Em Busan, à margem da cimeira da APEC, Donald Trump e Xi Jinping sentaram-se pela primeira vez desde 2019 e esboçaram um armistício comercial que reduz tarifas, suspende controlos sobre terras raras e aposta no combate ao fentanil como moeda de entendimento. O encontro revela que, mesmo entre superpotências em rivalidade, a interdependência económica cria pontes onde a retórica erguia muros. A questão que fica em aberto é se esta distensão representa uma viragem duradoura ou apenas uma pausa negociada numa tensão estrutural que nenhum acordo de uma hora e meia consegue dissolver.
Trump reduz tarifas sobre China após reunião "incrível" com Xi Jinping em Busan
Uma redução que deixa as tarifas ainda muito acima dos níveis pré-guerra
O que torna este acordo diferente dos anteriores entre Trump e Xi?
É o primeiro encontro presencial desde 2019, e desta vez há concessões tangíveis em ambos os lados — não apenas retórica. As tarifas caem dez pontos percentuais, e a China suspende os controlos sobre terras raras por um ano inteiro.
Mas precisamos de ser claros: a tarifa de 47% continua muito acima dos níveis pré-guerra comercial. E a suspensão de um ano sobre terras raras não é uma eliminação permanente — é um armistício.
Porque é que o fentanil foi tão importante nesta negociação?
Porque é a principal causa de mortes por overdose nos EUA. Trump conseguiu ligar uma questão de saúde pública doméstica a uma redução de tarifas, o que dá ao acordo uma dimensão que vai além do comércio puro.
Verdade, mas Trump está a confiar na palavra de Xi sobre "medidas enérgicas" contra o tráfico. Não há métricas específicas, prazos ou mecanismos de verificação mencionados no acordo.
E os mercados? Porque é que não reagiram com mais entusiasmo?
Os analistas acreditam que os mercados já tinham precificado a possibilidade de um acordo. Além disso, a cautela pode reflectir dúvidas sobre se as concessões são realmente duradouras ou apenas uma pausa tática.
Exacto. Os mercados viram recordes históricos na semana anterior ao encontro. Quando a notícia chega, o Índice de Xangai abre em baixa. Isso sugere que o mercado já tinha incorporado as esperanças — e talvez esteja a questionar se isto é suficiente.
El Pulso
- Trump e Xi reuniram-se pela primeira vez em seis anos numa base aérea sul-coreana, com a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo a pesar sobre cadeias de abastecimento globais e a confiança empresarial.
- O acordo reduz as tarifas sobre importações chinesas de 57% para 47% e corta para metade as tarifas sobre precursores de fentanil, o opioide que lidera as mortes por overdose nos EUA.
- Pequim fez concessões significativas: retoma compras de soja americana e suspende por um ano os controlos de exportação sobre terras raras, que tinham emergido como a sua arma comercial mais poderosa.
- Os mercados reagiram com cautela — índices asiáticos e futuros europeus oscilaram entre ganhos e perdas, em contraste com o entusiasmo declarado de Trump, que classificou o encontro com '12 de 10'.
- A Casa Branca projeta múltiplas cimeiras ao longo de 2025, com Trump a viajar à China em abril e Xi a ser recebido nos EUA, sinalizando que Busan foi um começo e não um fim.
Em Busan, à margem da cimeira da APEC, Donald Trump e Xi Jinping sentaram-se pela primeira vez desde 2019 e esboçaram um armistício comercial que reduz tarifas, suspende controlos sobre terras raras e aposta no combate ao fentanil como moeda de entendimento. O encontro revela que, mesmo entre superpotências em rivalidade, a interdependência económica cria pontes onde a retórica erguia muros. A questão que fica em aberto é se esta distensão representa uma viragem duradoura ou apenas uma pausa negociada numa tensão estrutural que nenhum acordo de uma hora e meia consegue dissolver.
Donald Trump regressou de Busan com aquilo que descreveu como uma vitória inequívoca: um acordo comercial com Xi Jinping que reduz as tarifas sobre importações chinesas de 57% para 47%, com uma descida ainda mais pronunciada para os precursores do fentanil, que passam a estar sujeitos a apenas 10% de tarifa. O encontro, o primeiro entre os dois líderes desde 2019, decorreu numa base aérea sul-coreana à margem da APEC e durou mais de hora e meia.
Em troca das concessões tarifárias americanas, Pequim comprometeu-se com três medidas concretas: intensificar o combate ao tráfico de fentanil, retomar as compras de soja norte-americana e manter o fluxo de exportações de terras raras. Esta última concessão era particularmente significativa — a China tinha anunciado controlos sobre estes materiais estratégicos no mês anterior, transformando-os na sua arma mais valiosa na disputa com Washington. Agora, Pequim concordou em suspender esses controlos por um ano.
Xi Jinping enquadrou o encontro com pragmatismo diplomático, afirmando que atritos ocasionais entre superpotências são normais e que o desenvolvimento da China não é incompatível com o objetivo de Trump de tornar a América grande novamente. A mensagem era de que ambos os lados podiam sair a ganhar.
A viagem asiática de Trump tinha já produzido avanços com a Coreia do Sul, o Japão e nações do Sudeste Asiático, tornando o périplo um dos mais bem-sucedidos da sua diplomacia comercial. A Casa Branca sinalizou que espera mais cimeiras em 2025, com Trump a deslocar-se à China em abril. Ainda assim, os mercados não partilharam o entusiasmo presidencial: os principais índices asiáticos oscilaram, o Composto de Xangai abriu em baixa e os futuros de soja recuaram — um lembrete de que entre o acordo anunciado e a confiança consolidada existe sempre uma distância que só o tempo pode percorrer.
Donald Trump saiu de Busan com um acordo que, aos seus olhos, representava uma vitória clara na guerra comercial que tem definido o seu segundo mandato. O encontro com Xi Jinping, o primeiro entre os dois líderes desde 2019, decorreu numa base aérea sul-coreana à margem da cimeira da APEC e durou mais de uma hora e meia. Trump classificou-o como "incrível", atribuindo-lhe uma nota de "12 de 10", e o resultado concreto foi uma redução significativa nas tarifas sobre as importações chinesas: de 57% para 47%. Para os precursores do fentanil, a descida foi ainda mais acentuada, caindo para metade, até aos 10%.
Em troca, Pequim comprometeu-se com três medidas que Trump considerou essenciais. A primeira é intensificar o combate ao tráfico de fentanil, o opioide sintético que continua a ser a principal causa de mortes por overdose nos Estados Unidos. Trump afirmou que acredita que a China está "realmente a tomar medidas enérgicas" nesta frente, justificando assim a redução das tarifas relacionadas com este comércio ilícito. A segunda é retomar as compras de soja norte-americana, um produto que tinha sido alvo de represálias chinesas durante os anos anteriores de tensão comercial. A terceira é manter o fluxo de exportações de terras raras, elementos vitais para a produção de carros, aviões e armas.
A questão das terras raras merecia particular atenção. A China tinha anunciado controlos de exportação sobre estes materiais no mês anterior, transformando-os numa das suas armas mais poderosas na disputa comercial com Washington. Agora, Pequim concordou em suspender esses controlos por um período de um ano, segundo comunicado do Ministério do Comércio chinês. Esta concessão era significativa porque as terras raras tinham-se tornado a moeda de troca mais valiosa que Pequim possuía.
Xi Jinping, por seu lado, enquadrou o encontro de forma diplomática. Afirmou que é normal as superpotências terem atritos ocasionais e sublinhou que o desenvolvimento e o rejuvenescimento da China não são incompatíveis com o objetivo de Trump de "Tornar a América Grande Novamente". A mensagem era clara: ambos os lados podiam ganhar com um acordo.
A viagem de Trump pela Ásia tinha sido, de facto, bem-sucedida em múltiplos frontos. Antes de chegar a Busan, o presidente tinha conseguido avanços comerciais com a Coreia do Sul, o Japão e outras nações do Sudeste Asiático. Para a maioria dos analistas, o périplo dificilmente podia ter corrido melhor. A Casa Branca já sinalizava que espera que o encontro de Busan seja apenas o primeiro de vários entre os dois líderes ao longo de 2025. Trump disse que viajará à China em abril, e que receberá Xi Jinping nos Estados Unidos posteriormente.
No entanto, a reação dos mercados foi mais contida do que o entusiasmo de Trump sugeria. Os principais índices asiáticos e os futuros europeus oscilaram entre ganhos e perdas. O Índice Composto de Xangai abriu em baixa, apesar de ter atingido máximos de dez anos na semana anterior. Os contratos futuros de soja nos EUA também recuaram. Besa Deda, analista da consultora William Buck, observou que "a reação dos mercados tem sido cautelosa, em contraste com a caracterização entusiasmada do encontro feita por Trump". Isto acontecia apesar de, na preparação para a reunião, os mercados de ações mundiais terem atingido recordes históricos, impulsionados pela esperança de um avanço que pudesse interromper a guerra comercial que tem afectado as cadeias de abastecimento globais e abalado a confiança empresarial.
Citas Notables
Foi uma reunião incrível, com nota 12 de 10— Donald Trump, citado pela Reuters
O desenvolvimento e o rejuvenescimento da China não são incompatíveis com o objetivo do presidente Trump de 'Tornar a América Grande Novamente'— Xi Jinping, durante o encontro