No limiar entre o direito processual e o destino político de um estado, o Tribunal Superior Eleitoral aguarda o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral sobre um pedido que raramente se vê: um candidato inelegível pedindo para desistir do próprio recurso. A decisão do ministro Floriano de Azevedo Marques, esperada em dias, pode transformar uma eleição de dois turnos em uma vitória consumada no primeiro — reescrevendo, com um ato de renúncia, o mapa do poder no Rio de Janeiro.
TSE aguarda parecer do MP sobre desistência de recurso de Garotinho
Votos removidos, resultado reescrito no primeiro turno
Por que Garotinho estaria desistindo do recurso agora, depois de já ter votado?
Ele não tinha muita escolha. O ministro já havia determinado que seus votos não seriam contados como válidos. Desistir do recurso é reconhecer essa realidade e permitir que o processo avance.
Mas a pergunta real é: por que a defesa dele fez isso? Há alguma negociação envolvida? O texto não diz.
E se o parecer da procuradoria for contrário à desistência?
Então o ministro pode levar para o plenário do TSE, e a decisão fica mais complexa. Mas tudo indica que a desistência será aceita.
Tudo indica baseado em quê? O texto não cita nenhuma fonte dizendo que é provável. Estamos especulando.
Então o resultado real é que Douglas Ruas vence no primeiro turno?
Sim, se a desistência for aceita. Ele sai de 49,27% para mais de 50% quando os votos de Garotinho são removidos da contagem.
Mas isso só acontece se três coisas ocorrerem: a procuradoria não se opor, o ministro aceitar, e o TRE-RJ fazer a recontagem. Nenhuma delas é garantida ainda.
Qual é o prazo para tudo isso?
A procuradoria tem dois dias. Depois disso, o ministro decide. Não há prazo fixo para a decisão final.
E enquanto isso, o Rio fica sem saber quem é o governador eleito. Isso é importante mencionar.
Il Polso
- Garotinho, declarado inelegível desde 2018, recebeu mais de 274 mil votos que já pendiam sob nuvem judicial — e agora sua própria defesa pede para abandonar o recurso que os mantinha em disputa.
- A tensão está no fio da navalha: sem a desistência, o segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes permanece inevitável; com ela, a aritmética eleitoral se reorganiza e Ruas cruza os 50% sem precisar voltar às urnas.
- O ministro Marques abriu dois dias para a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestar, criando uma janela estreita em que o futuro governador do Rio pode ser definido antes mesmo de qualquer nova votação.
- O TRE-RJ aguarda em compasso de espera, pronto para refazer a totalização e proclamar o resultado oficial assim que o TSE bater o martelo sobre a desistência.
No limiar entre o direito processual e o destino político de um estado, o Tribunal Superior Eleitoral aguarda o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral sobre um pedido que raramente se vê: um candidato inelegível pedindo para desistir do próprio recurso. A decisão do ministro Floriano de Azevedo Marques, esperada em dias, pode transformar uma eleição de dois turnos em uma vitória consumada no primeiro — reescrevendo, com um ato de renúncia, o mapa do poder no Rio de Janeiro.
O ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, concedeu dois dias à Procuradoria-Geral Eleitoral para que ela se manifeste sobre um pedido incomum: Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo Republicanos, quer desistir do recurso que havia apresentado à Corte contra a anulação de seus votos.
Garotinho está inelegível desde 2018, condenado por improbidade administrativa. Sua candidatura foi barrada pela Justiça Eleitoral fluminense, mas a decisão chegou tarde — depois que as urnas já haviam fechado. Seu nome permaneceu nas cédulas, e ele recebeu 274.411 votos, cerca de 3,17% dos votos válidos. O ministro Marques já havia determinado, antes do pleito, que esses votos seriam tratados como anulados sub judice.
Se a desistência for aceita, esses votos serão anulados definitivamente. Com a base de cálculo reduzida, Douglas Ruas — que terminou a eleição com 49,27% dos votos válidos — ultrapassará a marca de 50% necessária para vencer no primeiro turno, encerrando a disputa sem necessidade de segundo turno. Eduardo Paes, segundo colocado com 42,76%, ficaria fora da disputa.
O caso agora segue dois caminhos possíveis: o ministro pode aceitar a desistência por decisão individual ou levar a questão ao plenário completo do TSE. Em qualquer hipótese, o TRE-RJ aguarda a definição para refazer a totalização e proclamar oficialmente o resultado — um ato que determinará quem governará o Rio de Janeiro nos próximos anos.
O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, concedeu à Procuradoria-Geral Eleitoral um prazo de dois dias para apresentar seu parecer sobre um pedido inusitado: Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo Republicanos, quer desistir de um recurso que havia apresentado à Corte. A decisão que virá depois pode reescrever o resultado da eleição estadual.
O cenário é complexo. Garotinho está inelegível desde 2018, quando foi condenado por ato doloso de improbidade administrativa. A Justiça Eleitoral do Rio barrou sua candidatura, mas a decisão chegou tarde demais — após o fechamento do sistema das urnas eletrônicas. Seu nome permaneceu nas cédulas, e ele recebeu 274.411 votos, o equivalente a 3,17% dos votos válidos. Na sexta-feira anterior à votação, o ministro Marques já havia determinado que esses votos não poderiam ser contabilizados como válidos e deveriam constar como anulados sub judice, ou seja, sob pendência judicial.
Agora, com a defesa de Garotinho pedindo para desistir do recurso que havia interposto contra essa decisão, abre-se uma porta para uma recontagem. Se o ministro aceitar a desistência, os votos de Garotinho serão anulados definitivamente. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio então fará uma nova totalização, e é aí que o resultado muda de forma significativa.
Douglas Ruas, do PL, terminou a eleição com 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes, do PSD, ficou em segundo com 3.706.984 votos, ou 42,76%. Nenhum deles ultrapassou a marca de 50% necessária para vencer no primeiro turno. Mas se os votos de Garotinho forem removidos da contagem e o total de votos válidos for recalculado, Ruas ultrapassará esse limiar. Com a nova base de cálculo, ele terá mais de 50% e será proclamado eleito já na primeira volta, encerrando a disputa sem necessidade de segundo turno.
O processo agora depende de duas etapas. Primeiro, o ministro Marques receberá e analisará o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral. Depois, ele decidirá se aceita a desistência do recurso ou se leva o caso para deliberação do plenário completo do TSE. A procuradoria tem dois dias para se manifestar, o que significa que uma decisão pode vir em breve.
O que torna esse caso particularmente delicado é que ele envolve não apenas uma questão processual, mas também o resultado final de uma eleição estadual. A desistência de Garotinho do seu recurso é legalmente seu direito, mas sua aceitação pelo tribunal tem implicações que vão além da candidatura barrada — ela determina quem governará o Rio de Janeiro nos próximos anos. O TRE-RJ está à espera dessa decisão para fazer a proclamação oficial do resultado.
Citazioni salienti
Os votos de Garotinho não poderiam ser considerados válidos e deveriam constar como anulados sub judice— Ministro Floriano de Azevedo Marques, em decisão de sexta-feira