade — apenas aceita o inevitável e abre caminho para que seus votos sejam anulados, o que beneficia Ruas.
Mas isso é uma escolha dele? Ou a defesa viu que perder no plenário do TSE era certo e preferiu negociar?
A fonte não deixa claro se houve negociação. Apenas diz que a defesa desistiu. Pode ser cálculo político, pode ser resignação.
E se a Procuradoria disser que não concorda com a desistência?
Então Marques leva ao plenário. Mas a tendência é que a desistência seja aceita — ela não muda nada para Garotinho, apenas formaliza o que já estava decidido.
Quanto aos números: Ruas tem 49,27% agora. Com os votos de Garotinho anulados, ele fica com quantos?
A fonte não calcula isso explicitamente, mas diz que ele ultrapassará 50%. Depende de como os votos brancos e nulos são contados.
E Paes? Ele fica fora da segunda volta?
Se Ruas for proclamado no primeiro turno, sim. Paes fica em segundo com 42,76% dos votos válidos.
Então tudo depende de um parecer que ainda não foi dado e de uma decisão que ainda não foi tomada.
Exatamente. Nos próximos dois dias, a Procuradoria se manifesta. Depois, Marques decide. Aí sim saberemos se há segundo turno ou não.
Le Pouls
- Garotinho, declarado inelegível por improbidade administrativa, surpreende ao pedir a desistência do próprio recurso que mantinha seus votos em disputa judicial.
- Seus 274 mil votos, contabilizados como anulados sub judice, são a peça que falta para que Douglas Ruas ultrapasse os 50% necessários à vitória no primeiro turno.
- O TSE concedeu dois dias à Procuradoria-Geral Eleitoral para se manifestar, criando uma janela de incerteza que mantém o resultado da eleição flertando com dois destinos opostos.
- Se a desistência for aceita, o TRE-RJ proclamará Ruas eleito sem segundo turno; se rejeitada ou levada ao plenário, a disputa permanece aberta e o calendário eleitoral pode mudar.
Em uma democracia, o voto é o ato mais íntimo de soberania popular — e quando ele é contestado, toda a arquitetura do resultado vacila. No Rio de Janeiro, a desistência de Anthony Garotinho de seu próprio recurso no TSE pode transformar uma eleição aparentemente empatada em uma vitória de primeiro turno para Douglas Ruas, sem que um único eleitor precise voltar às urnas. O ministro Floriano de Azevedo Marques aguarda o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral para decidir se aceita o movimento — e, com ele, reescrever o mapa político do estado.
O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, abriu um prazo de dois dias para que a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifeste sobre um pedido que pode alterar o desfecho da eleição para governador do Rio de Janeiro: Anthony Garotinho quer desistir do recurso que havia apresentado à Corte.
Garotinho, candidato pelo Republicanos, está inelegível desde que foi condenado em 2018 por ato doloso de improbidade administrativa. Na véspera da votação, Marques determinou que seus votos fossem contabilizados como anulados sub judice — mas o nome permaneceu na urna porque a decisão chegou tarde demais para alterar o sistema eletrônico. Ele recebeu 274.411 votos, equivalentes a 3,17% dos votos válidos.
Com esse contingente ainda na contagem, Douglas Ruas, do PL, ficou com 49,27% dos votos válidos — a apenas uma fração do limiar de 50% que garantiria a vitória no primeiro turno. Eduardo Paes, do PSD, somou 42,76%, configurando um cenário de segundo turno.
No início da tarde, a defesa de Garotinho protocolou a desistência do recurso. O movimento é calculado: ao abandonar a batalha judicial, abre caminho para a anulação definitiva de seus votos. Com essa subtração, Ruas ultrapassaria os 50% necessários e seria proclamado eleito na primeira volta pelo TRE-RJ.
A palavra final, por ora, pertence ao ministro Marques: ele decidirá se aceita a desistência diretamente ou se submete a questão ao plenário do TSE. O parecer da Procuradoria, esperado nos próximos dois dias, será determinante para que o Rio de Janeiro saiba se terá um governador eleito — ou uma segunda rodada nas urnas.
O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, deu dois dias para a Procuradoria-Geral Eleitoral apresentar parecer sobre um pedido inusitado: Anthony Garotinho quer desistir do recurso que havia apresentado à Corte. A decisão do ministro sobre essa desistência pode reescrever o resultado da eleição para governador do Rio de Janeiro.
Garotinho, candidato pelo Republicanos, está inelegível. Em 2018, foi condenado por ato doloso de improbidade administrativa — uma condenação que a Justiça Eleitoral do Rio considerou suficiente para bani-lo da disputa. Na sexta-feira anterior à votação, Marques determinou que os votos de Garotinho não poderiam ser contados como válidos e deveriam constar como anulados sub judice, ou seja, sob pendência judicial. Mesmo assim, o nome permaneceu na urna porque a decisão que o barrou foi tomada depois que o sistema eletrônico já havia sido fechado.
Garotinho recebeu 274.411 votos, o equivalente a 3,17% dos votos válidos. Douglas Ruas, do PL, conquistou 4.271.199 votos, representando 49,27% do total válido. Eduardo Paes, do PSD, ficou em segundo com 3.706.984 votos, ou 42,76%. Nenhum dos dois ultrapassou a marca de 50% necessária para vencer no primeiro turno — mas apenas por uma margem estreita.
No início da tarde de hoje, a defesa de Garotinho protocolou a desistência do recurso. O movimento é estratégico: ao abandonar a luta judicial, abre caminho para que seus votos sejam anulados definitivamente. Se isso acontecer, uma nova totalização será feita. Com 274.411 votos removidos da contagem, Ruas passaria a ter mais de 50% dos votos válidos, garantindo sua proclamação como eleito no primeiro turno.
Agora cabe a Marques decidir se aceita o pedido de desistência ou se leva o caso para deliberação do plenário do TSE. A Procuradoria-Geral Eleitoral tem dois dias para oferecer seu parecer, que será determinante para a conclusão. Se a desistência for aceita, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio proclamará Ruas como vencedor na primeira volta. Se for rejeitada ou se o caso for ao plenário, a situação permanece em aberto, e a eleição pode seguir para um segundo turno.
Citations marquantes
Os votos de Garotinho não poderiam ser considerados válidos e deveriam constar como anulados sub judice— Ministro Floriano de Azevedo Marques, TSE