Trump rejeita proposta iraniana para reabrir Estreito de Ormuz em sete dias

Cinco mortos e dezenas de feridos em ataques aéreos americanos contra o Irã em 1º de setembro durante casamento no sudeste do país.
A desconfiança entre os dois países permanecia profunda
Trump renomeou o Estreito de Ormuz como "Estreito Trump" enquanto rejeitava a proposta iraniana de reabertura.
Mark

Por que Trump rejeitou tão rapidamente uma proposta que poderia reabrir uma das rotas comerciais mais importantes do mundo?

Mimi

Ele argumentou que o Irã estava desesperado e buscava um acordo rápido por perdas econômicas. Mas há mais: Trump não confia que Teerã cumpriria as condições.

Luke

Mas qual era exatamente a proposta? O texto diz que as medidas já estavam em um protocolo de junho. Então por que não funcionou da primeira vez?

Mimi

O protocolo de junho desmoronou especificamente sobre as condições de passagem pela via marítima. Não está claro qual era o ponto de discordância exato.

Mark

E quanto ao timing? Por que o Irã apresentou isso agora, na ONU?

Mimi

Porque o Irã estava sofrendo economicamente com o bloqueio. Teerã precisava de uma solução antes que a situação piorasse ainda mais.

Luke

Mas há um detalhe importante: o Wall Street Journal diz que Trump está considerando retomar bombardeios após as eleições de novembro. Isso não é confirmado por Trump diretamente.

Mimi

Correto. É uma avaliação de funcionários americanos citados pelo jornal. Trump não confirmou isso publicamente.

Mark

Qual é o risco real se os bombardeios retomarem?

Mimi

Os preços dos combustíveis disparariam ainda mais. Já estão altos por causa da guerra. Uma escalada militar poderia desestabilizar completamente o mercado global de energia.

Luke

E quanto aos outros fronts mencionados? O Líbano, o Iêmen, Bab el-Mandeb? Parecem ser peças do mesmo tabuleiro.

Mimi

Exatamente. O Irã está tentando resolver tudo junto: Ormuz, o Líbano, o Iêmen, os ativos congelados. É um pacote completo.

Mark

Então a rejeição de Trump fecha a porta para negociações?

Mimi

Por enquanto, sim. Mas com eleições em novembro e a impopularidade da guerra crescendo, as coisas podem mudar rapidamente.

  • Trump rejeitou proposta iraniana no sábado, 26 de setembro
  • Irã propunha reabrir Estreito de Ormuz em até sete dias
  • Protocolo anterior de junho desmoronou sobre condições de passagem marítima
  • Ativos iranianos congelados estimados em pelo menos 12 bilhões de dólares
  • Cinco mortos e dezenas de feridos em bombardeios americanos de 1º de setembro

Trump descartou plano iraniano apresentado na ONU que previa reabertura da passagem estratégica e pausa nas hostilidades em troca de medidas americanas. Irã controla Ormuz desde fevereiro; EUA impõe bloqueio aos portos iranianos. Protocolo de acordo anterior desmoronou sobre condições de passagem marítima.

Donald Trump rejeitou proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias, alegando que Teerã busca acordo rápido por perdas econômicas. A recusa intensifica tensões e ameaça retomada de bombardeios após eleições de novembro.

No sábado, 26 de setembro, Donald Trump descartou uma proposta iraniana apresentada dias antes na Assembleia Geral da ONU. O plano de Teerã era simples em sua ambição: reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias e estabelecer uma pausa nas hostilidades, desde que Washington aceitasse uma série de condições. Trump rejeitou a oferta em poucas palavras diante de jornalistas na Casa Branca, argumentando que o Irã estava desesperado por um acordo rápido porque sofria perdas econômicas significativas.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, havia apresentado a proposta na sede da ONU em Nova York, afirmando que a reabertura do estreito poderia ocorrer sete dias após Washington aceitar os termos. O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, reforçou que o plano havia sido elaborado em coordenação com o líder supremo Mojtaba Khamenei e que uma equipe de seis membros havia sido constituída com poder para tomar decisões. A mensagem era clara: Teerã falava com uma só voz e estava disposto a negociar.

Mas a desconfiança entre os dois países permanecia profunda. Na sexta-feira anterior, Trump havia publicado em sua rede Truth Social um mapa onde o Estreito de Ormuz aparecia renomeado como "Estreito Trump". O gesto era simbólico, mas revelador do clima de tensão. Esta via marítima, por onde transitava cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais, havia se tornado o centro de um conflito que começou no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel desencadearam bombardeios contra o Irã. Desde então, a República Islâmica reivindicava o controle da passagem, enquanto Washington impunha um bloqueio aos portos iranianos em resposta.

Segundo reportagem do Wall Street Journal, citando funcionários americanos, Trump havia rejeitado a oferta porque acreditava que o Irã não cumpriria suas exigências. Mais preocupante ainda: o jornal indicava que o presidente republicano estava avaliando uma retomada dos bombardeios contra o Irã após as eleições legislativas de meio de mandato em novembro. Washington não havia bombardeado o território iraniano desde 1º de setembro, quando uma série de ataques deixou cinco mortos e dezenas de feridos durante um casamento no sudeste do país, embora ataques contra navios em Ormuz tivessem continuado.

A proposta iraniana se baseava em um protocolo de acordo assinado em junho com Washington. Araghchi havia declarado que as medidas que os Estados Unidos deveria tomar não eram novas e já constavam todas naquele entendimento anterior. O protocolo buscava pôr fim de forma duradoura ao conflito, reabrir o Estreito de Ormuz e depois iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. Mas o acordo havia desmoronado em torno das condições de passagem pela via marítima.

O protocolo de junho previa um cessar-fogo imediato das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, onde o Exército israelense combatia o grupo pró-iraniano Hezbollah. Também incluía o desbloqueio e o pagamento de ativos iranianos congelados desde a Revolução Islâmica de 1979, estimados em pelo menos 12 bilhões de dólares, além da suspensão das sanções ao petróleo iraniano e do fim do bloqueio naval americano. Hossein Mohebi, porta-voz da Guarda Revolucionária, havia insistido ainda no fim dos combates no Iêmen, que se tornou um novo front regional desde julho, com a retomada do conflito entre os houthis pró-iranianos e o governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita.

O Iêmen havia ganhado importância estratégica quando o movimento antigovernamental lançou em setembro uma ofensiva que consolidou seu controle sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, outra passagem crítica para as exportações de petróleo que conecta a Europa à Ásia pelo Canal de Suez. Com a proximidade das eleições americanas, Trump enfrentava crescente impopularidade da guerra no Oriente Médio, que havia disparado o preço dos combustíveis. A rejeição da proposta iraniana deixava em aberto a possibilidade de uma escalada militar nos próximos meses.

Rejeito a proposta deles
— Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
A escolha cabe agora a Washington
— Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã
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